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O DÍZIMO NA NOVA ALIANÇA
O DÍZIMO NA NOVA ALIANÇA

 

Por um bom tempo fiquei sem comentar nada sobre o dízimo, colocando prioridade a outros artigos. Porém, atualmente vejo cada vez mais pessoas pedindo orientações sobre este tema específico, pois há uma grande divergência na comunidade evangélica sobre este tema.

 

Uns pregam deste jeito:

 

“Se você não der o dízimo é ladrão, e ladrão vai morrer no fogo do inferno... o devorador vai acabar com a sua vida, o gafanhoto também...”

 

E outros pregam deste jeito:

 

“Não precisa dar dízimo coisa nenhuma! Fique com todo o dinheiro pra você mesmo, 10% é muita coisa para semear no Reino de Deus... o dízimo é pagão... o dízimo é coisa da lei, a lei tá morta, sepultada, crucificada...”

 

Creio que existem extremos em ambos os lados. O que eu irei buscar aqui é revelar a verdade através da clareza da Palavra de Deus, pois eu mesmo fiquei em dúvida durante muito tempo, estudando cuidadosamente o que ambos os lados tinham a propor. Se alguém quiser questionar o estudo a seguir, questione-me a vontade, basta para isso enviar uma carta. O meu objetivo aqui não é tentar passar a ideia de que eu tenho todas as respostas para todas as questões mais misteriosas sobre o dízimo, mas sim mostrar aqui as considerações que eu considero serem as mais imparciais, sensatas, equilibradas e criteriosas sobre o tema em questão que irá ser abordado.

 

 

CRISTO É O FIM DA LEI

 

É verdade que Cristo é “o fim da lei para a justificação de todo aquele que crê” (Rm.10:4). Isso poucos discutem, pois a Escritura é nítida em afirmar que “não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm.6:14), que “se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (Gl.5:18), porque Cristo “envelheceu a primeira aliança” (Hb.8:8), e “o que foi tornado velho está perto de se acabar” (Hb.8:8). Jesus Cristo, ao morrer na cruz, “aboliu em sua carne a lei dos mandamentos expressa na forma de ordenanças” (Ef.2:14,15), para que sejamos “ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2Co.3:6).

 

Porém, se de um lado a lei foi cumprida em Cristo, por outro lado é evidente que existem coisas da antiga aliança que passaram também para a nova aliança, sem serem abolidas. Se não fosse assim, jamais poderíamos ter um só Deus, amá-lo acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, não cobiçarmos a mulher do próximo, não adulterarmos, não roubarmos, não fazermos imagens de escultura, sermos santos como Ele é santo... pois todas essas coisas estavam na lei, e nem por isso deixamos de considerar princípios verdadeiros e legítimos, vigentes até os nossos dias.

 

Então, a questão que fica é: O dízimo “morreu” na antiga aliança, ou passou também para a nova? Sabemos que alguns “princípios fracos e elementares” (Gl.4:9) morreram, tais como as regras relativas a “comer e beber, ou os dias de festa, ou lua nova, ou sábados, que eram sombras de coisas futuras, mas a realidade é Cristo” (Cl.2:16,17). Mas certos princípios permaneceram também para a nova aliança. O Senhor Jesus descreveu alguns destes princípios em Mateus 23:23, que analisaremos a seguir.

 

 

PRINCÍPIOS QUE PERMANECEM NA NOVA ALIANÇA

 

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas (Mateus 23:23)

 

Note que Jesus aqui lista para os fariseus alguns destes princípios que permanecem com Cristo na nova aliança. Ele cita a justiça, a misericórdia e a fé como três destes princípios. Porém, note uma coisa muito importante que ele afirma na sequencia: “...estas coisas devíeis fazer, sem omitir aquelas (v.23). Sem omitir aquelas! Qual era essas coisas que eles não deveriam omitir? O começo do verso afirma claramente sobre isso: o dízimo.

 

Em outras palavras, Jesus estava dizendo que os fariseus deveriam praticar os maiores princípios que permaneceriam na nova aliança (como a justiça, a misericórdia e a fé), mas não omitir os outros princípios menores (como o dízimo). É evidente que Jesus está colocando a justiça, misericórdia e fé acima do dízimo, mas ele também diz que não podemos omitir o dízimo, assim como não devemos omitir aqueles outros três preceitos.

