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O TESTEMUNHO DOS MÁRTIRES
O TESTEMUNHO DOS MÁRTIRES

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Ao longo de toda a história antiga e moderna cristãos no mundo todo são perseguidos, atribulados, sofrem e morrem por amor a Cristo. Até antes mesmo de Jesus se encarnar em forma humana, os justos do povo de Deus eram perseguidos e martirizados, pois rejeitavam a adoração aos ídolos. Por causa da dura perseguição que os cristãos sofriam sob Nero, o autor da carta aos Hebreus começa a passar uma série de exemplos de perseverança em meio ao sofrimento, dos que são chamados de “heróis da fé”. Ele diz:

 

“Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos. Alguns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior. Outros enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas” (Hebreus 11:35-38)

 

O escritor de Hebreus usa todos estes casos como exemplos a serem seguidos pelos demais cristãos, que também passavam por perseguições. Se fosse hoje em dia, estes seriam maus exemplos de crentes com falta de fé que não tomaram posse da bênção nem determinaram a vitória para deixarem de sofrer. Açoites, zombaria, prisão, apedrejamento, pobreza, aflição, maltrato e morte é tudo aquilo que os pregadores neopentecostais mais querem ver longe deles, e é tudo aquilo que é o contrário da “vitória” no conceito deles. Para eles, crente vitorioso é aquele que não passa por nada disso, pois é próspero, tem sucesso e é só alegria.

 

Os próprios apóstolos não viveram assim. Pedro e João não tinham ouro nem prata (At.3:6). Paulo viva em pobreza, sem ter moradia certa (1Co.4:11-13). Por todos os cantos eram atribulados (2Co.4:8), perseguidos (2Co.4:9), cada vez mais cristãos eram presos e mortos. E isso não é atestado apenas pela Bíblia ou pelas fontes cristãs. Tácito[1] disse que “eles foram feitos objetos de esporte, pois foram amarrados nos esconderijos de bestas selvagens e feitos em pedaços por cães, ou cravados em cruzes, ou incendiados, e, ao fim do dia, eram queimados para servirem de luz noturna”[2].

 

Suetônio[3] disse que “os cristãos, espécie de gente dada a uma superstição nova e perigosa, foram destinados ao suplício”[4]. Josefo[5] descreveu o martírio de Tiago, irmão de Jesus, dizendo que foi apedrejado[6]. Plínio[7] também narrou várias formas de interrogamento, tortura e morte dos que se diziam cristãos[8].

 

A história nos mostra que todos os doze apóstolos, excetuando Judas e João, morreram martirizados. Mateus morreu na Etiópia como mártir. André foi crucificado em uma cruz em forma de xis para que o seu sofrimento se prolongasse. Filipe foi enforcado de encontro a um pilar em Hierápolis. Bartolomeu foi morto a chicotadas e seu corpo foi colocado num saco e jogado ao mar. Simão morreu crucificado junto aos zelotes em 70 d.C. Tiago foi martirizado em 62 d.C por ordem do sumo sacerdote Ananias, apedrejado até a morte por se recusar a denunciar os cristãos.

 

Judas Tadeu foi martirizado na Pérsia junto a Simão Zelote. Pedro pediu para ser crucificado de cabeça para baixo por julgar-se indigno de morrer na mesma posição que seu Mestre. O outro Tiago foi decapitado em Jerusalém por Herodes Agripa em 44 d.C. João chegou a ser lançado em um caldeirão de azeite a ferver. Tomé morreu a flechadas enquanto orava, por ordem do rei de Milapura, em 53 d.C. Paulo morreu decapitado no mesmo ano que Pedro. Lucas foi enforcado em uma oliveira na Grécia. Matias foi martirizado na Etiópia.

