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A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE É BÍBLICA?
A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE É BÍBLICA?

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Um grande engano da igreja moderna que tem se alastrado rapidamente através do lema “pare de sofrer” é a teologia da prosperidade, cuja fórmula consiste basicamente na mesma coisa que Satanás usou no deserto na tentação de Jesus. Ele lhe ofereceu o suprimento material (Mt.4:3), mas Jesus revidou com o suprimento espiritual, a palavra de Deus (Mt.4:4). Satanás lhe ofereceu poder, glória e autoridade, dizendo-lhe:

 

“O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: ‘Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares’” (Mateus 4:8,9)

 

Basicamente é exatamente isso o que o diabo continua oferecendo aos cristãos nas tentações dos dias de hoje. Os tempos passam, mas as tentações são as mesmas de sempre. Ele oferece aos cristãos “os reinos do mundo e a sua glória”, constantemente deturpando as passagens das Escrituras, pegadas de forma isolada, como ele tentou fazer com Cristo (Mt.4:6).

 

Como hoje tudo se move a dinheiro, é normal vermos pregadores recortarem certas passagens bíblicas com o intuito de prometer aos seus fieis uma vida cheia de prosperidade financeira, um maravilhoso carro de última geração, um campo ou uma fazenda em algum lugar, um serviço super interessante e, talvez, uma ou duas mansões em Miami ou no Havaí. É triste vermos que, enquanto Jesus repudiou tais deturpações e oferecimentos vindos do maligno, hoje em dia cristãos sinceros são enganados por “não conhecerem as Escrituras” (Mt.22:29), que podem ser devidamente utilizadas para refutar inteiramente tais crenças.

 

Na parábola do semeador, Jesus disse sobre tais pessoas:

 

“Outros ainda recebem a semente entre os espinhos; ouvem a palavra, mas as preocupações mundanas, a ilusão das riquezas, as múltiplas cobiças sufocam-na e a tornam infrutífera” (Marcos 4:18,19)

 

Ele revela nela quatro tipos específicos de pessoas, sendo que apenas uma única delas é um cristão verdadeiro, que persevera até o fim. O primeiro tipo de pessoas diz respeito àquelas que, logo ao ouvirem a palavra, “Satanás tira a palavra que foi semeada nos seus corações” (Mc.4:15). O segundo grupo de pessoas são aqueles que, “sobrevindo tribulação ou perseguição, por causa da palavra, logo se escandalizam” (Mc.4:17).

 

Mas é o terceiro grupo de pessoas que mais me chama a atenção. Embora existam os quatro grupos visivelmente, o terceiro é aquele que mais ocorre na igreja cristã, o mais facilmente ludibriado: o daqueles que tem preocupações mundanas (com dinheiro e poder), e tem “ilusão de riquezas” (v.19). Note que Cristo chama aquilo que os pregadores da prosperidade pregam de “ilusão”!

 

Ilusão porque eles iludem os fieis, fazendo-os pensar que serão ricos por estarem em Cristo, quando, na verdade, todos os apóstolos e o próprio Cristo foram pobres. Ou seja: eles querem que os seus fieis sejam exatamente aquilo que nem Jesus, nem Paulo, Pedro ou qualquer outro apóstolo foi: rico! Os apóstolos criam tanto na teologia da prosperidade que eram pobres:

 

“Disse-lhe Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te dou; em nome de Jesus Cristo, o nazareno, anda” (Atos 3:6)

 

Eles não estavam tentando enganar o mendigo se passando por pobres – eles realmente eram pobres! Se nos aprofundarmos nas Escrituras, veremos que Pedro não era o único. O próprio Senhor Jesus disse:

 

“Jesus replicou-lhe: As raposas têm covas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lucas 9:58)

 

Enquanto muitos pastores hoje em dia têm mansões, jatos, carros importados e fazendas, Jesus não tinha nem sequer onde reclinar a cabeça! O apóstolo Paulo é claro ao afirmar que Cristo “se fez pobre por nós” (2Co.9:9). Ele tinha a humilde profissão de carpinteiro (Mc.6:3), não tinha mais do que cinco pães e dois peixes para multiplicar milagrosamente à multidão (Jo.6:9), não tinha duzentos denários para comprar pão suficiente para eles (Jo.6:7), não tinha nem sequer como pagar os dois denários por ano de imposto às autoridades romanas, tendo que recorrer a um milagre para pagá-lo (Mt.17:27).

 

Jesus parece que lhes deixou o exemplo a não ser seguido: a simplicidade. Em busca das riquezas, eles caíram no maior dos pecados - o amor ao dinheiro, que é "a raiz de todos os males" (1Tm.6:10). E eles ainda querem se sustentar no fato de que Deus é o dono do ouro e da prata e que, portanto, nós devemos ter amplas quantias de ambos, pois somos filhos dele. Mas se o Filho unigênito de Deus, Jesus Cristo, foi pobre aqui na terra, então por que nós (que não somos filhos unigênitos, mas meramente por adoção) deveríamos ser ricos?

 

Ou seja: se o principal, primogênito e unigênito era pobre enquanto esteve entre nós, por que nós, que somos muito inferiores a ele, que somos filhos meramente por adoção e não por natureza, deveríamos ser ricos? “Ah, mas eu sou filho do Rei”, diriam alguns. Mas se o próprio Rei foi pobre aqui na terra, por que os seus filhos seriam ricos? A lógica é óbvia: Cristo é rico no Céu, mas foi pobre na terra (2Co.8:9). Da mesma forma, nós somos pobres na terra e seremos ricos na eternidade. Não há promessas de tesouros terrenos, mas a rejeição a possuí-los (Mt. 6:19).

 

Paulo era pobre. Ele não tinha residência certa (1Co.4:11), passava fome (1Co.4:11), tinha necessidade de roupas (1Co.4:11), não tinha o que beber (2Co.11:27), suportava frio e nudez (2Co.11:27), era perseguido (1Co.4:12) e tratado como o lixo deste mundo (1Co.5:13). Não, Paulo definitivamente não era rico! Os falsos profetas dos tempos modernos querem nos convencer de que eles são melhores que os apóstolos, pois estes sofriam e eram pobres, enquanto eles não sofrem e são ricos, porque “tem fé”!

