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DIÁLOGO SOBRE A DIVISÃO PROTESTANTE
DIÁLOGO SOBRE A DIVISÃO PROTESTANTE

DIÁLOGO SOBRE A DIVISÃO PROTESTANTE
 
Certa vez um evangélico entrou em um fórum de debates, onde se deparou com um católico furioso, que rangia aos quatro cantos da terra que os protestantes são hereges porque são divididos em “cinquenta mil seitas”, e repetia aquilo à exaustão, como se estivesse abalando os fundamentos da terra. Então, aquele evangélico decidiu entrar no debate para ver até onde os argumentos do católico se sustentavam.
 
 
O católico, então, disse:
 
Católico – Vocês, protestantes, são divididos em 50 mil seitas! Eu creio na única Igreja de Cristo: a Igreja Católica!
 
Evangélico – Quer dizer, então, que vocês não possuem divisões? 
 
Católico – É claro que não! Apenas um ou outro que tenta criar divisões, mas é logo repreendido pelo papa. Quem segue a doutrina católica e o seu catecismo jamais cai em erro ou divergências! 
 
Evangélico – Como, então, você explica as divergências entre católicos tradicionais, católicos carismáticos e católicos ortodoxos?
 
Católico – Eu nem conheço essa “divisão”! A Igreja Católica é “una”! São vocês que são divididos!
 
Evangélico – Ah, é? Se não há divisão no catolicismo, o que foi o cisma do Oriente que ocorreu em 1054 d.C, dividindo a Igreja Católica do Oriente da Igreja Católica do Ocidente?
 
Católico – Aquilo lá não foi nada! Os católicos romanos possuem basicamente as mesmas doutrinas e adotam as mesmas coisas dos católicos ortodoxos.
 
Evangélico – Se isso é verdadeiro, por que razão nem sequer o próprio cânon bíblico de ambos é o mesmo(!), mas os ortodoxos tem como canônicos os livros de 1ª Esdras (=3ªEsdras na Vulgata), a Oração de Manassés, o Salmo 151, 2ª Esdras (=4ª Esdras na Vulgata) e 4ª Macabeus? Por que a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia tem 81 livros ao todo na Bíblia, contendo a mais no NT os “Atos de Paulo”, “1ª Clemente” e “O Pastor de Hermas”?
 
Por que no AT da Igreja Etíope é adicionado o “Livro dos Jubileus”, o “Livro de Enoque” e 4ª Baruque, além de a Bíblia Ortodoxa Siríaca excluir o livro de 2ª Pedro, 2ª e 3ª João, Judas e o Apocalipse? E por que a Igreja Ortodoxa Russa a partir do século XVII também retirou os “deuterocanônicos” do AT de suas Bíblias? Se vocês são tão iguais, por que não começam pela própria Bíblia?
 
Católico – A questão do cânon é de menor importância. No resto, quando se trata de doutrina, somos muito iguais aos ortodoxos, somos como irmãos.
 
Evangélico – A sua alegação é simplesmente equivocada. Se a questão do cânon bíblico não fosse suficientemente importante a ponto de dividir no meio duas partes divergentes, então o Concílio de Trento não teria lançado um anátema (=maldição) naqueles que criam diferente do cânon proposto por eles:
 
"Finalmente a 8 de Abril de 1546, por um voto de 24 a 15,com 16 abstenções, o Concílio sancionou um decreto (De Canonicis Scripturis) no qual, pela primeira vez na história da Igreja, a questão do conteúdo da Bíblia foi feito um artigo absoluto de fé e confirmado com um anátema(Bruce M. Metzger, The Canon of the New Testament, 1987, p. 246)
 
Se alguém não aceitar como sacros e canônicos esses livros na íntegra com todas as suas partes, como era costume serem lidos na Igreja Católica e como se encontram na edição antiga da Vulgata Latina; e desprezar ciente e premeditadamente as preditas tradições: - seja excomungado (Concílio de Trento, Sessão IV, 783)
 
Veja que o Concílio de Trento lançou uma maldição (anátema) sobre todos aqueles que não concordassem com o cânon deles, além de uma excomunhão. Em resumo, como você pode afirmar que há uma igualdade de parecer entre católicos romanos e ortodoxos, se os romanos lançam uma maldição e uma excomunhão pra cima daqueles que não concordam com o cânon proposto por eles, o que inclui a Igreja Ortodoxa? Que tipo de “irmão” que se separa do outro, chama o outro de amaldiçoado e o exclui da comunhão na Igreja?
 