 

Você poderia argumentar: “Mas eu pratico os preceitos maiores – a justiça, a misericórdia e a fé – e deixo de praticar os menores – como o dízimo. Já que eu pratico os maiores e deixo os menores de lado, então eu acho que estou bem assim”! Não, infelizmente não está. Isso porque o Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou que não devemos apenas ser fieis no muito, mas também no pouco:

 

“Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é desonesto no muito” (Lucas 16:10)

 

Isso significa que se você é infiel no princípio menor que Cristo abordou em Mateus 23:23 (o dízimo), você não vai conseguir ser fiel nos princípios maiores (a justiça, a misericórdia e o amor). Afinal, se nem sequer no pouco (princípios menores na nova aliança) você é fiel, como irá ser no muito (i.e, nos preceitos mais importantes)? Não tem jeito. Jesus diz que se você é infiel ou desonesto no pouco, será infiel e desonesto no muito também.

 

Ele prova a nossa fé com uma quantia tão pequena como é o dízimo (10%), pois se não formos capaz nem sequer de darmos 10% de nossas finanças para Deus, como seremos capaz de rendermos 100% em nossa justiça, misericórdia e fé nEle?

 

Alguém poderia argumentar também: “Calma aí, Lucas. Você está vendo que Jesus estava falando com os fariseus neste versículo. Então essa passagem não se aplica a mim e a você”! Infelizmente existem pessoas que chegam ao cúmulo de argumentarem desta maneira! O problema em tal raciocínio é simplesmente que, se fosse assim, deveríamos corrigir (mutilar) a Bíblia inteira, pois este jamais foi um critério de exegese aplicável.

 

Por exemplo, os maiores ensinamentos registrados na Bíblia se encontram no Sermão do Monte que Cristo pregou, em Mateus 5-7. Porém, se analisarmos cuidadosamente, veremos que ele estava dizendo a uma multidão de judeus. Quer dizer, então, que o Sermão do Monte só valia para os judeus do século I, mas não vale para gentios (como eu e você) do século atual? É claro que não. A verdade é que o princípio que se aplicava a eles é aplicável a nós também. Jesus não estava pregando uma pegadinha nos fariseus, mas ensinamendo algo válido também a todos nós.

 

Pense no que essa intepretação acarretaria de “bom” para a doutrina cristã. Usando a mesma lógica de que Jesus falou aos fariseus então só eles devem dar o dízimo, nós deveríamos presumir também que o que Paulo escreveu aos Coríntios só vale para os coríntios, que o que Paulo escreveu aos Gálatas só vale aos Gálatas, que o que Paulo escreveu aos Romanos só vale aos romanos, que o autor de Hebreus não tinha nenhum apreço por aqueles que não eram hebreus e que pelo fato de Pedro ter escrito aos eleitos de Deus, peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitínia” (1Pe.1:1), significa então que se eu não sou destas províncias da Ásia, a mensagem não se aplica para mim!

 

Perceberam no que essa interpretação nos levaria a crer? Isso mesmo, que nada (absolutamente nada mesmo) valeria para os dias de hoje! É óbvio que isso não é um exemplo e exegese, mas sim de uma interpretação completamente tendenciosa, a tal ponto que eles não aplicam este mesmo critério nas outras ocasiões, mas apenas naquela específica do dízimo, só porque eles não querem dar o dízimo!

 

Aqueles que insistem que o dízimo “ficou no passado” à luz de Mt.23:23, terão por uma questão de coerência que dizer que a justiça, a misericórdia e a fé também “ficaram no passado”, já que elas são mencionadas exatamente no mesmo contexto para também não serem omitidas! À luz de tudo isso, fica claro que Jesus não estava querendo dizer que não é necessário, mas sim que ele “não deve ser omitido” (Mt.23:23; Lc.11:42).

 

 

A TIPOLOGIA ENTRE JESUS E MELQUISEDEQUE

 

Vale ressaltar que esta não foi a única situação em que vemos o dízimo presente no contexto da nova aliança. O autor de Hebreus traçou uma clara analogia entre o dízimo na antiga aliança e o dízimo na nova aliança, mostrando que o que os israelitas antes davam aos levitas, nós devemos dar a Cristo:

 

Hebreus 7

1 Esse Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, encontrou-se com Abraão quando este voltava, depois de derrotar os reis, e o abençoou;

2 e Abraão lhe deu o dízimo de tudo. Em primeiro lugar, seu nome significa "rei de justiça"; depois, "rei de Salém" quer dizer "rei de paz".

