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O DOM DE LÍNGUAS – UMA ANÁLISE DE 1ª CORÍNTIOS 14
O DOM DE LÍNGUAS – UMA ANÁLISE DE 1ª CORÍNTIOS 14

 

Primeiramente, quero esclarecer que não sou nem pentecostal nem tradicional. Como disse na parte do "Quem sou eu" do site, não me defino nem como pentecostal nem como tradicional, pois há doutrinas que concordo com os pentecostais e discordo dos tradicionais, assim como há doutrinas que concordo com os tradicionais e discordo dos pentecostais – e há doutrinas que eu discordo dos dois. O que eu creio, eu não creio por seguir certo credo ou tradição denominacional, mas por seguir as evidências dos dados bíblicos, independentemente de para qual dos lados as evidências irão apontar.

 

Embora o assunto dos dons seja muito polêmico, eu não creio que a Bíblia seja evasiva a este respeito. Não deveria ser um ponto tão polêmico, tendo em vista a clareza das Escrituras. O ensinamento bíblico, se for seguido à risca, contraria tanto os tradicionais como os pentecostais neste quesito. A maior parte dos tradicionais são cessacionistas (creem na cessação dos dons espirituais), e mesmo entre os que não são cessacionistas, muitos não creem no dom de línguas como os pentecostais creem. A Bíblia, porém, ensina a contemporaneidade dos dons espirituais e também a existência do dom de línguas como línguas celestiais.

 

Por outro lado, embora os pentecostais acertem na teoria, eles falham na prática. Quase nenhuma igreja pentecostal segue realmente as restrições de Paulo exigidas em 1ª Coríntios 14, sobre só falar em línguas na igreja se tiver intérprete, sobre só falar no máximo três e um de cada vez. No pentecostalismo, todos falam em línguas ao mesmo tempo, de forma desorganizada e sem levar a sério nada do que o apóstolo falou aos coríntios. Na verdade, eles são exatamente como aqueles coríntios eram. Isso é triste, mas é a verdade. Não há como negar. Infelizmente, em 99% das igrejas, a regra que predomina é 8 ou 80. Difícil encontrar um meio-termo, um equilíbrio bíblico. É por isso que eu não me defino como tradicional ou pentecostal. 

 

 

A CONTEMPORANEIDADE DOS DONS

 

O primeiro ponto que precisamos observar em nosso estudo é se os dons continuam existindo nos dias de hoje ou se eles chegaram ao fim. Uma mesma passagem bíblica é usada tanto por ambos os lados para provar o seu ponto – 1ª Coríntios 13:8, que diz:

 

“O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará” (1ª Coríntios 13:8)

 

Os cessacionistas logo observam que a passagem deixa claro que os dons cessariam no futuro. É verdade. Porém, eles ignoram o ponto-chave da questão, que é quando esses dons cessariam. O apóstolo não deixou essa questão em aberto. Ele a respondeu logo em seguida, dizendo:

 

“Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos; quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido” (1ª Coríntios 13:9-12)

 

O contexto deixa claro que o “quando” da questão se refere à volta de Jesus, quando vier o que é perfeito (Cristo). O contexto deixa essa interpretação patente: fala sobre vê-lo “face a face” (v.12) e sobre conhecê-lo “plenamente” (v.12). Nós não estamos vendo Deus face a face hoje. Nós não o conhecemos plenamente hoje. Muitas questões ainda permanecem como “sombra” hoje, como um “espelho”. Essas promessas se referem a um evento futuro, quando “o imperfeito desaparecerá” (v.10). Lendo o Apocalipse, vemos que o imperfeito só desaparece depois da volta de Jesus, quando “ele enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap.21:4). Estamos vivendo isso nos dias de hoje? Não. É um acontecimento futuro.

 

Ainda que os cessacionistas afirmem que essa passagem se refere à “conclusão do cânon bíblico” (que eles atribuem ao início do século V, após os concílios de Hipona e Cartago), tal ideia não tem base nem contextualmente nem historicamente. O imperfeito não desapareceu no início do século V. Também não houve um concílio único que delimitou toda a extensão do cânon universalmente. Hipona e Cartago eram sínodos locais, e não ecumênicos (universais). Diversos Pais da Igreja e doutores da Igreja de séculos posteriores rejeitaram alguns livros aceitos em Hipona e Cartago. Hipona e Cartago também aceitaram em seu cânon um livro apócrifo de 1ª Esdras (=3ª Esdras na Septuaginta), que nem católicos nem evangélicos aceitam hoje. Eles não colocaram um “ponto final” na questão.