 

O que os falsos mestres chamam de “fé”, na verdade, não passa de avareza. Eles querem que nós sigamos o exemplo de Jesus e dos apóstolos, mas não na questão do dinheiro. Quando a questão é prosperidade, os discípulos de Jesus nunca são usados como exemplo, porque a vida deles é diametralmente oposta à sua teologia da prosperidade. Paulo era tão pobre que ele chegou a dizer o seguinte sobre todo o corpo apostólico:

 

“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1ª Coríntios 15:19)

 

Paulo coloca o verso no plural porque ele está falando em nome de todos os apóstolos e servos de Deus (1Co.15:10-12). Para ele, se é somente para esta vida que esperamos em Cristo, somos os mais dignos de lástima. Nós seríamos os “mais miseráveis de todos os homens” (v.19). A não ser que o apóstolo seja um mentiroso, devemos entender que eles não viviam no luxo, mas na pobreza. A teologia da prosperidade inverte essa lógica, ao afirmar exatamente o contrário daquilo que Paulo disse sobre todos os apóstolos.

 

Ela ensina que temos que ser ricos e que Deus quer nos dar muito dinheiro já nesta presente vida, nos tornando prósperos e “vencedores”, e que depois partiremos para o Céu e teremos ainda mais. Em outras palavras, nós somos ricos nesta vida e na próxima! Essa ilusão é completamente rejeitada e desfeita em um único versículo bíblico, pois a realidade bíblica não é de ser rico nesta vida e na próxima, mas sim de ser o mais miserável de todos os homens nesta vida, e ganhar a vida eterna na ressurreição vindoura.  É por isso que ele diz que Deus colocou os apóstolos “por último”:

 

“Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens” (1ª Coríntios 4:9)

 

Os apóstolos eram “os últimos”, e não os primeiros. Eles eram aquilo que poderia ser chamado de “lixo do mundo, escória de todos” (1Co.4:13). Graças a Deus que Jesus prometeu que “os últimos serão os primeiros” (Mt.20:16), mas preste bem atenção no termo no futuro – “serão”! A promessa é que na vida futura sejamos “os primeiros”, e não nesta presente vida, como alguns pregam!

 

Ser o primeiro significa ter o poder, a riqueza, a autoridade. Ser o último, em contraste, significa ser aquilo que Paulo fala com respeito aos apóstolos: estar passando fome, sede, não ter roupas, não ter pousada certa, ser perseguido, sofrer por amor a Cristo, ser o lixo do mundo e a escória de todos, ser como alguém condenado a morte.

 

Os pregadores da prosperidade omitem todas essas coisas, pois eles querem ser os primeiros, e não os últimos. Eles querem ter fama, dinheiro, riquezas, poder. Eles querem “crescer na vida”, entendendo que essa expressão significa aquisições materiais. Eles têm a mente focada naquilo que é material, quando “os últimos” são aqueles que abrem mão da sua própria vida material para ter uma visão eterna, pois a nossa riqueza está guardada para o futuro, quando nos encontraremos com Nosso Senhor:

 

“Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará” (Lucas 9:24)

 

Alguns não têm o real significado do que seria “perder a sua vida”. Para eles, Cristo ter dito isso ou nada dá no mesmo. Porém, “perder essa vida” significa abrir mão dela, sacrificá-la por um Bem Supremo, e este bem supremo é Deus. Por amor a Jesus, temos que perder a nossa própria vida. Isso é exatamente o contrário do materialismo pregado na teologia da prosperidade, onde querem viver a vida a vontade, com dinheiro, poder e riquezas. Eles ganham essa vida e querem ganhar também a próxima!

 

O evangelho da prosperidade substitui o realismo bíblico por uma ilusão gananciosa que é em muito atraente aos nossos olhos. É por isso que existe tanta gente iludida com essa mentira, pois preferem a ilusão das riquezas do que a dura realidade da Palavra de Deus. Não é a toa que o apóstolo Tiago fez questão de dizer:

 

“Vós, ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que sobre vós virão. Vossas riquezas apodreceram e vossas roupas foram comidas pela traça. Vosso ouro e vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e devorará vossas carnes como fogo. Entesourastes nos últimos dias!” (Tiago 5:1-3)

 

Tiago absolutamente repudia a atitude de “entesourar nos últimos dias”, e, levando em consideração que se entende que nós estamos vivenciando hoje estes “últimos dias”, não devemos fazer o mesmo, a não ser que tenhamos o desejo de sermos participantes das “desgraças que sobre vós virão” (Tg.5:1).

 

Essa ânsia em querer ganhar dinheiro com o evangelho é o que mais distancia o verdadeiro cristão da verdade evangélica e que o deixa com a mente focada no material, quando, na realidade, a nossa esperança não deveria estar em algo deste mundo, mas daquele que há de vir:

 

“Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas.  A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Pelo poder que o capacita a colocar todas as coisas debaixo do seu domínio, ele transformará os nossos corpos humilhados, para serem semelhantes ao seu corpo glorioso” (Filipenses 3:18-21)

 

A nossa esperança não está nesta vida – está na próxima. Não devemos ficar “pensando só nas coisas terrenas”, como o fazem aqueles “cujo Deus é o ventre” (Fp.3:19), pois pregam o evangelho somente para a satisfação própria. Paulo alude à nossa real esperança – a cidadania celestial – porque a nossa expectativa não é nas “coisas terrenas” (v.19), mas nas coisas celestiais.

 

A nossa humilhação só vai ser transformada em algo glorioso quando o Senhor Jesus colocar todas as coisas sob o seu domínio, e isso acontece após a ressurreição dos mortos, sendo que o próprio Paulo escreve dizendo que isso ocorre na “transformação de nossos corpos humilhados”, isto é, na ressurreição da carne.

 

O que muitos fazem hoje é inverter este quadro. Eles querem viver luxuosamente e em glória já nesta presente vida, e o fim que eles terão será a humilhação. Os que querem, porém, viver humildemente e modestamente esta vida, terão seus “corpos de humilhação” transformados em glória quando o Senhor Jesus voltar. Essa mesma lógica é recorrente também em 2ª Tessalonicenses 1:6-7, que diz:

 

“É justo da parte de Deus retribuir com tribulação aos que lhes causam tribulação, e dar alívio a vocês, que estão sendo atribulados, e a nós também. Isso acontecerá quando o Senhor Jesus for revelado lá dos céus, com os seus anjos poderosos, em meio a chamas flamejantes” (2ª Tessalonicenses 1:6,7)

 

Quando nós teremos alívio das nossas tribulações? Aqui nesta vida? Não, mas quando “o Senhor Jesus for revelado lá dos céus, com os seus anjos poderosos, em meio a chamas flamejantes” (v.7). Não há espaços para duplas interpretações. Os pregadores da prosperidade em nosso meio querem ensinar basicamente aquilo que o ex-presidente Lula disse publicamente – que aquilo que Cristo disse sobre o Reino dos céus e os pobres é “bobagem” e que temos que receber a nossa herança agora mesmo:

 

“Bobagem, essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus. Nós queremos o reino agora, aqui na Terra. Para nós inventaram um slogan que tudo tá no futuro (…) Queremos que todo mundo vá pro Céu, agora. Queremos ir pro Céu vivo. Não venha pedir para a gente morrer para ir pro Céu que a gente quer ficar aqui mesmo”[1]

 

E é exatamente isso o que os pregadores da prosperidade estão pregando hoje. Eles só não dizem abertamente que Jesus falava “bobagem”, mas ensinam precisamente a mesma coisa. Eles querem o Reino dos céus agora, querem as riquezas agora, não querem esperar o futuro. A Bíblia, contudo, nos mostra que serão os pobres que herdarão o Reino de Deus, e que a nossa verdadeira esperança está reservada para nós nos céus, sendo que iremos possuí-la no momento de nossa entrada no Reino, na ressurreição dos mortos para a vida eterna (Fp.3:18-21; 1Pe.1:14).