Católico – No ponto do cânon bíblico pode até ser, mas nas outras doutrinas somos muito iguais!
 
Evangélico – Tão “iguais” que um proclama, dezenove séculos depois de Cristo, em 18 de Julho de 1870, o dogma da infalibilidade papal (referente ao bispo da Igreja de Roma). Este é um dogma totalmente rejeitado pelos orientais, e, como todo e qualquer dogma romano, eles lançam um anátema e uma excomunhão naqueles que creem diferentes de Roma, que rejeitam que a Igreja Romana seja a “Mãe e Mestra de todas as Igrejas” (Trento, 859. Cân.3). Como se sabe, a Igreja Ortodoxa rejeita a infalibilidade papal, rejeita dogmas de Roma e rejeita a primazia jurisdicional da Igreja Romana!
 
Católico – Este é um problema deles. Mas em outros assuntos nós somos iguais; aceitamos os mesmos concílios, temos doutrinas semelhantes.
 
Evangélico – Não é verdade que romanos e ortodoxos aceitam os mesmos concílios. A Igreja Ortodoxa só admite sete Concílios, enquanto a Romana adota vinte e um. Isso significa que a Igreja Ortodoxa rejeita aproximadamente 70% dos concílios aceitos por Roma. Se isso significa “igualdade”, fica difícil de saber o que é “diferente” pra você.
 
Católico – Tudo bem, eu admito que somos divergentes na questão dos concílios também. Mas no que há de mais importante em nossa religião – os dogmas marianos – os nossos irmãos ortodoxos estão em comum acordo conosco!
 
Evangélico – Este não passa de mais um engano. Para os ortodoxos, Maria foi concebida em estado de pecado original, à semelhança das demais criaturas. A definição da imaculada conceição de Maria só se deu no ano de 1854 d.C (ou seja, dezenove séculos depois de Cristo!), por definição do papa Pio IX, já quando a Igreja Romana estava separada há muitos séculos da Igreja Ortodoxa. Novamente, os ortodoxos estão sobre o “anátema” de Roma nisso também.
 
Católico – Pode ser que eles neguem alguns dogmas marianos, mas na questão fundamental da vida após a morte somos todos iguais. Cremos no Céu, cremos no inferno, cremos na ressurreição, cremos no purgatório. Que diferença há?
 
Evangélico – Crer em “Céu, inferno e ressurreição” todo mundo crê, até os protestantes que você tanto condena. Mas a Igreja Ortodoxa difere da Romana exatamente na maior invenção criada por ela: o purgatório. Ou seja, na única coisa que vocês deveriam mostrar estarem unidos contra os protestantes, ainda nisso são desunidos!
 
Ademais, vale ressaltar que os ortodoxos também não creem na existência do limbo, que é mais uma das invenções papais. E, como se não bastasse, a Igreja Ortodoxa não admite a existência de um Juízo Particular para apreciar o destino das almas, imediatamente, logo após a morte, senão um só Juízo Universal. Ou seja, se a questão é vida após a morte, novamente vemos que a Igreja de Roma não tem nada a ver com a Ortodoxa!
 
Católico – Você já está me enchendo a paciência! A Igreja Romana é unida à Ortodoxa e ponto final! Não existe essa história de “divisão” quando o assunto é a Igreja Católica! Isso é coisa do protestantismo! Nos pontos mais importantes da fé cristã, tais como o batismo, as imagens, a eucaristia e o matrimônio, somos iguais aos ortodoxos! As diferenças são mínimas!
 
Evangélico – Estamos vendo que as diferenças entre uma igreja católica e outra, quando colocadas na prática, são imensas. Além disso, não é verdade que elas se unem nestas questões que você julga serem “mais importantes”. Sobre o batismo, a Igreja Romana adota o batismo por aspersão; já na Ortodoxa, o batismo é feito por imersão, igual ao protestantismo.
 
Sobre as imagens, na Igreja Ortodoxa só se permitem ícones nos templos, e não imagens de escultura, como ocorrem aos montões nos templos da ICR e nas casas de cada fiel. Sobre a eucaristia, a comunhão dos fieis é efetuada com as duas espécies na Igreja Ortodoxa: pão e vinho. Já na Igreja Romana, os fieis não podem comer o pão. Isso é particularmente notável, pois Jesus disse que aquele que não beber do seu sangue (representado pelo vinho) não tem vida em si mesmo (Jo.6:53).
 