 

Se a Igreja tivesse chegado à perfeição depois do século V, não existiriam dúvidas sobre nenhuma doutrina, nem divergências sobre nada. Se tudo já estivesse “perfeito”, como o texto bíblico diz, então vivemos em outro mundo, um mundo surreal, em algum universo paralelo. Não, Paulo não estava falando do “encerramento do cânon bíblico”. Ele estava se referindo claramente à volta de Jesus. Na eternidade, sim, a Igreja será perfeita e não haverá dúvidas sobre nada. Tudo aquilo que para nós ainda é um “reflexo obscuro”, ali será a “realidade”, quando conheceremos tudo plenamente. Foi assim também que os Pais da Igreja entenderam este verso. Pedro Crisólogo (406-451), por exemplo, escreveu:

 

“Quanto às palavras ‘até que tudo tenha levedado’, dizem respeito ao que diz o apóstolo Paulo: ‘Imperfeita é a nossa ciência, imperfeita também a nossa profecia. Quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito’ (1 Co 13,9). O conhecimento de Deus está agora na massa: espalha-se nos sentidos, enche os corações, aumenta as inteligências e, tal como todo o ensinamento, alarga-os, eleva-os e desenvolve-os até às dimensões da sabedoria celeste. Tudo será levedado em breve. Quando? Na segunda vinda de Cristo (Sermão 99)

 

Portanto, o momento em que os dons espirituais cessarão é na segunda vinda de Cristo, e não em algum momento no passado. Paulo deixa isso ainda mais claro quando escreve aos romanos:

 

“Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29)

 

Os dons de Deus são irrevogáveis. Enquanto existir este Céu e esta terra, nenhum dom concedido por Ele terá um fim. O cessacionista que afirma que textos como 1ª Coríntios 13:9-12 implicam na inexistência dos dons a partir do século V também teria que ser honesto e empregar a mesma lógica para a cessação dos dons ministeriais (como pastor e evangelista), porque Paulo disse:

 

“Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo (Efésios 4:11-13)

 

O que Paulo escreve aqui é semelhante ao que ele escreveu aos coríntios. Ele cita os dons – desta vez os ministeriais – e diz que eles existirão até que todos alcancemos a plenitude. É notavelmente semelhante à linguagem que ele expressa quanto aos dons espirituais no outro texto, onde ele diz que o dom de línguas e o de profecia existiriam até que chegasse a plenitude, quando chegar o que é perfeito, quando ele conhecer plenamente.

 

Portanto, se alguém crê na cessação dos dons espirituais por causa de 1ª Coríntios 13:9-12, deveria crer também (se seguisse sua própria lógica) na cessação dos dons ministeriais de Efésios 4:11-13. Os textos empregam a mesma linguagem e falam da mesma coisa. Interpretar um como falando do cânon bíblico e outro como falando da volta de Jesus é manipulação e desonestidade intelectual. Mas, se o dom de línguas não cessou, então ele permanece existindo. Mas como? Seria como algo visto no meio pentecostal? Iremos abordar isso a seguir.

 

 

DOM DE LÍNGUAS: TERRENAS OU CELESTIAIS?

 

Os cessacionistas em geral afirmam que o dom de línguas serviu apenas para aquela era apostólica e que teve como única finalidade a pregação em língua estrangeira para um estrangeiro. Por exemplo: eu falo português, mas quero evangelizar a Itália, então viajo à Itália, mas para pregar aos italianos teria que saber falar em italiano. Então, para poupar tempo de estudo até conseguir aprender a língua, Deus dá o dom de falar em italiano e eu posso pregar ao italiano. A língua é, então, uma língua terrena, e não uma língua “celestial” (por “celestial” entende-se uma língua não criada pelos homens).