 

Qualquer ensinamento que seja diferente disso e que coloque a esperança de riquezas para esta presente vida, seja vindo de um pastor ou de um presidente, deve ser rejeitado, pois temos a clareza de alguém muito maior, um “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap.19:16), alguém que é digno de muito mais confiança do que qualquer presidente aposentado ou pregador da prosperidade.

 

É importante também mencionarmos a extrema pobreza das próprias comunidades cristãs (piedosas a Deus), que eram pobres. A Igreja da Macedônia, por exemplo, passava por muitas tribulações e vivia em extrema pobreza:

 

“Desejamos dar-vos a conhecer, irmãos, a graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia. Em meio a tantas tribulações com que foram provadas, espalharam generosamente e com transbordante alegria, apesar de sua extrema pobreza, os tesouros de sua liberalidade” (2ª Coríntios 8:1,2)

 

Paulo é enfático aqui: as igrejas da Macedônia viviam em “extrema pobreza” (v.2)! E eles nem eram os mais pobres, porque fizeram doações para os irmãos de Jerusalém, que eram ainda mais pobres que eles!

 

“A Macedônia e a Acaia houveram por bem fazer uma coleta para os irmãos de Jerusalém que se acham em pobreza” (Romanos 15:26)

 

A situação na Igreja da época era tão crítica que os próprios macedônios, que viviam em “extrema pobreza” (2Co.8:2), tinham que fazer doações aos crentes de Jerusalém, porque estes eram ainda mais pobres! A única comunidade cristã registrada na Bíblia que tinha certa fartura e riqueza era a igreja de Laodiceia, que, curiosamente, é também duramente repreendida e corrigida por Deus por causa disso:

 

“Ao anjo da igreja em Laodicéia escreva: Estas são as palavras do Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus. Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca. Você diz: Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu. Dou-lhe este aconselho: Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar” (Apocalipse 3:14-18)

 

Deus fez com que propositalmente a maior crítica severa a uma igreja cristã fosse exatamente dirigida àquela que era a mais rica! Se Deus fosse da linha da prosperidade financeira através do evangelho, claramente iria fazer com que o inverso fosse verdadeiro: que as igrejas mais ricas fossem as mais elogiadas por sua “demonstração de fé” e que as mais pobres fossem desprezadas por não fazerem uso de fé e viverem na miséria por causa disso!

 

Embora isso seja ensinado pelos falsos mestres em nosso meio, tais exemplos jamais ocorrem na Bíblia Sagrada, sendo que as comunidades cristãs mais carentes eram precisamente as mais elogiadas e as mais ricas e “prósperas” (se levar em consideração que prosperidade é igual a “riquezas”) eram exatamente aquelas que Deus diz que iria vomitar de sua boca, que deveria cobrir a sua vergonhosa nudez e que deveria comprar colírio para ungir seus olhos!

 

Além disso, embora a igreja de Laodicéia fosse bem rica, Deus afirma: “Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico (v.18). Note o termo no futuro – “se tornará rico”. Mas os laodicenses já não eram ricos? Sim, eles eram, materialmente. Porém, as “riquezas” no olhar de Deus não têm absolutamente nada a ver com riquezas terrenas, mas com espirituais. Você ser rico para Deus não significa possuir mansões, carros importados ou paraísos fiscais, mas é viver uma vida de santidade com boas obras.

 

Fora disso, qualquer outro tipo de “prosperidade” não passa de mera ilusão. Você pode estar rico materialmente e estar pobre espiritualmente, porque prosperidade financeira nunca foi sinal de bênção ou aprovação divina. Compare, por exemplo, isso que Cristo disse à igreja materialmente rica com aquilo que ele disse à igreja materialmente pobre, de Esmirna:

 

Conheço as suas aflições e a sua pobreza; mas você é rico! Conheço a blasfêmia dos que se dizem judeus mas não são, sendo antes sinagoga de Satanás. Não tenha medo do que você está prestes a sofrer. Saibam que o diabo lançará alguns de vocês na prisão para prová-los, e vocês sofrerão perseguição durante dez dias. Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida” (Apocalipse 2:9-10)

 

O texto nos mostra duas coisas: primeiro, que é possível estar espiritualmente muito bem com Deus e mesmo assim passar por muitas aflições e sofrimento, como aqueles cristãos erminiotas passavam e ainda estariam por passar. Segundo, ele nos mostra que, embora a Igreja de Esmirna fosse materialmente pobre, ela era “rica”. Perceba o contraste com a Igreja de Laodiceia, que, embora fosse materialmente rica, era “pobre”. Deus estava simplesmente aplicando também à Igreja o princípio que Jesus disse sobre as bem-aventuranças aos pobres e os “ais” aos ricos.

 

Foi por isso que Jesus disse para o jovem rico se desfazer de suas riquezas:

 

“Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades. Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mateus 19:21-24)

 

Além disso, Cristo também disse que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus:

 

“E outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mateus 19:24)

 

Embora em momento nenhum nós vemos Jesus ensinando que podemos prosperar pelo evangelho, nós vemos várias vezes ele dizendo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo da agulha do que um rico no Reino de Deus (Mt.19:24), que é difícil entrar um rico no Reino dos céus (Mt.19:23) e para vender tudo e dar aos pobres, porque é somente desta maneira (se desfazendo das riquezas terrenas) que podemos herdar o “tesouro no céu” (Mt.19:21).

 

Convenhamos: se as riquezas fossem um sinal da bênção divina, então por que Jesus não fez aquele jovem ainda mais rico, mas, ao contrário, quis desfazer dele todas as suas riquezas? E por que Tiago diz exatamente o contrário daquilo que a teologia da prosperidade ensina, quando disse que Deus escolheu os pobres, e não os ricos?