E, sobre o matrimônio, na Igreja Romana o celibato dos padres é obrigatório; já na Ortodoxa, o celibato é opcional, como também ocorre nas igrejas evangélicas, onde o pastor e os demais líderes tem o poder de escolha se vão se casar ou viverem solteiros. Muitos apóstolos foram casados, como é o caso Pedro (Mt.8:14; 1Co.9:5), assim como os irmãos do Senhor (1Co.9:5), o evangelista Filipe (At.21:8,9), além de líderes de igrejas locais, como é o caso de Áquila e Priscila que eram líderes da igreja da Ásia (1Co.16:19).
 
Vale a pena também ressaltar que a Igreja Ortodoxa jamais admitiu a existência de indulgências, além de não existirem as devoções ao Sagrado Coração de Jesus, Corpus Christi, Via Crucis, Rosário, Cristo-Rei, Imaculado Coração de Maria e outras comemorações semelhantes a estas. Em resumo, a única coisa que mais existe realmente entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Católica do Oriente é a divisão.
 
Católico – Tudo bem, já chega! Eu sempre disse que estes ortodoxos são hereges, assim como os protestantes!
 
Evangélico – Percebe que sempre quando provamos a vocês que vocês dividem e são divididos, você chama os outros de hereges, ao invés de olhar para si mesmos?
 
Católico – Isso é porque a Igreja Católica é a única Igreja de Cristo! É a única Igreja de Cristo! É a única Igreja de Cristo! (...) (...) (...) É a única Igreja de Cristo!
 
Evangélico – Mesmo partindo do pressuposto completamente absurdo de que o conceito de ekklesia (Igreja) fosse uma instituição religiosa, de qual “Igreja Católica” você está se referindo? Em qual delas temos que crer?
 
Católico – Como assim? Ora, você tem que crer na minha, e ponto final!
 
Evangélico – E como você prova que a sua “Igreja Católica” é a certa, a “única Igreja de Cristo” como vocês gostam de repetir à exaustão, se a Igreja Ortodoxa – que vimos que tem doutrinas e dogmas totalmente divergentes de Roma – nasceu antes mesmo de a Igreja chegar a Roma, foi o lugar onde os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos, em Antioquia (At.11:26), dizem que conservam também “tradições orais” (embora sejam bem diferentes da tradição oral de Roma!), também remontam aos apóstolos, também tem uma lista de sucessão e também tem dois mil anos de existência? Em quem devemos crer? Como você prova que a sua Igreja Católica é a certa?
 
Católico – Bem... bem... eu creio que a minha é a certa porque... porque a Igreja Católica é a única Igreja de Cristo! É a única Igreja de Cristo! (...) (...) (...) (...) (...) e porque não existia protestantismo por 1500 anos!
 
Evangélico – Dizer que a Igreja Católica é a certa porque o Protestantismo é errado é tão lógico quanto afirmar que Islamismo é verdadeiro porque o Ateísmo é falso. Além disso, você, além de não conseguir provar que a Igreja de Cristo é uma entidade institucionalizada com sede em Roma, não consegue também provar que a sua é a certa, pois está acostumado a argumentar que a sua é a certa porque “tem dois mil anos”, “remete aos apóstolos”, “guarda tradições”, mas nada disso é levado em conta contra os ortodoxos, visto que eles também possuem todas essas coisas e, inclusive, a Igreja do Oriente foi fundada antes que a Igreja de Roma! Sendo assim, estes argumentos que você está acostumado a lidar são absolutamente falaciosos em sua totalidade.
 
Católico – A Igreja Romana é a única Igreja fundada por Cristo porque prega as doutrinas certas!
 
Evangélico – Percebe que você saiu do âmbito que trabalhava e começou a argumentar com outros argumentos, depois que percebeu que aqueles de cima eram ambíguos, não resolviam nada e eram falaciosos? Por sinal, agora você está argumentando o mesmo que os evangélicos: somos a Igreja de Cristo porque pregamos a doutrina certa. Como podemos saber a doutrina certa? Remontando-nos às Escrituras Sagradas, assim como fizeram os Reformadores quando Roma já estava totalmente decaída. Parabéns, você acaba de validar os argumentos protestantes!
 
Católico – Espere aí, você está indo longe demais! Só existe uma única Igreja Católica, deixe os ortodoxos de lado, eles nem são católicos mesmo!
 
Evangélico – Se existe “uma única Igreja católica” que é “a única Igreja de Cristo”, então é qual delas?
 
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Católico – Você está sendo falacioso! Não se pode usar dados do IBGE para apontar a existência da pluralidade de igrejas católicas!
 
Evangélico – Mas qual é o método que vocês usam para apontar a existência de várias “igrejas evangélicas”?
 