 

Quando viramos a página e vamos ao século II d.C, o sofrimento dos cristãos continua em alta. Inácio, bispo de Antioquia (35 – 107 d.C), foi condenado pelos romanos a ser devorado por feras em um estádio. Próximo da sua morte ele escreveu uma carta à comunidade cristã de Roma, onde relata nessas palavras sua expectativa pelo martírio:

 

“Possa eu alegrar-me com as feras que me estão sendo preparadas. Desejo que elas sejam rápidas comigo. Acariciá-las-ei, para que elas me devorem logo, e não tenham medo, como tiveram de alguns e não ousaram tocá-las. Se, por má vontade, elas se recusarem, eu as forçarei. Perdoai-me; sei o que me convém. Agora estou começando a me tornar discípulo. Que nada de visível e invisível, por inveja, me impeça de alcançar Jesus Cristo. Fogo e cruz, manadas de feras, lacerações, desmembramentos, deslocamento de ossos, mutilações de membros, trituração de todo o corpo, que os piores flagelos do diabo caiam sobre mim, com a única condição de que eu alcance Jesus Cristo”[9]

 

E ele complementa, dizendo:

 

“Para nada me serviriam os encantos do mundo, nem os reinos deste século. Para mim, é melhor morrer para Cristo Jesus do que ser rei até os confins da terra. Procuro aquele que morreu por nós; quero aquele que por nós ressuscitou”[10]

 

Policarpo, bispo de Esmirna (69 – 155 d.C), passou por algo semelhante. Próximo a ser martirizado em meados do segundo século d.C, e já com 86 anos, ele se recusou a negar Jesus e disse:

 

“Eu o sirvo há oitenta e seis anos, e ele não me fez nenhum mal. Como poderia blasfemar o meu rei que me salvou?”[11]

 

O procônsul romano responsável pela condenação de Policarpo continuava a insistir que este amaldiçoasse a Cristo para sair livre, mas ele, ao contrário, se declarou abertamente como cristão. Antes de ser queimado vivo, ele olhou aos céus e bradou no estádio:

 

“Senhor, eu te bendigo por me teres julgado digno deste dia e desta hora, de tomar parte entre os mártires, e do cálice de teu Cristo, para a ressurreição da vida eterna da alma e do corpo, na incorruptibilidade do Espírito Santo”[12]

 

Toda a história da Igreja é marcada pelo sangue do martírio, de cristãos que não amaram suas próprias vidas, mas, antes, negaram a si mesmos e renunciaram a este mundo, para herdarem um bem maior na ressurreição da vida eterna. Isso entra em um contraste gritante em relação à Igreja moderna, em especial ao neopentecostalismo, em que sofrer não é visto com bons olhos.

 

Um livro que marcou época é o Livro dos Mártires, escrito por John Foxe, em 1559. O autor mostra toda a história de sofrimento e martírio dos principais líderes cristãos, desde Jesus Cristo até a sua época. Ele narra a perseguição inicial dos judeus à Igreja, a grande perseguição de Nero e a posterior perseguição de Domiciano em todo o império romano, até a mais recente perseguição medieval da inquisição papal, relatando os mais diversos martírios na história da Igreja. Seria maravilhoso que os pregadores modernos da prosperidade tivessem todos eles o Livro dos Mártires, para verem que a história da Igreja é marcada por sangue e sofrimento, e não por vida boa e prosperidade.

 

E se alguém pensa que a perseguição aos cristãos acabou na Idade Média, está muito enganado. Atualmente, na Coreia do Norte, aproximadamente 50 a 70 mil cristãos estão presos em campos de concentração por causa de sua fé, e as igrejas são subterrâneas, pois há liberdade religiosa apenas de fachada. Dezenas de milhares de cristãos são assassinados anualmente naquele país[13]. Muitos cristãos se escondem em cavernas para poderem buscar a Deus.

 

E a Coreia do Norte não é o único país que persegue os cristãos hoje em dia. A grande maioria dos países comunistas, ateus e islâmicos faz isso. No ranking de perseguição aos cristãos, países na Ásia, Oriente Médio e norte da África aparecem em destaque (dados oficiais podem ser vistos no site da Missão Portas Abertas[14]). Estima-se que anualmente entre 100 e 200 mil cristãos morram por causa da sua fé. Essa quantidade de mártires mostra que estamos passando pela maior era de perseguição religiosa de todos os tempos. Isso pode parecer distante para alguém que vive em um país cristão e democrático no Ocidente, mas é a realidade para os que vivem como cristãos em muitos países do Oriente.