 

“Ouvi, meus caríssimos irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres deste mundo para que fossem ricos na fé e herdeiros do Reino prometido por Deus aos que o amam?” (Tiago 2:5)

 

Os pregadores da prosperidade escolhem os ricos; já Deus, por outro lado, escolheu os pobres deste mundo, para que estes fossem ricos, não em dinheiro, mas em fé. Porque a verdadeira riqueza não consiste na quantidade de bens deste mundo, mas na fé que a pessoa tem em Cristo:

 

“Então lhes disse: Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens” (Lucas 11:5)

 

Se Deus quisesse que todos ficassem ricos ou se o evangelho oferecesse uma prosperidade financeira aos fieis em Cristo, então os crentes seriam os ricos, e não os pobres. Consequentemente, Deus teria escolhido pessoas “ricas em dinheiro”, e não os “pobres deste mundo”! São os pobres deste mundo – e não os ricos – que são os “ricos na fé” e “herdeiros do Reino” prometidos por Deus (Tg.2:5)! E não foi apenas para aquele jovem rico que Jesus disse tal coisa. Ele genericamente disse também:

 

“Vendei o que possuís e dai esmolas; fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus, aonde não chega o ladrão e a traça não o destrói. Pois onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração” (Lucas 12:33,34)

 

Portanto, a lição de Cristo para aquele jovem não é uma diferente em relação àquilo que ele tem a nos dizer para a “multidão”. Ele diz para vendermos o que possuímos e darmos esmolas, pois “onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lc.14:34). Isso significa que se você está querendo enriquecer ou se está cheio das riquezas, seu coração ali está. Mas se você se desfaz das riquezas e dá o dinheiro aos pobres (como Cristo disse), então o seu coração estará inteiramente focado no Pai. Esse conceito também é expresso em uma parábola, onde Jesus diz:

 

“Outrossim o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a” (Mateus 13:45-46)

 

Assim como aquele negociante abandonou tudo o que tinha para obter em troca essa pérola de grande valor, temos que negar todas as ostentações da carne que nos inclinam às riquezas, vivendo uma vida de abnegação, e tudo isso por aquilo que há de maior valor: o evangelho. Foi por isso que Jesus disse:

 

“Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará ao outro, ou se dedicará a um e desprezará ao outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro. Os fariseus, que amavam o dinheiro, ouviam tudo isso e zombavam de Jesus. Ele lhes disse: Vocês são os que se justificam a si mesmos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os corações de vocês. Aquilo que tem muito valor entre os homens é detestável aos olhos de Deus” (Lucas 16:13-15)

 

Aquilo que tem muito valor entre os homens- o dinheiro – é detestável aos olhos de Deus! Pelo contexto vemos que Jesus estava falando claramente com respeito ao dinheiro (vs. 13 e 14), sobre a insistência tola de alguns em servir “a Deus e ao Dinheiro” (v.13), e depois corrigindo os fariseus que “amavam o dinheiro” (v.14). Se o dinheiro é detestável aos olhos de Deus (pois tem muito valor entre os homens), então como é que ele iria querer que cada crente enriquecesse cada vez mais?

 

A não ser que Deus fosse um ser bipolar, que uma hora diz uma coisa e em outro momento diz outra, que uma hora diz que o dinheiro é detestável aos seus olhos e em outra hora prega uma “teologia da prosperidade” em que quer ver cada crente ganhar cada vez mais uma coisa detestável aos seus olhos! Como crer em algo assim?

 

A teologia da prosperidade, além de tudo, ainda desmerece os pobres. Pois, se os ricos da Igreja são aqueles que tiveram fé para prosperar, então os pobres da Igreja são logicamente aqueles que não têm fé suficiente, que estão no pecado, que não estão dizimando direito ou que estão abrindo “brechas” na vida deles. Isso é completamente o contrário daquilo que Jesus falou sobre os pobres aqui na terra:

 

“Olhando para os seus discípulos, ele disse: Bem-aventurados vocês os pobres, pois a vocês pertence o Reino de Deus. Bem-aventurados vocês, que agora têm fome, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados vocês, que agora choram, pois haverão de rir” (Lucas 6:20,21)

 

Ao invés de Jesus dizer que bem-aventurados seriam os ricos da “teologia da prosperidade”, ele diz que bem-aventurados seriam exatamente os pobres, que de acordo com os teólogos da prosperidade seriam exatamente aqueles que não fazem uso de sua fé e que por isso estão na miséria! Além disso, Jesus chama de bem-aventurados aqueles que agora passam fome, e não esses que tem comida em fartura. O contraste torna-se ainda mais nítido quando comparamos isso com aquilo que Cristo disse aos ricos:

 

"Mas ai de vocês, os ricos, pois já receberam sua consolação. Ai de vocês, que agora têm fartura, porque passarão fome. Ai de vocês, que agora riem, pois haverão de se lamentar e chorar" (Lucas 6:24,25)

 

Ao contrário do que Jesus disse aos pobres, quando a mensagem chega na parte dos ricos a conversa muda completamente. Ele passa a dizer que estes deveriam temer, lamentar e chorar, pois já receberam a sua consolação (sinal de que não receberão nenhuma consolação futura). Também diz que eles passarão fome futuramente (v.25). Tudo isso nos mostra que, nos ensinamentos de Jesus, o que é enfatizado é a bem-aventurança daqueles que são pobres nessa terra, jamais tendo dito que estes estão nessa posição por falta de fé, ou que deveriam ser ricos através de uma teologia de prosperidade financeira.

 

Ao contrário da teologia da prosperidade, que quer enriquecer as pessoas nesta terra, Cristo quer nos apontar sempre o caminho da eternidade, abrindo mão dos bens e prazeres desta vida para ganhar uma posse muito maior, uma “herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós nos céus” (1Pe.1:4). Nos céus, e não na Terra!

 

Se os crentes tivessem que enriquecer por meio do evangelho, então o quadro seria precisamente o inverso. Os pobres seriam aqueles que não fazem uso da fé e do chamado “pensamento positivo”, e os ricos seriam aqueles que seguiram corretamente o evangelho, sendo elogiados por Cristo em função disso.

 

É óbvio que tal quadro está longe de ser realidade, pelo simples fato de que Jesus repudiava absolutamente essa heresia que mais devasta e assola o meio evangélico nos nossos dias. Alguns pastores dos dias de hoje estão querendo tirar o povo a qualquer custo do primeiro grupo (dos pobres) para trazer ao segundo grupo (dos ricos). Eles só esquecem de avisar que junto a isso eles transferem também a bem-aventurança de Cristo aos pobres, para fazer parte das ameaças ditas aos ricos.