Católico – Dados do IBGE...
 
Evangélico – Então, por que a metodologia aplicada por vocês só é válida quando aplicada contra o Protestantismo, mas não vale quando por este mesmo método a própria Igreja Católica é colocada em descrédito?
 
Católico – Porque isso só vale contra os crentes!
 
Evangélico – Hum... entendo. Você quer desistir de debater sobre a divisão no meio protestante ou ainda pensa que o seu teto não é de vidro?
 
Católico – Claro que eu não me convenci! A única coisa que eu sei é que a minha Igreja é a Igreja de Cristo! Não importa os ortodoxos e nem as outras milhões de “igrejas católicas” que dizem remontar aos apóstolos, eu só creio na Igreja Católica Apostólica Romana!
 
Evangélico–  Ah, é mesmo? Então me diga: você é carismático (da Renovação Carismática Católica) ou tradicional?
 
Católico – Sou tradicional, mas respeito o movimento carismático e tenho muitos amigos católicos de lá.
 
Evangélico – Se na Igreja Católica Romana não há divisões (porque já provamos que na Igreja Católica há muitas!), você concorda ou não com a prática do falar em línguas estranhas nos cultos?
 
Católico – Línguas estranhas? Não concordo com isso! Isso é um absurdo do protestantismo! Esse dom não passava de línguas idiomáticas no século I! Os hereges protestantes que reinventaram e deturparam tudo!
 
Evangélico – É mesmo? Então por que razão o movimento carismático da Igreja Católica Romana adota com frequência o falar em línguas nos seus cultos, incentiva à busca do dom por parte do fiel e até tem um conceito bem distinto sobre o batismo no Espírito Santo em relação àquilo que é crido pelos tradicionais?
 
Católico – Não confio nessas suas declarações. Prove!
 
Evangélico – Será que você nunca entrou num culto da RCC?
 
Católico – Não...
 
Evangélico – Então veja o que este famoso padre deste movimento carismático da Igreja de vocês tem a nos ensinar sobre o assunto...
 
 
Tem também legendado, se você acha que fica mais fácil de entender:
 
 
Católico – Isso é um absurdo! Deve ser montagem! Estes protestantes estão fazendo montagens de vídeos para caluniar a única Igreja de Cristo! Os carismáticos falam em línguas, mas isso não é nada em comparado com as divisões existentes no protestantismo! Veja aqueles pastores que impõe as mãos e fazem os outros caírem no chão! Isso é ridículo! Só pode ser vindo de uma seita dividida!
 
Evangélico – É verdade? Então, como você explica este vídeo, onde um padre da RCC impõe as mãos e as freiras caem tudo no chão pelo “poder do Espírito”? Ou serão mais “montagens protestantes”?
 
 
E não para por aqui: os carismáticos também têm seus padres que gravam CDs e fazem mega shows, ensinam o povo a falar em língua estranha no YouTube, imitam e pajeiam tudo aquilo que é feito no protestantismo: retiros, curso de cura interior e libertação, etc. Agora eu lhe pergunto: quem está certo? Os tradicionais, que pregam contra tudo isso, ou os carismáticos, que são totalmente a favor de uma série de práticas herdadas pelo pentecostalismo norte-americano?
 
Católico – Não gosto de nada relacionado ao protestantismo! Os protestantes são todos hereges! Sou a favor da única Igreja de Cristo, a Igreja Romana anti-carismática!
 
Evangélico – Agora já não é mais Igreja Católica nem Igreja Romana, mas Igreja anti-carismática?
 
Católico – Foi o termo mais adequado que eu encontrei.
 
Evangélico – Tudo bem, continuemos. Vamos tirar o véu e revelarmos a verdade sobre este movimento carismático que surgiu na Igreja Romana. Vamos analisar um pouco da sua história para chegarmos a algumas conclusões a respeito:
 
“A renovação carismática, inicialmente conhecida como movimento católico pentecostal, ou católicos pentecostais, depois por católicos renovados e hoje como católicos carismáticos surgiu em 1967, quando Steve Clarck, da Universidade de Duquesne, em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, durante o Congresso Nacional de "Cursilhos de Cristandade", mencionou o livro “A Cruz e o Punhal”, do pastor protestante John Sherril, sobre o trabalho do pastor David Wilkerson com os drogados de Nova York, dizendo que o inquietava e que todos deveriam lê-lo.
 