3 Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, feito semelhante ao Filho de Deus, ele permanece sacerdote para sempre.

4 Considerem a grandeza desse homem: até mesmo o patriarca Abraão lhe deu o dízimo dos despojos!

5 A lei requer dos sacerdotes dentre os descendentes de Levi que recebam o dízimo do povo, isto é, dos seus irmãos, embora estes sejam descendentes de Abraão.

6 Este homem, porém, que não pertencia à linhagem de Levi, recebeu os dízimos de Abraão e abençoou aquele que tinha as promessas.

7 Sem dúvida alguma, o inferior é abençoado pelo superior.

8 No primeiro caso, quem recebe o dízimo são homens mortais; no outro caso é aquele de quem se declara que vive.

9 Pode-se até dizer que Levi, que recebe os dízimos, entregou-os por meio de Abraão,

10 pois, quando Melquisedeque se encontrou com Abraão, Levi ainda estava no corpo do seu antepassado.

11 Se fosse possível alcançar a perfeição por meio do sacerdócio levítico (pois em sua vigência o povo recebeu a lei), por que haveria ainda necessidade de se levantar outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque e não de Arão?

12 Pois quando há mudança de sacerdócio, é necessário que haja mudança de lei.

 

Vamos analisar o contexto desta passagem mais cuidadosamente. Em primeiro lugar, o escritor de Hebreus faz uma analogia (uma tipologia) entre Cristo e Melquisedeque, que era “semelhante ao Filho de Deus... permanece sacerdote para sempre” (v.3). Então, ele afirma que Abraão lhe deu o dízimo (v.4), antes mesmo que os levitas recebessem o dízimo de acordo com a lei (vs.5,6). Então, ele afirma:

 

“No primeiro caso, quem recebe o dízimo são homens mortais; no outro caso é aquele de quem se declara que vive” (v.8)

 

Em outras palavras, no primeiro caso [na antiga aliança] quem recebia o dízimo eram homens mortais [os levitas], e hoje quem recebe os dízimos é aquele de quem se declara que vive [Jesus Cristo]. Jesus não recebe os dízimos através do sacerdócio levítico, mas através do sacerdócio de Melquisedeque. O autor explica que houve uma “mudança de sacerdócio” (v.12). O dízimo que antes era dado aos levitas, hoje damos a Cristo (v.8). Como é que isso acontece? Como é que Cristo pode receber hoje os nossos dízimos?

 

Ora, através de seu Corpo, que é a Igreja. A Igreja é o “Corpo de Cristo” (1Co.12:27) na terra. Nós herdamos o nosso nome – “cristãos” – de Cristo. Somos os “embaixadores de Cristo” (2Co.5:20) na terra e, assim como o antigo templo de Jerusalém precisava de mantimento, os templos atuais também necessitam dos dízimos, “para que haja mantimento na minha casa, diz o Senhor dos exércitos” (Ml.3:10).

 

Cristo recebe os dízimos através da Sua Igreja, que é o Seu Corpo. Da mesma forma que os israelitas contribuíam com pelo menos 10% de sua renda para o mantimento da casa de Deus, devemos contribuir com pelo menos 10% de nossa renda para que a Igreja avance, cresça, multiplique-se e se estabeleça sobre a terra.

 

 

DÍZIMO: UM PRINCÍPIO QUE ATUA PELO AMOR, E NÃO UM FARDO LEGALISTA DA LEI

 

À luz do que vimos acima (lembre-se de que eu fiz questão de abordar apenas passagens do NT, para não deixar margens àqueles que dizem que o NT não apoia o dízimo) fica muito claro que Jesus, cujo sacerdócio é permanente, deve receber os dízimos através da Sua Igreja. Ele afirmou aos fariseus (e o ensino vale também a nós) que o dízimo não pode ser omitido. Porém, vale ressaltar uma coisa muito importante aqui:

 

-O princípio do dízimo (10% para o Senhor) é mantido; mas não os seus “pormenores”.