 

 

Analisando as passagens utilizadas pelos pregadores da prosperidade

 

Mas como toda heresia tem os seus versículos bíblicos isolados e tirados fora do seu contexto, com a teologia da prosperidade não poderia ser diferente. Os “teólogos” da prosperidade sempre arrumam um jeito de incluir meia dúzia de interpretações deturpadas em versos isolados do Antigo Testamento para fundamentar seus falsos ensinos. A tática mais famosa é pegar o exemplo de Abraão, que foi um homem rico. Eles só se esquecem de mencionar que Abraão já era rico antes de conhecer a Deus, ele não se “tornou” rico por Deus.

 

Eles também citam reis israelitas, como Davi e Salomão, mas se esquecem de mencionar que todos os reis israelitas eram ricos, pela simples razão de que eles eram reis! Da mesma forma que todo Presidente da República hoje em dia é rico – independentemente se é cristão ou não – igualmente todo rei da antiguidade tinha riquezas, pois o homem mais rico de Israel sempre era o rei, não importa se ele era obediente a Deus ou não. Uma simples leitura nas páginas do AT nos mostra que até os reis ímpios de Israel eram ricos.

 

Finalmente, o fato de haver um personagem bíblico rico não significa que Deus vai fazer todos ricos, da mesma forma que haver personagens bíblicos pobres não significa que Deus vai fazer todos pobres. Um princípio geral deve ser pautado por uma regra geral, e não há uma única regra geral em toda a Bíblia que afirme que todos os crentes deverão ser prósperos financeiramente. Pegar um exemplo isolado de um indivíduo em particular e pautar isso como regra geral para todos os indivíduos é aleijar a exegese. Tal método pode enganar incautos, mas não eruditos.

 

E mesmo se o AT apresentasse como regra geral a prosperidade para quem busca a Deus, isso não significa que nós deveríamos prosperar se fizéssemos o mesmo. Por quê? Porque nós estamos no tempo da graça, na Nova Aliança, no Novo Testamento, e não no Antigo. Nós não estamos mais no Antigo Pacto, não vivemos sob a Lei Mosaica de Moisés, não somos judeus das doze tribos de Israel, há que entender essa enorme diferença entre uma coisa e outra. O pacto que Deus fez com os israelitas na Antiga Aliança é uma coisa; o pacto que Deus fez com a Igreja na Nova Aliança é outra muito diferente.

 

É por essa razão que hoje nós não praticamos a circuncisão no oitavo dia de nascimento dos nossos filhos, é por isso que não sacrificamos cordeiros pelos nossos pecados, é por isso que a maioria das igrejas evangélicas não guarda o sábado, é por isso que nós não comemoramos o ano do Jubileu, é por isso que nós não temos cidades de refúgio, é por isso que nós não matamos alguém que é homossexual ou que não guarda o sábado como mandava a Lei, é por isso que nós não temos que nos lavar sete vezes no rio se cometemos alguma impureza e é por isso que nós não estamos mais sujeitos às leis cerimoniais dos judeus do Antigo Pacto.

 

Em outras palavras: se quisermos ver aquilo do Antigo Testamento que continua valendo para nós hoje, nós temos que consultar o Novo Testamento, que fala sobre o Novo Pacto, sobre a Nova Aliança. Esse sim se aplica à Igreja, e não aos judeus, e que se aplica ao tempo da graça, e não ao período veterotestamentário. É por isso que nas páginas do Novo Testamento não encontramos nada sobre teologia da prosperidade, porque mudou-se o Pacto, mudaram-se as regras do jogo. Cristo é o fim da Lei para a justificação de todo aquele que crê (Rm.10:4). E nessa Nova Aliança não há nenhuma promessa de prosperidade para ninguém, nem mesmo condicional!

 

O pastor John Piper corretamente acentua:

 

“Uma das principais diferenças entre essas duas épocas é que, no Antigo Testamento, Deus glorificou amplamente a si mesmo ao abençoar Israel, de modo que as nações pudessem ver e saber que o Senhor é Deus… O padrão no Antigo Testamento é uma religião venha-ver… O Novo Testamento não apresenta uma religião venha-ver, mas uma religião vá-anunciar… Então, se um pregador da prosperidade me questiona sobre as promessas de riqueza para pessoas fieis no Antigo Testamento, minha resposta é: leia seu Novo Testamento com cuidado e veja se você encontra a mesma ênfase. Você não irá encontrar. E a razão é que as coisas mudaram dramaticamente”[2]

 

E ele explica:

 

“Israel não foi enviada como uma ‘Grande Comissão’ para ajuntar as nações; pelo contrário, ela foi glorificada para que as nações vissem sua grandeza e viessem a ela. Então, quando Salomão construiu o templo do Senhor, foi espetacularmente abundante em revestimentos de ouro... Então, quando tudo estava construído, o nível de sua opulência é visto em 1Reis 10, quando a rainha de Sabá, representando as nações gentias, vai ver a glória da casa de Deus e de Salomão. Quando ela viu, ‘ficou como fora de si’(1Reis 10:5). Ela disse: ‘Bendito seja o Senhor, teu Deus, que se agradou de ti para te colocar no trono de Israel; é porque o Senhor ama a Israel para sempre, que te constituiu rei’ (1Reis 10:9)… Com a vinda de Cristo tudo isso mudou… O Novo Testamento não apresenta uma religião venha-ver, mas uma religião vá-anunciar. ‘Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século’ (Mateus 28:18-20)”[3]

 

É por isso que não podemos confundir o Antigo com o Novo Pacto, pois os dois são duas regras diferentes para um mesmo jogo. Assim como se você deixar o Brasil e for à China você estará sujeito às leis deles, que podem diferir em muita coisa das leis daqui do Brasil, também o Novo Pacto tem vários pontos que o distinguem do Antigo Pacto.

 

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Se pegar um verso isolado de uma promessa individual na Nova Aliança para aplicar a um conceito geral dentro do mesmo Pacto já é absurdo (pois promessas individuais valem apenas para a própria pessoa que a recebe, enquanto promessas gerais se aplicam a todos indistintamente), quanto mais absurda é a ideia de se tomar uma promessa individual do Antigo Pacto e se aplicar como regra geral do Novo Pacto!

 

O sofrimento na Nova Aliança não era apenas um princípio individual para uma ou outra pessoa em específico, mas uma regra geral. Foi por isso que Paulo disse que todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm.3:12), e, falando para toda a Igreja e aplicando o plural, diz que “é necessário passarmos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus” (At.14:22). Já acompanhamos muitas outras passagens nos capítulos anteriores, que provam de maneira clara que é o sofrimento – e não a prosperidade – a regra geral no Novo Pacto, em que estamos inseridos.