 

Este conceito já começa problemático, porque nenhum dom de Deus pode ser adquirido de forma natural. Se o dom de línguas é isso mesmo o que eles imaginam que seja, então qualquer um poderia aprender naturalmente, estudando o idioma durante alguns anos. Deus teria dado um dom que não seria mais do que os ímpios já praticam através do estudo. Mas da mesma forma que seria ridículo se disséssemos que é possível estudar profecia e se tornar profeta, é absurdo que um estudo natural de idiomas terrenos faça o mesmo que Deus faz através de um dom. Dons de Deus são dádivas dele que o homem de modo algum conseguiria por seus próprios meios.

 

Mas para entendermos biblicamente que tipo de “língua” que Paulo se referia, temos que recorrer a seu texto mais famoso sobre o tema, o de 1ª Coríntios 14. A comunidade de Corinto tinha um problema, e esse problema não era que eles não falavam em línguas, e sim que eles falavam demais, de forma desorganizada e banalizada dentro da igreja. Os cultos estavam virando uma bagunça (já vi isso em algum lugar) e Paulo teve que intervir com uma mensagem dura que lhes fizesse usar o dom de forma regular e equilibrada dentro da igreja. Ele disse:

 

“Sigam o caminho do amor e busquem com dedicação os dons espirituais, principalmente o dom de profecia. Pois quem fala em língua não fala aos homens, mas a Deus. De fato, ninguém o entende; em espírito fala mistérios. Mas quem profetiza o faz para a edificação, encorajamento e consolação dos homens. Quem fala em língua a si mesmo se edifica, mas quem profetiza edifica a igreja” (1ª Coríntios 14:1-4)

 

Paulo começa dizendo que o dom de profecia é maior que o dom de línguas, e explica a razão: o dom de profecia serve para edificação coletiva, enquanto o dom de línguas serve apenas para edificação pessoal. Aqui ele dá um xeque-mate naqueles que pensam que o dom de línguas se referia a meras línguas terrenas, pois Paulo traça um contraste entre o dom de línguas e o de profecia. Ele diz que o que profetiza fala aos homens, mas o que fala em línguas não fala aos homens, mas a Deus. Seria absurdo e falso se ele estivesse se referindo ao ato de pregar o evangelho a um estrangeiro na língua do estrangeiro, pois ele estaria falando aos homens.

 

Mas Paulo diz que o que fala em línguas não fala aos homens. Como ele pode dizer que o que fala em línguas não fala aos homens, se o dom de línguas se refere exatamente ao ato de pregação a homens em língua humana? Se eu prego o evangelho em japonês para um japonês, eu não estaria falando a um homem? Sim, estaria. Da mesma forma que o dom de profecia é uma fala aos homens, o dom de línguas também seria, se fosse línguas humanas. Mas Paulo diz que o homem, ao falar em línguas, não fala aos homens, mas a Deus somente. Isso está totalmente de acordo com o conceito pentecostal do dom de línguas, onde as línguas são uma linguagem sobrenatural de oração em nosso momento particular com Deus, para edificação pessoal.

 

Paulo também diz, sobre o que fala em línguas, que ninguém o entende (v.2). Isso é o contrário do que creem os cessacionistas, pois o homem que fala em línguas estaria falando a um não-convertido precisamente em uma língua que ele entende! Então, enquanto no pentecostalismo ninguém entende o que está falando em línguas (pois as línguas não são terrenas para serem compreendidas), no cessacionismo as línguas são precisamente aquilo que é entendido por aquele que está ouvindo.

 

Outro ponto que o texto nos mostra é que o que fala em línguas em espírito fala mistérios (v.2). Como seria um “mistério”, se a língua é terrena e perfeitamente compreendida pelo descrente que a escuta? Um japonês que houve o evangelho em japonês está ouvindo algo “misterioso” ou perfeitamente compreensível? O “mistério” só existe se a língua não é terrena. Se é terrena, torna-se compreensível e perde-se o mistério. O “mistério” seria tão profundo que até um tradutor eletrônico o desvendaria. A frase “ninguém o entende, pois em espírito fala mistérios” dificilmente pode ser entendida dentro da ótica cessacionista, de forma honesta e coerente.

 

Paulo ainda diz que o que fala em línguas a si mesmo se edifica, ao passo em que aquele que profetiza edifica a igreja (v.4). Isso também bate de frente com a tese de que o falar em línguas se refere a línguas idiomáticas que são faladas a um descrente para a salvação dele, pois isso seria de edificação do próximo, e não de edificação pessoal. Paulo diz que a profecia é de edificação coletiva porque o que profetiza não profetiza “a si mesmo”, mas a alguém. Se as línguas funcionassem como os cessacionistas acham, aquele que falasse em línguas também estaria falando a alguém, e não a Deus.