 

Viver como cristão nestes países não é nada fácil. Ali ser cristão é literalmente ser um mártir, é decidir ser um mártir, é estar disposto a negar a si mesmo, a renunciar a sua própria vida e tomar a sua cruz diariamente, podendo esperar a qualquer momento a prisão, a tortura e a morte. Também poderíamos citar os diversos exemplos de missionários que estão passando necessidades na África, ou de cristãos genuínos que estão morrendo de fome com a seca de muitos países. Crianças pequenas, que nunca abriram “brecha” nenhuma, morrem sem ter o que comer, e nenhuma dessas coisas ocorrem por estarem em pecado.

 

O sofrimento é uma realidade para muitas pessoas justas e genuinamente cristãs, muitas delas que vivem muito mais o Cristianismo do que qualquer crente ocidental em um país livre. Aqui foi fácil para os pregadores da prosperidade disseminarem suas heresias destruidoras. Afinal, tanto nos EUA (onde a heresia neopentecostal se iniciou) quanto nos outros países por onde ela se espalhou (incluindo o Brasil) não há tantas pessoas morrendo literalmente de fome, nem tantos cristãos sendo perseguidos como ocorre frequentemente em países anticristãos.

 

Então é fácil iludir a mente dos mais incautos, disseminando a semente do erro e do engano, com promessas de bênçãos materiais, vitória financeira e prosperidade em todas as áreas da vida. Isso porque tais pessoas não têm a menor noção do que é o verdadeiro evangelho. Elas não conhecem o evangelho da cruz. Elas conhecem apenas o mercado do evangelho, onde se faz comércio em nome da fé, onde se lucra muito sendo pastor ou cantor famoso. Como Deus já dizia desde a época de Oséias, “o meu povo perece por falta de conhecimento” (Os.4:6).

 

A falta de conhecimento bíblico e histórico leva muitos a aceitarem um falso evangelho, que nada tem a ver com o verdadeiro evangelho do Senhor Jesus Cristo – o evangelho do “tome a sua cruz” e “negue a si mesmo”. Esse outro evangelho, conhecimento como “evangelho da prosperidade” (ou como “teologia da prosperidade”), é o que conduz tantas pessoas a crerem naquilo que Jesus jamais pregou, a tomarem posse de promessas que jamais foram feitas. Elas buscam a Deus, mas o buscam assim como uma criança busca o Papai Noel: para obter os presentes.

 

Vão ao culto, mas porque é o “culto da prosperidade”, ou aquele onde terá a campanha da cura e dos sinais divinos. Vão porque estão desesperados em receberem uma profecia ou uma palavra qualquer que lhes sirva para aumentar o ânimo, para elevar o astral, para servir de auto-ajuda. Mas nós precisamos de auto-ajuda? Não. Nós precisamos de Cristo. Nós precisamos da cruz dele e da nossa. O evangelho da cruz é isso: autonegação. É abnegar essa vida para obter a próxima. É nada deste mundo importar se não tiver Cristo. É viver em Cristo, por Cristo e para Cristo. É ser chamado para crer e sofrer.

 

Por Cristo e por Seu Reino,

Lucas Banzoli.

 



[1] Tácito foi governador da Ásia, pretor, cônsul, questor, historiador romano e orador. Escreveu sobre os cristãos aproximadamente em 64 d.C.

[2] Tácito, Annales, XV.44.

[3] Suetônio foi um escritor latino que nasceu em 69 d.C e era o historiador romano oficial da corte de Adriano, escritor dos anais da Casa Imperial.

[4] Suetônio, Vida dos doze Césares, n. 25, p. 256-257.

[5] Flávio Josefo foi o mais importante historiador judeu do século I.

[6] Antiguidades,20.9.1.

[7] Caio Plínio Cecílio Segundo, mais conhecido simplesmente como “Plínio, o Jovem”, foi um orador, jurídico e governador imperial na Bitínia. Em suas cartas ao imperador Trajano ele confessa que já tinha matado muitos homens, mulheres e crianças que se diziam cristãos, e, em função dessa grande carnificina, tinha dúvidas se deveria continuar matando. O imperador respondeu que sim.

[8] Epístola X, 97.

[9] Inácio aos Romanos, 5:2-3.

[10] Inácio aos Romanos, 6:1.

[11] O Martírio de Policarpo, 9:3.

[12] O Martírio de Policarpo, 14:2.

[14] Disponível em: <http://www.portasabertas.org.br/cristaosperseguidos/classificacao/>. Acesso em: 17/11/2013.

 

 

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