 

Mas os teólogos do outro evangelho não desistem. Tentando dar uma “carinha cristã” às suas falsas doutrinas, eles apelam a alguns textos neotestamentários, em especial ao de Marcos 10:29-30, que diz:

 

“Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, ou campos, por causa de mim e do evangelho, deixará de receber cem vezes mais já no tempo presente casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, e com eles perseguição; e, na era futura, a vida eterna” (Marcos 10:29-30)

 

Com isso, alguns hereges como Oral Roberts, Essek Kenyon e Kenneth Hagin inventaram que quem doasse ao ministério deles iria receber cem vezes mais (dinheiro) em troca. Eles fingem que não conseguem perceber o óbvio: que essa passagem não está em sentido literal, mas alegórica (espiritual), pois também fala de receber cem vezes mais irmãos e mães, e até hoje eu não vi um único pregador da prosperidade que possua cem mães ou cem irmãos literais!

 

Portanto, Marcos 10:29-30 não chega nem perto de pautar alguma multiplicação matemática e literal de dinheiro, da mesma forma que não multiplica literalmente as mães e os irmãos. Jesus não estava falando de receber cem vezes mais dinheiro – o que crente nenhum já conseguiu através da fé, a não ser os pregadores da prosperidade enganando os humildes leigos – mas sim de fraternidade.

 

Teremos mais campos porque, em Cristo, tudo o que é dos outros irmãos também é nosso, e tudo o que é nosso também é dos nossos irmãos. Isso pode ser difícil de se imaginar em nossos dias, mas era muito fácil de se entender naquela época, quando a Igreja primitiva assimilou essas palavras de Cristo e colocou exatamente isso em prática, dividindo tudo uns com os outros (At.4:35), de modo que “ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham” (At.4:32).

 

Da mesma forma, haveria uma “multiplicação de familiares” porque os cristãos se consideravam irmãos uns dos outros, em sentido espiritual, logicamente. Impressiona que tenha tanta gente que seja tão facilmente enganada com textos como esse, mal interpretados propositalmente por falsos profetas que buscaram entesourar nesta terra, vendendo o evangelho e lucrando com ele.

 

Outros pregadores da prosperidade fazem menção ao texto de João 14:14, em que Jesus diz:

 

“O que vocês pedirem em meu nome, eu farei” (João 14:14)

 

Então, para eles, se você pedir (ou mandar, exigir, determinar, decretar e tomar posse da bênção) dinheiro a Deus, Ele dará dinheiro! De fato, foi isso o que disse Kenneth Hagin, um dos maiores hereges modernos da prosperidade:

 

“E você sabe o que vai acontecer agora? Vou contar-lhe um segredo. Alguém vai me dar 50 mil dólares. Porque você pode ter aquilo que diz”[4]

 

É lógico que Cristo não estava se referindo a bens materiais para enriquecimento próprio, nem tampouco estava dizendo que qualquer coisa seria dada a quem pedisse. Por exemplo, se alguém pedir para se tornar Deus, certamente não será atendido, nem isso é possível. Se alguém orar para que o Sol deixe de existir amanhã, ele acordará no dia seguinte e o Sol continuará ali.

 

Se alguém pedir 1 trilhão de dólares, poderá esperar sentado a vida inteira que jamais chegará a alcançar essa quantia. Se alguém orar com muita fé para ganhar sempre na Mega Senna em todas as semanas, duvido muito que chegue a ganhar uma única vez. Milhares de exemplos poderiam ser passados para mostrar o óbvio: Deus não atende qualquer coisa.

 

Mas por que não? Porque há um princípio implícito dentro de todos os textos que falam sobre ter aquilo que pede, que é a condição de aquilo ser da vontade de Deus. Foi por isso que João, ao citar a mesma coisa que Cristo disse, expôs esse princípio básico como a condição necessária para se obter aquilo que pede a Deus:

 

“Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve. E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos” (1ª João 5:14-15)

 

Então, a pergunta que deve ser feita é: Deus atende a oração de quem pede riquezas? Tiago responde a essa pergunta:

 

“Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres” (Tiago 4:3)

 

Ou seja: aquilo que é para gastar consigo mesmo, para os seus próprios prazeres, é um motivo errado, que Deus não atende. Quem ora pedindo riquezas quer exatamente isso: lucrar para obter algum bem material para o seu próprio prazer, enquanto há milhões de pessoas que estão necessitadas e passando fome neste exato momento. Os cristãos que enriquecem não enriquecem porque Deus os levou a este fim, mas por razões naturais dentro do mundo dos negócios.

 

O homem mais rico do mundo, Bill Gates, é ateu. Certamente ele não fez uma oração a Deus pedindo prosperidade. Muitos outros dos mais ricos são os sheiks muçulmanos, que não são cristãos. Da mesma forma que eles, é possível um crente ser rico, como o bilionário Edir Macedo, lucrando à custa dos pobres fieis, praticando extorsão e lucrando com um canal de televisão que passa violência e promiscuidade o dia inteiro – mas nada indica que foi Deus que o prosperou.

 

Por fim, eles costumam distorcer o sentido de uma outra passagem bíblica, que diz:

 

“Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos” (2ª Coríntios 8:9)

 

Com isso, eles creem que Paulo estava dizendo que a razão de Jesus ter se tornado pobre foi para nos tornar ricos materialmente aqui nesta terra. Nunca vi uma exegese tão pobre em toda a vida. Em primeiro lugar, em lugar nenhum do texto está dizendo que essa riqueza é material ou que consiste em bens materiais; e, em segundo lugar, em parte nenhuma o texto diz que essa riqueza é uma posse terrena, e não celestial.

 

Paulo estava traçando um contraste entre Jesus e nós. Ele intercambiavelmente faz comparações entre o mundo espiritual e material, o que é pouco discernido por muitos. Vamos passo a passo ver o que Paulo estava dizendo neste verso, parafraseando-o:

 

1. “...Cristo, sendo rico” – riqueza espiritual, celestial.

2. “...se fez pobre” – pobreza material, terrena.

3. Para que nós, “por meio de sua pobreza...” – pobreza material, terrena.

4. Tornemos-nos “ricos” – riqueza espiritual, celestial.

 

O apóstolo Paulo estava simplesmente traçando uma analogia onde ele mostra que Cristo “trocou de lugar conosco”. Ele era “rico” (no Céu), mas se fez “pobre” (na Terra). Então, os cristãos (que são pobres) podem tornar-se ricos (no Céu). Se essa riqueza fosse algo terreno e material, então além de toda a analogia de Paulo entre nós e Cristo ir para o espaço, também deveríamos pensar que os coríntios (a quem ele escrevia) eram ricos.