 

Explico. O autor de Hebreus afirmou que a lei era uma “sombra de bens vindouros, e não a imagem exata das coisas” (Hb.10:1). Isso significa que nem tudo o que passa do Antigo para o Novo Testamento deve ser tomado da forma mais literal possível, exatamente como prescrevia o Antigo. Por exemplo, o sacrifício de cordeiros na antiga aliança era uma sombra [tipologia] do sacrifício único e permanente de Cristo em nosso favor. Nós não mais sacrificamos cordeiros literalmente, mas cremos no Cordeiro de Deus que se deu a si mesmo pela salvação do mundo.

 

Da mesma forma, nós não guardamos o sábado, mas cremos ele ser uma importante sombra [tipologia] do descanso celestial, algo que o autor de Hebreus aborda no capítulo 4 de sua carta. Algumas coisas passam de forma literal e total para a nova aliança, mas outras são simplesmente explicadas de uma maneira melhor, mais abrangente, mais nítida. A sombra sai e fica a realidade.

 

Com o dízimo não é diferente. Embora nós vemos que ele permanece na nova aliança (Mt.23:23; Lc.11:42; Hb.7:1-12), alguns detalhes eram específicos para os israelitas, e devem ser praticados não mais de acordo com a “sombra”, mas conforme a “realidade” dos nossos dias – com a “imagem exata das coisas” (v.1).

 

Vou tentar o mais brevemente possível expor algumas dessas mudanças ou alterações necessárias para os nossos dias. A primeira delas é que os israelitas davam o dízimo em forma de alimentos. O próprio Jesus, na passagem anteriormente citada, falou do dízimo em forma de “hortelã, endro e cominho” (Mt.23:23). É evidente que muitos de nós não possuímos nos dias de hoje endro, cominho ou hortelã para dizimarmos com isso (a não ser uma bala de hortelã ou um halls de vez em quando, mas isso é uma outra história).

 

Então estaremos simplesmente deixando de cumprir a ordem do Senhor? É claro que não. Nós podemos não ter o endro e o cominho, mas temos algo chamado “dinheiro”, que pode fazer com que a obra do Senhor evolua, que os templos tenham os seus aluguéis pagos, sejam reformados, ampliados, que mais comunidades sejam fundadas e que missionários sejam supridos. O dinheiro em nossos dias é algo muito mais importante para a obra de Deus do que o endro, o cominho, a bala de hortelã ou o halls.

 

Além disso, se recebemos nos dias de hoje o salário em dinheiro, é sensato que invistamos na obra do Senhor com dinheiro. É óbvio que não é proibido ofertar alimentos se quisermos, mas isso está relativamente fora de questão no mundo atual. Os alimentos não pagam alugueis de igrejas nem tampouco podem fundar igrejas novas. Dinheiro, sim. Se você fosse um israelita nos dias de Cristo, poderia tranquilamente dizimar em forma de alimentos, pois ainda não havia toda a globalização corrente nos dias de hoje, e muitas vezes era com alimento que se pagava algum trabalhador.

 

Vale ressaltar também que o dízimo era dado em forma de alimentos porque servia para o sustento dos levitas. Onde estão os levitas? Simplesmente se foram, dificilmente você encontrará um entre nós (se encontrar um, me avise!). O propósito do dízimo na antiga aliança era distinto do propósito do dízimo na nova aliança. Na antiga aliança, o dízimo era dado primariamente para o sustento dos levitas (portanto, em alimentos). Já na nova aliança, o propósito do dízimo é contribuir para a obra do Senhor através da Igreja (portanto, em dinheiro). O dízimo no tempo atual tem que se adequar a forma que mais convém aos nossos dias e ao seu próprio propósito dentro da nova aliança.

 

Também não creio que o dízimo deva ser dado como por obrigação. Muitos pastores ensinam assim, mas eu não gosto desse pensamento. Deus não obriga ninguém a orar ou a jejuar. Se alguém quiser fazer isso, que não seja por obrigação (peso, fardo), mas por uma livre manifestação de amor a Deus. A mesma coisa ocorre na questão dos dízimos e das ofertas. Nós devemos honrar a Deus com os nossos bens, não de forma legalista e farisaica, mas de livre e espontânea vontade. O apóstolo Paulo se expressou da seguinte maneira:

 

“Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria” (2 Coríntios 9:7)

 

A nossa contribuição não deve ser um peso ou uma obrigação para quem contribui. Toda a nossa adoração a Deus (incluindo os nossos bens) deve ser fruto do nosso amor a Deus. Se alguém não ama a Deus, não adianta dar o dízimo por obrigação apenas por querer uma “recompensa” depois. Deus não é um mercado. Embora ele verdadeiramente diga que irá abrir as comportas do céu e derramar bênçãos sem medidas (Ml.3:10), devemos ser obedientes a Deus por amor, ainda que ele não prometesse nada a nós em troca.

