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A REENCARNAÇÃO RESOLVE O PROBLEMA DO MAL?
A REENCARNAÇÃO RESOLVE O PROBLEMA DO MAL?

 

A doutrina da reencarnação tem sido persistentemente utilizada por certos grupos religiosos como sendo a mais sublime e elevada explicação para o mal moral no mundo, como se ela fosse a única tese que pudesse justificar moralmente a existência do sofrimento. Não é raro os vermos se vangloriando da crença na reencarnação e zombando da crença cristã na ressurreição, como se a crença deles fosse mais lógica e coerente do que a nossa. É inegável que, a uma primeira vista, a reencarnação parece mesmo ser uma explicação razoável para a existência de mendigos na rua, de pessoas morrendo de fome na África, de doenças em todas as partes, das guerras, e assim por diante. Basta dizer que a pessoa que sofre está pagando pelos pecados de uma vida passada, e que, por isso, este sofrimento é “justo”. E, se é justo, não há injustiça, e consequentemente o problema do mal se vai. É uma explicação fácil, que aparentemente “resolve” o dilema.

 

Supostamente.

 

Ao analisarmos mais de perto, percebemos que a explicação do mal pela via da reencarnação não apenas não resolve o problema, mas o aumenta. Ela é semelhante a alguém que está endividado com outra pessoa, e para quitar essa dívida pede um empréstimo no banco. Então ele quita a dívida com a pessoa a quem devia, mas agora tem uma dívida maior para com outro. A reencarnação supera os dilemas tradicionais, mas no lugar deles coloca outros maiores, que aumentam o problema ao invés de curá-lo.

 

Por exemplo, a reencarnação coloca a culpa de quem sofre na conta de quem sofre. Em outras palavras, se alguém nasceu cego, surdo ou mudo, o culpado é ele mesmo, por ter sido supostamente “mau” em sua existência passada. A mesma coisa se aplica nas demais áreas da vida. Se alguém está sofrendo muito aqui, a culpa recai em primeiro lugar nos ombros da própria pessoa que sofre. Dito em termos simples, não basta alguém ter nascido cego: ele também é acusado de ter sido o culpado por esse sofrimento! Ora, para alguém que está sofrendo, não há nada que seja pior do que colocar um outro peso de culpa nas costas da pessoa. Diga a alguém depressivo (que nada fez para merecer isso) que na verdade ele está assim porque ele foi um monstro na vida passada. Ele vai ficar mais depressivo ainda, e dificilmente irá se recuperar.

 

Isso leva consequentemente a um conformismo: “se eu estou sofrendo, é porque eu tenho que sofrer” (por causa do carma); “se eu estou sofrendo, é porque eu mereço sofrer; ou então: “se eu estou sofrendo, é porque eu sou o culpado”. Isso também leva a atitudes absurdas contra aqueles que já nasceram com alguma deficiência, pois nos levaria a crer logicamente que se a pessoa já nasceu com a deficiência é porque ela foi muito pecadora na vida passada (já que tudo gira em torno de causa e efeito). Era assim que os fariseus da época de Jesus tratavam um moço que nasceu cego:

 

“Você nasceu cheio de pecado; como tem a ousadia de nos ensinar?” (João 9:34)

 

Mas quando Jesus foi perguntado se aquele homem havia nascido cego por culpa dele ou dos seus pais, ele negou ambas as hipóteses:

 

“Seus discípulos lhe perguntaram: ‘Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?’ Disse Jesus: ‘Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele” (João 9:2-3)

 

Aqui vemos o mais claro contraste entre a teologia de Jesus e a teologia reencarnacionista. Enquanto para estes a culpa de alguém que já nasceu defeituoso recai sobre a própria pessoa deficiente, a quem se julga antecipadamente ter sido má em sua “vida passada”, para Jesus os que sofrem não são necessariamente os culpados pelo seu próprio sofrimento. Assim sendo, os milhares que nasceram com alguma imperfeição não são alvos de julgamentos pré-concebidos ou acusações gratuitas, mas de amor e compaixão.