 

Porém, como já vimos, as comunidades cristãs, incluindo a de Corinto, eram pobres (2Co.8:2; Rm.15:26). Como é que Paulo pôde ter dito que Jesus nos fez ricos nesta terra se as pessoas a quem ele escrevia eram pobres? E como é que o próprio Paulo, que fundou a Igreja de Corinto, poderia ser pobre (1Co.4:11-13), se supostamente Cristo morreu para que nós fôssemos ricos? Há uma enorme contradição de termos na teologia da prosperidade.

 

Além disso, nós vemos que essa “riqueza” que ele fala acerca de Cristo é a que nós iremos possuir também, e a riqueza de Cristo diz respeito a uma riqueza celestial. Assim, seguindo esta mesma lógica, a riqueza que nós possuiremos é a mesma de Cristo (a espiritual, e não terrena). Ele está dizendo que nós seremos ricos como Cristo. Mas em que sentido que Cristo era rico? Na terra? Não, no Céu!

 

Portanto, o que Paulo está apontando neste verso específico não é nada contraditório àquilo que ele sempre afirmava em suas epístolas, que nós somos “pobres” (1Co.4:11-13), mas herdaremos uma recompensa incorruptível e gloriosa no futuro, quando Jesus voltar (Fp.3:20,21). Quando isso acontecer, o quadro que Paulo descreve em 2ª Coríntios 8:9 se completa: Cristo volta e nós subimos, para sermos ricos como ele.

 

É óbvio que Paulo estava falando de riquezas celestiais, concordando com aquilo que Jesus Cristo afirmou:

 

“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mateus 6:19-21)

 

Se Cristo veio para nos tornar ricos em matéria de dinheiro para esta vida, então por que ele foi afirmar justamente para “não ajuntarmos tesouros [riquezas] na terra”? A resposta é óbvia: porque a nossa riqueza não está na terra, mas no Céu, a nossa pátria. Portanto, o que Paulo diz em 2ª Coríntios 8:9 é essencialmente o mesmo daquilo que Jesus afirma em Mateus 6:19-21 – que não devemos ajuntar riquezas terrenas, mas entesourar (por meio da fé) “tesouros” (espirituais) para a vida futura (a vida eterna), onde seremos “ricos”.

 

Nada, em absolutamente lugar nenhum, faz pensar que Jesus ou Paulo queria que nós ajuntássemos riquezas na terra ou que Cristo deu a sua vida por nós para que tivéssemos dinheiro nesta vida! Esta interpretação é uma blasfêmia contra a obra de Cristo na cruz, que em nada tem a ver com o dinheiro, que o próprio Jesus afirma para se desfazer e dar aos pobres (Lc.12:33,34)!

 

Paulo até mesmo chega a chamar os pretensos teólogos da prosperidade de “orgulhosos” que “nada entendem”, porque “possuem a mente corrompida”:

 

“Se alguém ensina falsas doutrinas e não concorda com a sã doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino que é segundo a piedade, é orgulhoso e nada entende. Esse tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas e atritos constantes entre pessoas que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais pensam que a piedade é fonte de lucro. De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos. Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos” (1ª Timóteo 6:3-10)

 

Por incrível que pareça, já existiam pregadores da prosperidade nos tempos de Paulo, pessoas que achavam que o evangelho era fonte de lucro, que desejavam ficar ricas, que cobiçavam o dinheiro. O que Paulo responde a tais pregadores? Ao invés de ensinar alguma teologia da prosperidade, em que realmente é possível sair lucrando com o evangelho, ele diz exatamente o contrário: que nós nada trouxemos para este mundo e que dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir já devemos estar satisfeitos.

 

O autor de Hebreus disse o mesmo:

 

“Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm, porque Deus mesmo disse: ‘Nunca o deixarei, nunca o abandonarei’” (Hebreus 13:5)

 

Ele escrevia em uma época em que os hebreus passavam por tanta fome que era necessário que as outras igrejas também pobres fizessem doações a eles (2Co.8:2; Rm.15:26), e, ainda por cima, estavam passando por tribulações (Hb.10:32,33), mas mesmo assim ele não diz para buscarem a prosperidade, mas para se contentarem com aquilo que eles tinham, mesmo sendo tão pouco.

 

Mas os teólogos da prosperidade não ficam satisfeitos somente com as necessidades básicas do ser humano – ter o que comer e com que vestir –, eles querem mais: querem riquezas, querem tudo do bom e do melhor, querem o melhor carro, a melhor casa e diversos itens que vão muito além do mais básico para a sobrevivência. Eles são exatamente o oposto do que Paulo era e pensava. Para o apóstolo, tais pregadores da prosperidade de seus dias acabavam caindo na ruína e na destruição espiritual, desviando-se da fé e se atormentando com muitos sofrimentos.

 

Os teólogos da prosperidade se baseiam no texto de Lucas 12:31 para dizer que, se formos fieis a Deus, todas as coisas nos serão acrescentadas. Com isso, eles pretendem incluir toda a prosperidade financeira, riquezas, carros, mansões, iates, jatinhos e outros bens materiais. Afinal, “tudo é tudo”. A esperteza dos falsos profetas em cima deste texto é tamanha que uma única palavra que eles omitem é o suficiente para refutar toda a manipulação deles:

 

“Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Lucas 12:31)

 

O que eles omitem neste texto é que Jesus não disse que “todas as coisas” nos serão acrescentadas, mas “todas estas coisas”, ou seja: um conjunto específico de coisas que já haviam sido ditas naquele texto. E quais são essas coisas? Para descobrirmos isso basta fazermos aquilo que nenhum pregador da prosperidade faz: contextualizar o texto. Vejamos:

 

“Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Porque as nações do mundo buscam todas estas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Lucas 12:29-31)

 

Contextualizando a passagem, vemos que “estas coisas” que o texto se refere dizem respeito a necessidades básicas de sobrevivência, quanto a comer e beber. Nada tem nada a ver com algo que vai além daquilo que é o suficiente para viver. Portanto, Jesus estava nesta ocasião dizendo o mesmo que Paulo se expressou no texto que anteriormente vimos: que tendo o que comer, beber e se vestir, estejamos com isso satisfeitos. Não busquemos além. Não desejemos a “prosperidade”, mas a suficiência, se for da vontade de Deus. Pois os que querem prosperar (ficar ricos) “caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição” (1Tm.6:9).

 

“Mas Jesus disse que ele veio para nos dar vida e vida em abundância”, alguém vai alegar. Sim, é verdade, mas o que é abundância no conceito bíblico? Se essa abundância de vida é a prosperidade financeira, então nem Jesus era abundante, pois já vimos em vários textos bíblicos que ele era pobre. Então como é que Jesus nos iria dar uma abundância que nem ele próprio possuiu enquanto homem? Não há qualquer sentido nisso.