Em 1966, católicos da Universidade de Duquesne reuniam-se para oração e conversas sobre a fé. Eram católicos dedicados a atividades apostólicas, mas, ainda assim, insatisfeitos com a sua experiência religiosa. Em razão disso, decidiram começar a orar para que o Espírito Santo se manifestasse neles. Querendo vivenciar a experiência com o Espírito, foram ao encontro de William Lewis, sacerdote da Igreja Episcopal Anglicana, que por sua vez os levou até Betty de Showaker, que fazia em sua casa uma reunião de oração pentecostal.
 
Em 13 de janeiro de 1967, Ralph Keiner, sua esposa Pat, Patrick Bourgeois e Willian Storey vão à casa de Flo Dodge, paroquiana epicscopal de William Lewis, para assistir a reunião. Em 20 de janeiro assistem mais uma reunião e suplicam que se ore para que eles recebam o “Batismo no Espírito Santo”.Ralph recebe o dom de línguas (fenômeno chamado no meio acadêmico de glossolalia). Na semana seguinte, a fevereiro de 1967, Ralph impõe as mãos para que os quatro recebam o batismo no Espírito.
 
Em janeiro de 1967, Bert Ghezzi comunica a universitários de Notre Dame, South Bend, Indiana, o que teria ocorrido em Pittsburg. Em fevereiro, antes do retiro de Duquesne, Ralph Keifer vai a Notre Dame e conta suas experiências. Em quatro de março, um grupo de estudantes se reúne na casa de Kevin e Doroth Ranaghan. Um professor de Pittsburg partilha a experiência de Duquesne, e em 5 de março de 1967 o grupo pede a imposição de mãos para receber o Espírito Santo.
 
Após a Semana Santa, realizou-se um retiro em Notre Dame para discernir o que seu Deus supostamente estaria querendo com essas manifestações. Participam professores, alunos e sacerdotes. 40 pessoas de Notre Dame e 40 da Universidade de Michgan, entre os quais Steve Clark e Ralph Martin, que em 1976 iriam para a Universidade de Michigan, em Ann Arbor”
 
Vamos ver, então, como é que surgiu este tal movimento:
 
1. Os católicos eram chamados de “pentecostais” ou “renovados” (qualquer semelhança com “pentecostalismo” ou “reformados” não passa de mera coincidência, é claro).
 
2. Tiveram inspiração em um livro protestante, escrito por um pastor protestante inspirado na história de outro pastor protestante!
 
3. Foram ao encontro de um sacerdote da Igreja Anglicana.
 
4. Se envolveram em reuniões de orações com pentecostais.
 
5. Receberam o “batismo no Espírito Santo” exatamente como é crido pelos evangélicos pentecostais e totalmente contra o ensinamento tradicional da Igreja Romana.
 
Em resumo, posso dizer a você, caro amigo católico, que na história deste movimento estão envolvidos pastores, igrejas pentecostais, pentecostalismo, oração em línguas, livros evangélicos, igreja anglicana, batismo do modo pentecostal/protestante... apenas uma coisa me surpreende nisso tudo: não há nenhum sinal de ligação com a Igreja Católica Romana tradicional, mas apenas com aqueles que você chama de “hereges” e “líderes de seitas”!
 
Católico – Nunca gostei mesmo destes carismáticos! Não considero eles como católicos de verdade, não passam de pentecostais disfarçados, que envergonham a Igreja Católica e que causam divisões em nosso meio!
 
Evangélico – Divisões? Na “única Igreja de Cristo”? Creio que eu não ouvi isso...
 
Católico – Você não ouviu isso mesmo, porque eu não disse que os carismáticos fazem parte da única e legítima Igreja de Cristo, a Igreja Católica. Eles não são católicos verdadeiros, portanto não há divisão em nosso meio causado por eles.
 
Evangélico – Muito interessante o seu método de pesquisa. Pra você, qualquer um que prega algo diferente daquilo que você gosta já é taxado de “herege” e “fora da Igreja de Cristo”. Se há divisão com os ortodoxos, são os ortodoxos que são os hereges, e não vocês. Se há divisão com outras milhares de igrejas chamadas “católicas”, são elas que são seitas, e não a sua. E, se há divisão com os carismáticos, são eles que não são católicos de verdade, não vocês. Pra você, basta taxar logo de “herege” qualquer um que aparente pregar algo que você discorde. Pra mim, você só não quer reconhecer divisões óbvias existentes entre vocês, puramente por orgulho.
 
Católico – Mas você está enganado! O movimento carismático não é aprovado pelo papa! Ele não é realmente católico!
 