 

Não se faz barganha com Deus. Paulo afirma que aquele que semeia com fartura, colherá fartamente (2Co.9:6). Porém, a lei de semeadura e colheita não existe para haver uma competição na igreja sobre “quem dá mais”. O próprio Senhor Jesus elogiou em primeiro lugar aquela viúva que não tinha mais do que duas moedinhas de pouco valor, mas que ao coração de Deus valia muito mais do que as “grandes quantias” daqueles que davam do que lhes sobrava (Lc.21:4).

 

A disposição do coração é mais importante do que o tamanho ou cor da nota. Muitas pessoas tomam atitudes certas com propósitos errados. Elas dão muito dinheiro, mas com o propósito de conseguir mais depois. Elas contrinuem, mas somente por obrigação e pesar. Deus valoriza aqueles que O valorizam. Aqueles cuja contribuição não é fruto de peso, mas de amor. Não de fardo, mas de livre generosidade.

 

Alguém que ama a Deus vai dar o dízimo, não por medo do devorador ou do gafanhoto, mas puramente por amar a Deus e saber que está agradando aquele para quem nós “vivemos e existimos” (At.17:28). Tem muita gente tocando o terror no povo na hora do dízimo. Se você não der o dízimo, lá vem o devorador. Buuuuu!!!!!!

 

Não, gente. Se a pessoa não está com o coração voltado para o Senhor, não será o medo do diabo que irá conduzí-la a dizimar. E ainda que a tática do medo funcione de vez em quando, essa pessoa não estará dando espontaneamente, mas sim pelo medo, por pura pressão interior que ela está sofrendo no momento. Lembre-se: Deus não quer ninguém dizimando deste jeito (2Co.9:7).

 

De fato, quem ama a Deus de verdade dará muito mais do que um “dízimo” (10%), pois o próprio Senhor Jesus afirmou que a nossa justiça deve exceder em muito a justiça dos fariseus e mestres da lei:

 

“Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus” (Mateus 5:20)

 

A pessoa que não dá nem sequer um “dízimo” (equivalente a 10%) deveria se sentir envergonhada em ver que os fariseus dizimavam (Mt.23:23), Jesus diz para termos uma justiça maior do que a deles (Mt.5:20), mas você não dizima! Dar de coração as nossas finanças aos pés de Cristo, ao invés de acumularmos tesouros nesta terra, é um ato de justiça como qualquer outro.

 

Se acumular tesouros nesta terra é pecado (Mt.6:19), então o inverso disso (doar aos pobres e necessitados e investir no Reino de Deus) deve ser uma expressão de justiça. Mas se não dermos nem sequer o dízimo, significa que a nossa justiça, que deveria ser em muito superior à deles, consegue ser inferior!

 

Desde quando me converti verdadeiramente a Cristo, todo dinheiro que eu ganho (com exceção a R$65,00 investidos em um fone de ouvido comprado em Setembro/Outubro de 2011 no Shopping São José) eu invisto em missões evangelísticas ao redor do mundo, ou em ofertas na igreja. É óbvio que isso não significa nada além da nossa obrigação (existem muitos não-cristãos que fazem muito mais do que isso!), mas explica o porquê de muitas vezes não vermos o termo “dízimo” aparecendo mais vezes no NT. Simplesmente porque... eles repartiam tudo entre si! Isso mesmo: tudo!

 

“Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o distribuíam segundo a necessidade de cada um. José, um levita de Chipre a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé, que significa encorajador, vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e o colocou aos pés dos apóstolos” (Atos 4:34-37)

 

Isso não significa que você tem que dar tudo. Existem igrejas pedindo até o “trízimo” de seus fieis (sim, eles já inventaram isso!!!), que é três vezes mais do que o dízimo, uma aberração! Você pode dar tudo somente se tiver condições para isso (Barnabé vendeu um campo que ele possuía, e não a sua própria casa!), e se for realmente voluntário para tal coisa. Se você realmente sentir de Deus isso em seu coração.