 

Ademais, se essa abundância diz respeito ao dinheiro ou também inclui dinheiro, então ela ficou faltando para Paulo e os demais apóstolos e comunidades cristãs da época, pois também já vimos que eles viviam na simplicidade, para não dizer pobreza. Será que os primeiros cristãos não desfrutaram da abundância que Cristo disse, nem nenhum crente pobre desfruta dela hoje, que somente é compartilhada pelos cristãos ricos? Também não faz sentido.

 

Mas se essa abundância de vida não se refere nem incluiu o dinheiro, então a que diz respeito? Deixemos que o próprio Senhor Jesus responda a esta questão:

 

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27)

 

Essa “abundância” de que Cristo fala trata-se da paz interior que aqueles que estão em Cristo sentem por viver uma vida de santidade em amor a Deus. Elas são preenchidas interiormente, não com riquezas ou ostentação de bens, mas com uma satisfação interior, uma paz que Cristo nos dá, o Espírito Santo da nossa consolação que é a garantia da nossa redenção até o dia da volta do Nosso Senhor (2Co.5:5). Essa “paz interior” não tem nada a ver com dinheiro, pois dinheiro não traz felicidade! Ele pode trazer uma falsa ilusão de felicidade (a “paz que o mundo dá”), mas não a verdadeira felicidade.

 

É por isso que os países mais ricos e desenvolvimentos do mundo (como a Suécia e Noruega) “misteriosamente” também são os mesmos que mais tem casos de suicídio. Por que eles se suicidam tanto? Simplesmente porque eles não têm a verdadeira paz (a paz de Cristo). Eles têm é uma ilusão de paz, a paz que o mundo dá, que consiste nas riquezas terrenas, e que levam o homem à perdição. Note que Cristo faz uma forte antítese entre a paz que ele concede (paz interior) com a paz que o mundo concede (riquezas).

 

Se a paz de Cristo também consistisse em riquezas, então ele não faria tal distinção, dizendo que “a minha paz vos dou, não a dou como o mundo a dá”. O mundo oferece riquezas, bens materiais, “tesouros” como sendo a fonte dessa paz. Cristo, ao contrário, nos oferece uma paz diferente, porém muito mais significativa: uma paz interior, a santidade, a redenção pelo Espírito. E é essa a esperança dos cristãos, essa é a “vida em abundância” que Cristo diz.

 

 

 

Teologia da Prosperidade: o atalho fácil que conduz à perdição – o “caminho espaçoso” (Mt.7:13)

 

“E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23)

 

Não existe o "morrer para si mesmo" (Lc.9:23) na teologia da prosperidade, mas somente uma vida de riquezas e bens materiais. Paulo, porém, disse:

 

“Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro” (Romanos 8:36)

 

“Declaro, irmãos, pelo regozijo que tenho a vosso respeito em Cristo Jesus nosso Senhor, que morro todos os dias” (1 Coríntios 15:31)

 

O ensino de que Deus quer que sejamos ricos gera, além de cristãos materialistas, uma verdadeira apatia à “morte” descrita no evangelho. Como alguém com um excepcional carro, mansão, dinheiro de sobra e bens materiais superabundantes pode morrer todos os dias? Esse estilo de vida está muito longe de ser a morte que Paulo fala, o “morrer para si mesmo” que Cristo diz! Negar a si mesmo e morrer para a sua própria vida certamente não condiz com a posição de algum pregador da prosperidade.

 

É somente com a morte que Cristo produz vida. Como Paulo disse, “o que você semeia não nasce a não ser que morra” (1Co.15:36). Se você vive luxuosamente e não morre para esta vida, não pode ganhar a próxima. A vida cristã não é feita de uma porta larga e um caminho amplo, mas de uma “porta estreita” (Lc.13:24) e de um “caminho estreito” (Lc.13:24). O evangelho da prosperidade é exatamente o oposto disso: é o caminho amplo, que leva muitos à perdição.

 

Não adianta apenas entrar pela porta estreita, tem que se seguir o caminho estreito! Uma vida cheia de riquezas e bens materiais, longe de ser a negação de si mesmo, está muito mais para o caminho amplo, em direto contraste com aqueles que negam a si mesmos, tomam a sua própria cruz e seguem o caminho apertado, abrem mão de riquezas e bens materiais, tornam-se dignos de lástima por amor a Cristo, pois sabem que possuem bens superiores esperando-os na Jerusalém Celestial.

 

A teologia da prosperidade, querendo ser a “arca de Noé” que oferece algo que é atraente aos olhos de quem está em dívidas e quer se refugiar nela, na verdade acaba sendo o próprio dilúvio. Ela é a porta larga, ela é o caminho amplo. É por ela que se passa aqueles que procuram o atalho: uma vida em que tomar a sua cruz não é tão necessário assim, pois é mais fácil tomar o seu carro de uma última geração e ter o seu bolso cheio do que caminhar pela Via Dolorosa.

 

É por essas e outras que a teologia da prosperidade não pode ser aceita por nenhum cristão sério que tenha prazer na verdade, que queira realmente seguir o caminho estreito, antes que os atalhos que a vida nos oferece. Esses atalhos parecem melhores e menos dolorosos para se chegar a Deus. Eles parecem nos indicar que podemos ganhar tanto esta vida como a próxima, fazendo-nos pensar que podemos ser muito ricos e mesmo assim entrarmos no Reino dos céus, como um típico e verdadeiro atalho que é.

 

A vida que Cristo nos propõe não é essa. Ele diz que é mais fácil passar um camelo no fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus, para mostrar como que o caminho das riquezas não passa de um atalho que desvia o verdadeiro cristão da verdadeira fé. É somente seguindo o caminho estreito – uma vida de tribulações e sofrimentos, abrindo mão daquilo que lhe é mais do que o suficiente – que podemos adentrar os portões celestiais, sabendo que não tomamos nenhum atalho ou caminho fácil, mas somente aquele prometido por Nosso Senhor Jesus Cristo e pelos apóstolos dele: o caminho das tribulações e da negação própria.

 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

 

Por Cristo e por Seu Reino,

Lucas Banzoli (www.lucasbanzoli.com)

 



[1] Lula em discurso em Salvador/BA, em 21/07/2011. Disponível em: < http://oglobo.globo.com/politica/lula-chama-de-bobagem-passagem-biblica-que-promete-paraiso-para-os-pobres-2712921>. Acesso em: 18/11/2013.

[2] John Piper, Aos Pregadores da Prosperidade, Capítulo 10, “Ensine-os o Ide”.

[3] ibid.

[4] HAGIN, Kenneth Erwin. Fé que move montanhas, p. 21.

 

 

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