 

Consequentemente, também seria de edificação do próximo, assim como a profecia, e não de edificação pessoal. Se é de edificação pessoal e não coletiva, é porque funciona diferente da profecia e não se edifica o próximo com alguma mensagem, mas é edificado a si mesmo ao falar a sós com Deus. Paulo ainda diz algo que dificilmente pode ser entendido dentro do prisma cessacionista, quando fala da interpretação das línguas. Ele diz:

 

“Quem profetiza é maior do que aquele que fala em línguas, a não ser que as interprete, para que a igreja seja edificada” (1ª Coríntios 14:5)

 

Disso subtende-se que há pessoas que falam em línguas e pessoas que também podem interpretar as línguas. Isso faz sentido no conceito pentecostal, pois uma língua celestial pode ser interpretada sobrenaturalmente por dom divino, o que é conhecido como sendo o dom de interpretação de línguas. Mas como alguém que fala uma língua estrangeira não conseguiria “interpretar” aquilo que ele mesmo está falando? Ele pregaria a um descrente em uma língua desconhecida sem saber o que está falando? Que sentido há em Paulo dizer que “se alguém fala em línguas, ore para que a possa interpretar” (v.13)?

 

Ele ainda diz:

 

“Pois, se oro em língua, meu espírito ora, mas a minha mente fica infrutífera. Então, que farei? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. Se você estiver louvando a Deus em espírito, como poderá aquele que está entre os não instruídos dizer o ‘Amém’ à sua ação de graças, visto que não sabe o que você está dizendo? Pode ser que você esteja dando graças muito bem, mas o outro não é edificado” (1ª Coríntios 14:14-17)

 

Paulo disse que, ao falarmos em línguas, nosso espírito está orando, mas nossa mente está infrutífera. É exatamente isso o que os pentecostais creem. Não somos nós mesmos que falamos por nossa própria mente, mas é o Espírito Santo que ora através de nós. Nós estamos orando em espírito, mas nossa mente está livre para todas as outras atividades. Na Universidade da Pensilvânia, um estudo comprovou que, ao se falar em línguas, as áreas cerebrais não ficam ativas. Isso é a demonstração clara do que Paulo disse sobre este dom: o espírito ora, mas a mente permanece infrutífera. Isso também é o contrário do que creem os cessacionistas, pois, ao falarem em línguas terrenas, tais crentes estariam desenvolvendo as áreas cerebrais, usando a mente. Não estariam orando “em espírito”.

 

Paulo faz uma diferença notável entre “orar com o espírito” e “orar com o entendimento” (v.15), mostrando que existem dois tipos diferentes de oração, e ele recomenda ambos. Orar com o entendimento é a oração comum, onde pensamos no que vamos orar, e então oramos. Orar com o espírito é quando não é nossa mente que produz nossas orações, mas o Espírito. Essa é a oração em línguas. O que ora ou canta em línguas não é entendido por ninguém (v.16), pois ele está edificando a si mesmo, mas não está edificando em nada o próximo (v.17). Como a Igreja é um local de edificação coletiva, Paulo diz que se deve falar em línguas humanas ali dentro:

 

“Dou graças a Deus por falar em línguas mais do que todos vocês. Todavia, na igreja prefiro falar cinco palavras compreensíveis para instruir os outros a falar dez mil palavras em língua” (1ª Coríntios 14:18-19)

 

Paulo tanto era a favor do dom de línguas que dava graças a Deus por falar mais do que todos os coríntios – e olhe que os coríntios falavam mesmo em línguas! Eles falavam tanto que isso estava se tornando um problema, pois estavam trazendo isso para dentro do culto, o que não podia, pois o culto é para edificação da igreja e não individual. Paulo falava em línguas constantemente em seu dia-a-dia, mas dentro da igreja preferia falar em língua natural, porque a igreja é um local para edificação do corpo, e não para edificar a si mesmo. É aí que entramos nos equívocos pentecostais do uso das línguas.