 

Além disso, a reação natural que se tem ao presumir que a reencarnação existe é que não é bom ajudarmos aqueles que mais sofrem. A razão para isso é simples: se ele sofre, é porque está “pagando os pecados” da vida anterior. E se ele está pagando um preço, quem somos nós para impedir isso? Se alguém faz o mal e é condenado a 30 anos de prisão, e eu vou lá e solto ele da prisão muito antes de se completar os 30 anos, eu estarei praticando um crime, porque é justo e natural que as pessoas paguem as consequencias dos seus próprios atos. Para os reencarnacionistas, os que sofrem hoje estão pagando um preço. Por que, então, impedir que este preço seja pago?

 

A ajuda ao próximo, nesta visão, é uma grosseira intromissão no carma alheio, e significa impedir que uma pessoa pague o preço que ela merece e tem que pagar. Ao ajudarmos uma pessoa necessitada, estaríamos interferindo em um carma e impedindo que uma pessoa má da outra vida pague por seus maus atos nesta vida. Isso não apenas nos leva a olhar com maus olhos para os que sofrem hoje (e a exaltar os mais ricos e favorecidos, por contraste), mas também nos leva a ver pouco sentido em ajudar alguém que foi o culpado por estar na situação em que se encontra.

 

A visão cristã, em contrapartida, milita no sentido contrário: se alguém passa necessidades nesta vida, isso não tem nada a ver com uma vida passada. A pessoa necessitada não está pagando pecados, nem “sofrendo por merecer”. Semelhantemente, os bem sucedidos nesta vida não são bem sucedidos por terem sido “bons” em uma vida passada, e de fato podem não ter feito nada de bom para merecer isso. A visão cristã nos coloca em uma posição onde o pobre não é o vilão nem o rico é o mocinho, mas onde todos são iguais e merecem os mesmos direitos. A visão reencarnacionista, por contraste, leva a um desprezo pela vida do mais pobre e a uma exaltação indevida do mais rico.

 

Em países onde a doutrina da reencarnação predomina e onde quase 100% do povo crê na lei do carma, é precisamente isso o que se vê. Na Índia, país que adota o hinduísmo e onde todo mundo crê na reencarnação, a sociedade é estabelecida por castas, onde é praticamente impossível alguém de cima cair de posição, ou alguém de baixo subir. Em outras palavras, os que estão no degrau mais inferior na escala social não tem nenhuma esperança ou expectativa na vida. No sistema de castas, se você nasceu pobre morrerá pobre, se nasceu rico morrerá rico, se nasceu servo morrerá servo, se nasceu senhor morrerá senhor. O carma deles é esse, e eles têm que pagar o preço – para o bem ou para o mal. Isso ajuda a criar desigualdade social e preconceito.

 

Dinesh D’Souza, que nasceu na Índia e ali foi educado por boa parte da vida, fala com propriedade sobre o assunto, e explica:

 

“Quando o Cristianismo chegou à Índia, logo você observa que um grande número de indianos correu para o Cristianismo. Por quê? Conforme eu fui examinando esse assunto, descobri que no sistema de castas da Índia você tem quatro castas com os párias por baixo de todos. Se você nasceu pária, você está acabado, não há para onde ir, você não consegue se safar. Muitas pessoas da classe pária foram muito atraídas para o Cristianismo, pois eles o viam como afirmação da ideia de igualdade espiritual entre as pessoas. Significou que havia algo a dizer a eles: ‘Você não é um nada, você não é um cão, você é um ser humano e isso conta muito’. A maior parte do mundo não tem isso. Nós não o tínhamos na civilização ocidental tampouco. O Cristianismo o trouxe. Ele importou um pouco disso do Judaísmo, mas o Judaísmo era para a tribo: Deus instruiu seu povo escolhido. O Cristianismo toma a ideia e a universaliza. Se você olhar para os direitos divulgados pela ONU, a Declaração dos Direitos Humanos, notará algo muito interessante: eles não são universais. Praticamente todos esses direitos são uma herança específica do Cristianismo. É bom que eles sejam universalizados, como o Cristianismo queria desde o início, mas eles não eram direitos compartilhados e reconhecidos em todas as culturas e práticas, sejam elas religiosas ou não, nas outras culturas”[1]