 

Não seja como Ananias e Safira, que foram fulminados pelo Espírito Santo por mentirem a ele e encobrirem as coisas, dando “ofertas” com o coração duro por dentro (At.5:1-11). Se você quiser dar uma quantia grande, esteja realmente disposto de coração a isso, assim como os apóstolos e os demais cristãos reunidos em Jerusalém estavam. Eles eram tomados pelo amor de Deus de tal forma que eram movidos a alegremente depositarem os seus bens aos pés dos apóstolos.

 

Isso explica o porquê de não falarem muito sobre o dízimo (=10%), porque eles costumavam dar muito mais do que estes 10%. Porém, as citações de Mateus 23:23/Lucas 11:42, junto a Hebreus 7:1-12 e a promessa de Deus de que não mudaria na questão do dízimo, em Malaquias 3:6, suficientemente nos prova que o dízimo é um padrão mínimo estipulado por Deus desde o início, algo que até mesmo os fariseus faziam com frequência (Mt.23:23), e que nós devemos fazer mais do que eles (Mt.5:20).

 

Em resumo, podemos finalizar dizendo que o dízimo não é algo que fica na velha aliança, envelhece e morre. Além das passagens do NT já citadas, o próprio AT nos confirma que Deus não muda na questão do dízimo:

 

“De fato, eu, o Senhor, e não mudo (Malaquias 3:6)

 

Veja o contexto deste texto em Malaquias 3, todo mundo sabe que está se tratando do dízimo. Você não irá ver Deus dizer sobre a matança de cordeiros: “Eu sou o Senhor e não mudo; portanto continuem sacrificando para sempre”! Ao contrário, ele sabia que o Cordeiro de Deus iria substituir em definitivo os cordeiros que eram mortos no AT. Mas o mesmo não ocorre na questão dos dízimos. Deus coloca nele o seu próprio selo, afirmando que “não muda”.

 

Qualquer um sabe que Deus não muda. Ele não estava repetindo algo que todo mundo já sabia, mas sim mostrando a sua direção sobre algo específico (o dízimo, que é tratado nos versos 8 a 10), dizendo que ele nunca iria mudar nesta questão específica que ele estava dizendo. Jesus confirmou isso ao dizer, quatrocentos anos mais tarde, que o dízimo não podia ser omitido (Mt.23:23). Porém, como todas as “sombras” do Antigo Testamento, elas devem se adequar a “imagem exata das coisas” (Hb.10:1), a realidade dos nossos dias.

 

Por questões puramente lógicas e racionais, e tendo em vista o novo propósito do dízimo para o mantimento da Igreja, o dinheiro cumpre muito melhor essa função do que alimentos como o endro e o cominho. Também tendo em vista a função do dízimo nos dias atuais (a finalidade deixa de ser os levitas, para se tornar a Igreja de Cristo), nós não precisamos mais procurar um levita por aí para entregarmos os nossos dízimos para ele.

 

Basta entendermos que o ministério de Cristo na terra continua através da Sua Igreja, que é a reunião de todos os crentes sinceros em Jesus Cristo, que se reúnem em prédios que precisam ter o aluguel e as contas pagas, além de crescerem em tamanho e em quantidade. Por isso, ao invés de entregarmos os dízimos aos levitas, entregamos a Jesus, o seu substituto (Hb.7:8), por meio da Sua Igreja, que é o seu corpo (Ef.1:23). É evidente que essa Igreja terá que usar sabiamente esse dinheiro. O dízimo não é para o pastor gastar em pizza quatro queijos, mas para o avanço do Reino de Deus na terra. Veremos sobre isso adiante.

 

 

ONDE, COMO E PARA QUEM EU DOU O DÍZIMO?