 

 

O USO DAS LÍNGUAS NA IGREJA

 

Ainda que os pentecostais acertem no conceito verdadeiro sobre o dom de línguas, a maioria se equivoca na prática, caindo exatamente no mesmo erro da igreja de Corinto da época. Como o dom de línguas é para edificação pessoal, devemos usá-lo quando estamos a sós com Deus, e não no meio do culto, que é um momento onde uma mensagem deve ser pregada para trazer exortação ao corpo de Cristo. Mas se todos começarem a falar em línguas, os pastores não conseguirão pregar e os descrentes ficarão escandalizados, pensando que todos estão loucos, falando ao mesmo tempo línguas estranhas:

 

“Assim, se toda a igreja se reunir e todos falarem em línguas, e entrarem alguns não instruídos ou descrentes não dirão que vocês estão loucos?” (1ª Coríntios 14:23)

 

Então, quais foram as instruções de Paulo para solucionar este problema? Ele impôs restrições ao uso do dom de línguas dentro da igreja. Dentre essas restrições, destaca-se o fato de que apenas três poderiam falar em línguas, um de cada vez, e somente se tivesse alguém com o dom de interpretação de línguas, para que a igreja seja edificada com uma mensagem de edificação coletiva:

 

“Se, porém, alguém falar em língua, devem falar dois, no máximo três, e alguém deve interpretar. Se não houver intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus” (1ª Coríntios 14:27-28)

 

Infelizmente, esta norma de Paulo não é seguida por quase nenhuma igreja pentecostal, que abusa do dom de línguas dentro da igreja tanto quanto (ou até mais, em alguns casos) a igreja de Corinto fazia na época do apóstolo. Sem essas restrições, o culto tende a ficar uma bagunça e uma completa desordem, igual este “culto” assombroso de Kenneth Hagin:

 


 

Foi por isso que Paulo disse:

 

“Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz” (1ª Coríntios 14:32-33)

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

É errado dizer que o dom de línguas chegou ao fim ou que não é mais útil nos dias de hoje, e é um equívoco muito grande afirmar que este dom se resumia meramente a línguas terrenas para pregar a um descrente. Isso contraria de forma gritante e ferrenha a tudo o que Paulo escreveu no capítulo 14 de sua primeira epístola aos coríntios. Os que falam isso não estão apenas contradizendo a Bíblia, mas estão também tentando impedir que mais pessoas possam falar em línguas, visto que este é um importante dom de edificação pessoal, que, se for bem usado, pode ajudar a matar a carne e alimentar o espírito. Ele não existiu à toa, e não entrou em extinção no século V.

 

Os cristãos de hoje precisam do dom de línguas tanto quanto os cristãos de outrora precisavam dele, pois ele nunca foi um meio de falar a homens para edificação do próximo, mas de falar a sós com Deus algo misterioso que só Deus entende, mas que serve de edificação pessoal. Ao orarmos em línguas, oramos em espírito, deixando nossa mente livre para pensarmos de uma forma tão natural como se não estivéssemos falando nada. Este dom, como muitos já presenciaram em suas próprias vidas, não pode ser forçado nem aprendido, mas vindo diretamente do Espírito Santo, em um momento especial na vida de cada um. Muitos recém-convertidos e até mesmo tradicionais que nunca haviam falado em línguas e até eram contra isso passaram a falar em línguas e a desenvolver essa linguagem sobrenatural da oração.

 

Porém, não devemos de forma alguma pensar que aquele que não fala em línguas é algo menor do que aquele que fala. Deus distribui seus dons a cada um da forma que bem lhe apraz, de modo que nem todos usufruem dos mesmos dons, mas possuem dons diferentes (1Co.12:11). De nada adianta ter o dom de línguas e viver como um descrente, como muitos em nosso meio. Muitos daqueles que não falam em línguas são muito mais espirituais do que muitos que falam. Deus tem um modo e um tempo de trabalhar na vida de cada um. Discriminar ou rebaixar alguém por não falar em línguas é algo estúpido, patético e hipócrita. Ninguém deve ser julgado pelos dons que possui ou que não possui, mas pelo Cristianismo que vive, na prática. São pelos frutos, e não pelos dons, que nós podemos diferenciar o joio do trigo.

 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

 

Por Cristo e por Seu Reino,

Lucas Banzoli.

 

 

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