Evangélico – Se é assim mesmo, quando foi que o papa emitiu um comunicado de excomunhão aos carismáticos, assim como fez há mil anos atrás com os ortodoxos? Se eles não são mesmo católicos, então não deveriam passar pelo consentimento do papa. Se passam, é porque o papa não tem nada contra eles e os considera sim como católicos. E, se são católicos, e não cismáticos ou hereges, então a “única Igreja Católica” tem realmente muitos problemas – também conhecidos como “divisões” – a tratar. Aliás, sabe por que o papa não excomunga todo mundo de uma vez?
 
Católico – Não sei. Por que?
 
Evangélico – Porque perderia 100 milhões de fieis (carismáticos) de uma vez só. Você acha que ele seria doido de perder tantos fieis num só dia? É claro que não. Melhor deixar quieto, fingir que não existem divisões no meio católico e continuar tudo do jeito que está, fazendo de conta que divisão é uma palavra somente relacionada ao meio evangélico.
 
Católico – Onde você quer chegar com tudo isso? Você acha que simplesmente revelando os erros e divisões dentro do catolicismo vai validar o protestantismo? Eu nunca vou virar protestante na minha vida! Prefiro crer no papa do que crer em você!
 
Evangélico – Estou apenas mostrando a incoerência católica. Primeiro, dizem que não há divisões. Quando, porém, mostramos a divisão entre a Igreja Católica do Ocidente e a do Oriente (divisão essa que já subsiste há séculos), eles colocam a sujeira para debaixo do tapete, tentando fazer de conta que tal divisão não existe na prática. Mas, quando tiramos a sujeira debaixo do tapete e vemos que existem tantas divergências entre a Igreja Romana e a Ortodoxa quanto Deus e o diabo, a única saída é chamar os ortodoxos de hereges – coisa que já foi feita há um milênio atrás – medida essa que pode parecer radical, mas que não muda uma vírgula da divisão que existe e continua existindo entre eles.
 
Depois, quando passamos a tratar somente e exclusivamente da Igreja de Roma, vemos que mesmo assim divisões continuam existindo ali dentro aos montões, embora novamente a sujeira seja jogada para debaixo do tapete, por muitos que fazem de conta que ela não existe. Então, quando mostramos todas as divergências e contradições entre o movimento carismático e o tradicional, eles simplesmente fazem com os carismáticos o mesmo que já fizeram com os ortodoxos. É o grupo mais radical que existe, e, além de tudo, é orgulhoso ao extremo, pois faz de tudo para manter escondido os seus erros, desvios, divisões e defeitos.
 
Enquanto entre os evangélicos não há qualquer “mistério” em confessarmos que existem sim certas divergências entre os tradicionais e pentecostais, os católicos não admitem que mostremos que existe essa mesma divergência de forma ainda maior dentro do próprio catolicismo romano. Ou seja, contradições existem dos dois lados, mas só um dos lados é honesto o suficiente para admitir isso. Sendo assim, se o conceito de ser a “única Igreja de Cristo” é não possuir divisão nenhuma, então certamente a Igreja Católica (seja lá qual delas) é a última que pode se enquadrar neste quadro.
 
Católico – Eu admito que depois dessa nossa conversa existem sujeiras e divisões dentro do catolicismo, mas ainda creio que aquilo que ocorre no protestantismo é muito pior. Por isso, continuo sendo católico e ponto final!
 
Evangélico – Então, a sua opinião é de ficar com o menos ruim?
 
Católico – É mais ou menos por aí. O protestantismo está com muito mais defeitos que o catolicismo. Portanto, entre ser católico ou protestante, fico mil vezes com o catolicismo, porque tem menos divisões do que o protestantismo!
 
Evangélico – Já mostrei várias divisões existentes dentro do catolicismo, mas com que argumentos você tem a dizer que o protestantismo é tão pior ao ponto dos erros do catolicismo serem clamuflados?
 
Católico – Por exemplo, alguns creem na divindade de Cristo; outros, não!
 
Evangélico – Todos os evangélicos creem na divindade de Cristo; aqueles que não creem são geralmente chamados de “Testemunhas de Jeová”, e eles próprios não se intitulam protestantes evangélicos! Aliás, a sua doutrina oficial é a de que “todas as religiões são do diabo” ("A Sentinela", p. 62), e eles incluem o protestantismo nisso, pois eles creem que todos aqueles que acreditam na Santíssima Trindade são idólatras e politeístas, e, por isso, não são de Deus – só eles que são!
 
Aliás, este é um erro clássico dos apologistas católicos: vocês fazem listas ridículas de “discordâncias” entre uma igreja e outra, mas sempre se apegam a uma ou outra igreja que nem mesmo se auto-intitula protestante, ou seja, classificam como “evangélica” uma igreja que não é evangélica e depois querem dizer que há divisões no meio evangélico! Faça-me o favor: se existe apologética católica unida à honestidade, use-a!
 