 

Historicamente essa pergunta pareceria algo bobo com uma resposta boba: “Numa igreja, para o pastor, oras”! Porém, embora concorde com essa resposta, creio que o assunto é mais abrangente do que isso. Só o fato de Tiago escrever sobre ajudarmos as viúvas e os órfãos com as nossas finanças já nos mostra que eles podem (e devem) ser ajudados por nós, e não “somente o pastor”:

 

“A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo” (Tiago 1:27)

 

Dificilmente essa “ajuda” que Tiago disse se aplicaria somente ao aspecto pessoal e não ao financeiro. Se fosse assim, as nossas casas deveriam estar super-lotadas de órfãos e viúvas dentro dela, e nós cuidando de todo este povo! Nem mesmo Brad Pitt e Angelina Jolie, com a sua multidão de filhos adotivos, chegaria perto de cumprir essa passagem bíblica!

 

Eu creio que há algo mais nessa passagem. Embora por questões lógicas não possamos ficar cuidando o tempo todo de todos os órfãos e viúvas que vermos por aí, nós podemos cumprir essa passagem bíblica quando doamos alguma coisa a eles. Isso significa que deste tanto mínimo de 10% (que chamamos de “dízimo”), alguma parte deve ir para eles. Somente desta forma poderíamos de forma abrangente e não reduzida ajudarmos aos órfãos e as viúvas. Mas o apóstolo não pára por aqui. Ele também afirma que devemos suprir igualmente as necessidades dos pobres:

 

“Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: ‘Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se’, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso?” (Tiago 2:15,16)

 

Desta forma, já vemos pelo menos três grupos aos quais devemos atenção especial além da igreja em que você congrega. São eles:

 

1. Os órfãos.

2. As viúvas.

3. Os pobres.

 

Quando Paulo se despediu de Pedro, Tiago e João, a única coisa que eles pediram foi que ele se lembrasse dos pobres e necessitados:

 

Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedro e João, tidos como colunas, estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão. Eles concordaram em que devíamos nos dirigir aos gentios, e eles, aos circuncisos. Somente pediram que nos lembrássemos dos pobres, o que me esforcei por fazer (Gálatas 2:9-10)

 

Outro ponto muito importante a mencionarmos é o investimento em missões. Se não investirmos em missões evangelísticas, auxiliando os missionários que estão atuando em países perseguidos e nocivos ao evangelho, ele jamais irá chegar a estes lugares e Cristo continuará sem voltar, pois ele prometeu que para ele voltar “é necessário que antes o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc.13:10). Você quer que Jesus volte? Então invista em missões! Ou então, seja você mesmo um missionário do Senhor!

 

Não te incomoda pensar que enquanto milhões de cristãos sofrem perseguição física e moral ao redor do mundo, estando aprisionados, passando fome, sendo reprimidos e tratados como animais, você não investe nem sequer um único centavo em favor deles, e no máximo faz uma ou outra oração (ou nem isso!)?

 

Se você ama os perdidos, quer vê-los salvos, quer que a luz de Cristo resplandeça onde hoje há trevas, deseja ver o evangelho pregado em todas as nações, quer que Jesus volte logo, quer aliviar o jugo dos missionários perseguidos e deseja dar-lhes melhores condições de vida, então invista tempo em oração por eles, e não apenas ore – atue! Invista neles! Eles estão fazendo o que você e eu deveríamos estar fazendo. O mínimo que devemos fazer por amor a eles e ao Reino de Deus é ajuda-los financeiramente.

 

Finalmente, vale ressaltar que muitas pessoas caem em dois extremos. Um deles é o pensamento do início, de que o único lugar que nós temos que dar dinheiro é na igreja, se esquecendo dos órfãos e viúvas, dos pobres e necessitados. Outros falham pelo outro extremo. Só dão dinheiro para os pobres, mas não dão nada para a Igreja! O apóstolo Paulo afirmou:

 

“Eles tiveram prazer nisso, e de fato são devedores a eles. Pois se os gentios participaram das bênçãos espirituais dos judeus, devem também servir aos judeus com seus bens materiais” (Romanos 15:27)

 

O mesmo conceito de aplica na igreja. Se nós estamos sendo espiritualmente edificados com o fato de estarmos congregando em um lugar, será que não podemos no mínimo expressar essa gratidão com nossos bens materiais? Paulo afirmou:

 

“Se entre vocês semeamos coisas espirituais, seria demais colhermos de vocês coisas materiais?” (1 Coríntios 9:11)

 

O propósito da igreja é trazer edificação, coletiva e individual, através da comunhão. Se estamos participando desta bênção espiritual, como diz Paulo, será que também não devemos servir a Igreja (que nos edifica) com bens materiais? Ou será que temos o direito de desfrutarmos das bênçãos espirituais e sermos edificados a vontade, mas não retribuírmos essa bênção com nossos bens para a mesma igreja a qual está nos edificando? Não, não temos tal “direito”!