 

E Dinesh exemplifica isso na prática citando o seguinte exemplo:

 

“Se amanhã houvesse uma grande falta de alimentos em Ruanda ou no Haiti, essa seria a reação: todos os países do ocidente agiriam. Haveriam manifestações de solidariedade, Médicos Sem Fronteiras, Cruz Vermelha, igrejas enviando alimentos, trabalho voluntário, etc. E há vários países ricos no mundo oriental (China, Índia, os países islâmicos cheios de petróleo), mas qual seria a reação deles? Eles não dariam a mínima. Eles seguiriam suas vidas. Por quê? Porque esta ideia de obrigação para com o próximo é um conceito do ocidente. Quando criança, na Índia, aprendi um provérbio: ‘As lágrimas dos que não conhecemos são apenas água’. Este pode parecer um jeito insensível de se pensar, mas na verdade não é. É o jeito que todos pensam. A ideia aceita por todo o mundo é a de que temos obrigações com nossa família. É por isso que trabalhamos e provemos. Para quem? Não para os outros, mas para a nossa família. Suas obrigações são para com sua família, depois para seus parentes, seus vizinhos, seus amigos, sua ‘tribo’, e é isso. Então, se alguém que não é seu conhecido aparece com um problema, você deseja que ele fique bem, mas não é seu problema. Portanto, a ideia de compaixão é exclusiva do ocidente [cristão]”[2]

 

Com isso nós não estamos dizendo que todos os que creem em reencarnação não sejam boas pessoas ou que tratem com indiferença os menos favorecidos. Estamos simplesmente dizendo que esta é a consequencia lógica que se extrai da doutrina da reencarnação, caso ela seja verdadeira, e que isso se faz visível de forma mais marcante precisamente naqueles países que majoritariamente adotam a crença na reencarnação e fazem dela o leme que guia todo o país.

 

Mas o pior problema filosófico para a crença na reencarnação é justamente a origem do mal. Para Alan Kardec e para os reencarnacionistas em geral, há um princípio de evolução que rege as novas encarnações. Em outras palavras, significa que você sempre vai estar necessariamente “evoluindo”, sendo uma pessoa melhor na próxima encarnação do que você é hoje. Mas se isso é assim, então o inverso também é verdadeiro: você foi uma pessoa menos boa (ou pior) em sua encarnação anterior, do que você é hoje. E este é um princípio fixo: não importa o quão ruim você seja nesta vida, você foi pior na vida passada. Até os maiores monstros e crápulas da história da humanidade (pessoas como Hitler e Nero) eram menos ruins do que na encarnação anterior deles, e assim sucessivamente.

 

Então pense da seguinte maneira: você já não é uma pessoa pra lá de perfeita nesta presente encarnação, mas era pior do que isso na encarnação passada. Mas o que você era de ruim na encarnação passada também não era tão ruim assim quanto na encarnação anterior a aquela. Mas mesmo sendo tão ruim nesta outra encarnação, isso não era nada em comparado com a encarnação anterior a ela, e assim sucessivamente, numa regressão enorme de encarnações (cada vez piores) até chegarmos à primeira encarnação.

 

Essa primeira encarnação, por conseguinte, deve necessariamente consistir no pior monstro moral e aberração que é possível que um ser humano seja, em um nível praticamente inconcebível. Se Hitler era esse monstro que foi, ele foi pior na encarnação anterior, e pior na anterior, e pior na anterior, até chegar à primeira de todas as encarnações. Então você já deve ter em mente uma leve ideia de como é essa primeira encarnação. Mas ao chegarmos aqui, os reencarnacionistas se veem em um dilema crucial: já não há mais encarnações anteriores para justificar o mal!