Católico – Ok, tudo bem. Mas em outras coisas você não há de questionar, pois são de igrejas realmente evangélicas da Reforma. Veja, por exemplo, o caso da Igreja Presbiteriana, que batiza bebês e realiza batismo por asperção. A maioria das outras igrejas não segue esta regra! E aí, como é que fica?
 
Evangélico – Em primeiro lugar, cabe-se aqui ressaltar o fato de que 99% das igrejas protestantes não batizam bebês. As exceções são tão raridade nos dias de hoje que nem chega a fazer alguma “divisão”! O próprio caso da Igreja Presbiteriana é um exemplo disso. Eles somente permitem o batismo infantil, e o batismo por asperção também é uma opção, visto que muitas igrejas presbiterianas já estão batizando por imersão, pois a forma do batismo não é mais importante do que o batismo em si.
 
Além disso, se a forma de se batizar é determinante para causar divisões, então o catolicismo tem que se explicar o porquê dos orientais batizarem por imersão e os romanos por asperção, se ambos dizem ter a mesma tradição oral que remonta aos apóstolos. Será que os ouvidos dos orientais não eram suficientemente eficientes para ouvirem a mesma “tradição oral” que era transmitida em Roma?
 
Católico – Mas e quanto à divergência entre os tradicionais e os pentecostais? Uns creem na atualidade dos dons espirituais, outros não!
 
Evangélico – Isso não é nada a mais do que exatamente a mesma coisa que ocorre no catolicismo, como já foi demonstrado acima.
 
Católico – E quanto à escatologia? Você sabe que uns protestantes são preteristas, outros pré-tribulacionistas e outros pós-tribulacionistas!
 
Evangélico – A mesma coisa ocorre também no catolicismo romano. O catecismo romano chega longe de dar qualquer veredicto sobre o assunto do Apocalipse, de modo que as conjecturas dos católicos também estão bem apuradas. Uns creem no preterismo, outros no pré-tribulacionismo, outros no pós-tribulacionismo, e outros marcam data para a volta de Jesus (veja aqui).
 
Católico – Mas e quanto aos pastores homossexuais que tem igrejas que pregam a favor do homossexualismo?
 
Evangélico – Eles não são tão pastores quanto os padres que pregam exatamente as mesmas coisas na Teologia da Libertação, como você pode ver clicando aqui. É claro que você vai dizer que “eles não são católicos” (como você faz com todos os que você não gosta, como já fez com os ortodoxos e com os carismáticos), mas se eles não são legitimamente católicos por pregarem doutrina que vai contra Roma, nós também não consideramos eles legitimamente evangélicos por pregarem doutrina que vai contra a Bíblia. Portanto, dois pesos, duas medidas! Dizer que as igrejas evangélicas apoiam o homossexualismo ou algo do tipo só porque algum falso "pastor" prega isso, seria o mesmo que dizer que a Igreja Católica prega contra a existência do diabo porque o padre Quevedo não acredita nele.
 
Católico – Você está querendo provar que não existe divisão no meio protestante?
 
Evangélico – Não é isso o que eu estou querendo provar, já disse que não sou como os católicos que escondem os seus erros e hipocritamente acusam os outros que praticam as mesmas coisas, cumprindo Lucas 6:41. O ponto principal é que muita coisa dessa suposta “divisão protestante” que os católicos listam não passa de sensacionalismo barato feito em cima de seitas que não se consideram evangélicas/protestantes, ou em cima de líderes de certas igrejas que são fechadas às demais, que ensinam que só eles podem alcançar a salvação ou que adicionam algum livro além da Bíblia para formularem suas doutrinas.
 
Portanto, apelarem para Joseph Smith, Ellen White, Charles Russel, ou a igrejas fechadas que não pregam salvação senão dentro delas, tal como é o caso das Testemunhas de Jeová, dos Mórmons e de outros, é argumentarem no vazio, espancando um espantalho. Em outras palavras, a tática católica consiste em pegar uma igreja duvidosa, na grande maioria das vezes que nem ela mesma se considera protestante(!) e que não segue a Sola Scriptura, e depois comparar com uma igreja realmente evangélica, e demonstrarem contradições entre elas. Por exemplo, eles pegam:
 
Testemunhas de Jeová (não creem na divindade de Cristo)
 
Com:
 
Igreja Batista (crê na divindade de Cristo)
 
E, então, a “conclusão” que eles chegam é que existe uma “divisão”, pois uma crê na divindade de Cristo e a outra não. Aparentemente, realmente há uma contradição aqui. Contudo, o erro não se encontra no fato de que as TJS não crerem em Cristo e na Batista crer, mas sim no fato de que as testemunhas de Jeová não são protestantes. Nem eles próprios se julgam ou se intitulam protestantes/evangélicos e, portanto, formam uma religião separada, sem ligação com os evangélicos, que eles próprios condenam vigorosamente.
 