 

Todo cristão que está sendo edificado em algum lugar deve retribuir algo a este lugar. Se ele apenas recebe e não traz nada, ele não passa de uma espécie de “crente sanguessuga”, que recebe para ele cada vez mais, mas não traz qualquer edificação para a igreja em que congrega. Devemos nos estabelecer em uma igreja que nos edifique, e como manifestação de gratidão a ela devemos também contribuir com nossos bens materiais. Mas se nós não contribuímos financeiramente como expressão de gratidão, isso pode significar somente duas coisas:

 

(1) Que você é um mal-agradecido.

(2) Que você não está sendo edificado coisa nenhuma naquele lugar.

 

A primeira opção é mais um problema seu que deve ser consertado com Deus. Não seja um cristão mal-agradecido. Se alguém é bênção na sua vida, abençoe-o! Se você participa das bênçãos espirituais em alguma igreja, compartilhe seus bens materiais com ela! Mas se você não está sendo edificado e por tal razão não dizima ali, a minha sincera sugestão é que mude de lugar. Não fique em um lugar em que você não é edificado em nada.

 

Se você não é bênção na vida de outras pessoas e as outras pessoas não são bênção na sua vida, fuja – o mais rápido possível. Não fique em um lugar onde você não passa de um parasita, ou onde você só conta como um componente numérico, um esquenta-banco ou um “crente sanguessuga”. Em resumo, seja uma bênção para as outras pessoas, pois “há maior felicidade em dar do que em receber” (At.20:35).

 

Ao mesmo tempo, esteja onde você irá ser edificado espiritualmente, onde estará crescendo, sendo moldado, lapidado e aperfeiçoado pelo Espírito Santo. E assim como você está sendo alvo de crescimento espiritual, também tem o dever de contribuir com bens materiais como uma expressão de gratidão (Rm.15:27; 1Co.9:11).

 

O dever da igreja, por sua vez, não é de gastar o dinheiro futilmente. Esteja em um ministério reconhecido por sua fidelidade com as finanças. Mais do que semear, é importante semear em um solo produtivo. Deus irá honrar a nossa disposição de coração ainda que o pastor usasse o dinheiro completamente errado, mas é importante investir onde dá frutos, para o bem do Reino de Deus. Fuja de igrejas que não prestam contas de sua administração financeira, onde há rumores de desvio de dinheiro ou onde o pastor entra com um fusca e sai com uma BMW.

 

Acima de tudo, lembre-se de que “tudo vem do Senhor, nós apenas lhe damos o que vem das suas mãos” (1Cr.29:14). Não pense que você virou o superman evangélico só porque deu um dízimo. Você não está fazendo mais do que a sua obrigação – não está fazendo mais do que devolver aquilo que já é dEle! Antes, pense que você está semeando no Reino de Deus para colher os frutos futuramente, que você está agradando e honrando o Senhor com os seus bens, que está manifestando a sua expressão de gratidão pela sua edificação espiritual e que Deus irá lhe recompensar futuramente.

 

Lembre-se de que quanto mais nos aproximamos de Deus, mais ele se aproxima de nós (Tg.4:8). Lembre-se de que sujeitar-se a Deus é o primeiro passo para o maligno fugir de nós (Tg.4:7). Muitas pessoas são muito espirituais quando se tratam de oração, louvor e leitura bíblica. Porém, quando chega na questão do bolso, a espiritualidade foge tão rápido quanto o diabo foge da cruz.

 

Quando entregamos a Cristo aquilo que já Lhe pertence por natureza, estamos mais do que cumprindo uma ordenança bíblica neotestamentária: estamos demonstrando o nosso amor a Deus e a nossa gratidão a Ele. Não retenha para si tudo aquilo que é dEle. Não ajunte para si tesouros na terra. Ajunte para si um tesouro no Céu, fruto de uma vida de caridade, doações espontâneas, ofertas de gratidão ao Senhor. E tenha por garantia o que Ele disse: “Não te deixarei, nunca te desampararei” (Hb.13:5).

 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

 

 

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Por: Lucas Banzoli.

 

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