 

Em outras palavras, se o mal presente na encarnação atual é justificado por aquilo que fomos na encarnação passada, o que justifica o mal que existia na primeira encarnação, quando não havia nenhuma outra antes dela? A coisa piora ainda mais quando vemos que, pela lógica reencarnacionista, o mal presente na primeira encarnação era muito maior e pior do que o mal presente nesta encarnação atual. Consequentemente, a necessidade e a urgência em se explicar o mal presente na primeira encarnação seria muito maior do que a necessidade de se explicar o mal presente nesta encarnação. Mas ao chegarmos à primeira encarnação, nem os reencarnacionistas teriam uma “encarnação anterior” para responsabilizar pelo mal!

 

Em outras palavras, os reencarnacionistas tentam explicar o mal complicando tudo, jogando cada vez mais para trás até chegar a um ponto completamente insustentável, onde não tem mais condição nenhuma de explicar o mal por seus próprios métodos. E o problema é muito maior, porque o mal que supostamente existia era maior, e ele não teria sido causado por encarnações passadas! Apelar para a reencarnação para resolver o problema do mal é somente adiar e postergar o problema, ate que ele vire uma verdadeira bola de neve, muito pior do que inicialmente era (sem a reencarnação). É “pagar a dívida” com uma dívida maior, e então com outra maior, e outra maior, até chegar um momento em que não tem como pagar mais nada, e está devendo muito mais do que estava no início. É por isso que a reencarnação simplesmente não é uma saída.

 

A situação complica ainda mais quando vemos que neste sistema reencarnacionista o problema original do mal recai sobre Deus, que teria sido o criador dos espíritos. Em outras palavras, Deus teria dado origem ao primeiro ciclo de encarnações, e, como vimos, a primeira encarnação era a encarnação de um ser essencialmente mau. Então a origem de todo o mal seria Deus, que deliberadamente teria decidido criar seres maus a princípio, para só depois irem evoluindo aos poucos até chegarem à perfeição. Por que razão um Deus onibenevolente teria criado originalmente seres essencialmente maus para perpetuar o sofrimento na terra por gerações e gerações, isso ninguém sabe. É um “mistério”.

 

A visão cristã, por contraste, apresenta uma criação originalmente criada para o bem. “E viu Deus que o que criou era bom” (Gn.1:31) é o que é nos dito ao final de cada criação divina. A humanidade, inclusive. Deus não criou um homem originalmente mau, mas foi o próprio homem que optou por ser mau, escolhendo o mau caminho por seu livre-arbítrio. Assim, a culpa do mal no mundo, numa perspectiva cristã, não recai sobre Deus – que criou um ser bom – mas sobre o homem, que escolheu pelo mal.

 

A solução para o problema do mal numa perspectiva cristã também difere da perspectiva reencarnacionista. Para os reencarnacionistas, obtemos a perfeição através de sucessivas e infindáveis encarnações, que parecem nunca ter fim. Em outras palavras, nos tornamos “salvadores” de nós mesmos, ao final de um cansativo ciclo de encarnações. Já para os cristãos, obtemos a perfeição através de Jesus, o homem perfeito, que pagou o preço em nosso lugar. Jesus, portanto, é nosso salvador perfeito, único e suficiente (At.4:12), através do qual recebemos “a redenção, a saber, o perdão dos pecados” (Cl.1:14). Por isso, a salvação não é para amanhã, mas “no tempo que se chama hoje” (Hb.3:13). Essa vida é a nossa única chance, e essa é mais uma razão para aproveitá-la ao máximo, dispondo todo o nosso coração para Deus.

 

O quadro abaixo sintetiza o que foi resumidamente aqui exposto:

 

a

 

Em conclusão, a doutrina da reencarnação não serve como uma resposta decente ou séria para o problema do mal, servindo mais para aumentar do que para eliminar os dilemas. Embora superficialmente pareça dar mais sentido e explique o porquê que pessoas justas sofram enquanto pessoas más prosperam, basta uma análise um pouco mais detalhada para perceber que ela, longe de explicar algo razoavelmente, termina multiplicando exponencialmente o problema, e sugerindo um caminho errado como solução.

 

• Para ler uma análise do problema do mal sob uma perspectiva cristã, clique aqui.

 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

 

Por Cristo e por Seu Reino,

Lucas Banzoli.

 



[2] Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-Z4Bq2t4tx0

 

 

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