Então, o quadro acima é falacioso pelo simples fato de que o autor se utilizou desonestamente de um exemplo onde une uma seita não-protestante (no caso, as TJS) com uma igreja verdadeiramente evangélica. Mas, se ele fizesse uso de duas igrejas legitimamente evangélicas, não haveria “divisão” nenhuma”, como podemos ver no mesmo exemplo específico quando colocado, no lugar das TJS, uma outra que seja verdadeiramente evangélica, por exemplo:
 
Igreja Quadrangular (crê na divindade de Cristo)
 
Com:
 
Igreja Batista (crê na divindade de Cristo)
 
Perceba que, quando substituímos a igreja não-protestante que os católicos usam para caluniar os evangélicos, e colocamos no lugar uma denominação protestante reconhecidamente evangélica, mantendo a segunda igreja do primeiro exemplo, as contradições desaparecem e não surge mais contradição nenhuma!
 
Em outras palavras, os exemplos que os católicos passam só dão certo quando eles se utilizam de certas igrejas que os próprios protestantes consideram duvidosas ou reconhecidamente como sendo seitas. Quando tiramos essas de lado e ficamos apenas com aquelas que todos reconhecem como sendo evangélicas, as contradições se resumem a um tanto tão baixo que até o catolicismo passa a ter mais divisões!
 
Católico – Duvido! Quero que você passe uma lista com, pelo menos, umas vinte doutrinas que todas as igrejas verdadeiramente evangélicas creem!
 
Evangélico – Como quiser. Nas questões primárias e mais importantes, fundamentais para a salvação, todas as igrejas verdadeiramente evangélicas estão em plena concordância entre elas, em assuntos tais como:
 
1. Divindade de Cristo
2. Divindade do Espírito Santo
3. Santíssima Trindade
4. Sola Scriptura
5. Sola Christus
6. Soli Deo Gloria
7. Sola Fide
8. Sola Gratia
9. Juízo Final
10. Existência do Céu
11. Condenação para os incrédulos
12. Ressurreição dos mortos
13. Glorificação dos corpos
14. Vida eterna
15. Morte eterna
16. Existência do sacramento do batismo
17. Existência do sacramento da Ceia do Senhor
18. Divórcio proibido a não ser em casos de adultério
19. “Igreja” vista como sendo um Corpo e não uma Instituição
20. Existência de anjos
21. Existência de demônios
22. Segunda Vinda de Cristo
23. Culto somente a Deus
24. Um único e suficiente salvador: Jesus Cristo
25. Cânon Bíblico de 39 livros do AT
26. Cânon Bíblico de 27 livros do NT
27. Um único redentor
28. Uma única existência terrena (negação à reencarnação)
29. Um único mediador entre Deus e os homens
30. Uma única pessoa digna de toda a adoração: Deus
31. Uma única pessoa digna de todo o louvor: Deus
32. Salvação obtida pela graça, por meio da fé
33. O Verbo de Deus, Jesus Cristo, se fez verdadeiro homem
34. Jesus realmente foi crucificado, morto, ressuscitado e glorificado
35. Suficiência da Sagrada Escritura para a salvação
36. O pecado original
37. Bíblia como sendo a inspirada e infalível Palavra de Deus escrita.
38. Ceia do Senhor ministrada aos fieis com ambas as espécies (pão e vinho)
39. Oblação única de Cristo sobre a cruz
40. Recompensa e galardão futuro para os salvos
 
Você pediu vinte, eu te dei quarenta, e poderia dar cem, se eu quisesse. O fato é que nos pontos principais e mais importantes (primários) para a salvação do homem, nós somos unidos, não divididos. As divergências entre as igrejas realmente evangélicas vem em questões menores, como calvinismo com arminianismo ou os dons espirituais. Mas tais divergências menores não chegam nem perto de interferir na salvação do homem, e ocorrem aos montões na própria Igreja Católica.
 
As diferenças mais substanciais e realmente relevantes são somente quando eles comparam uma seita com uma igreja evangélica, e não quando comparam uma igreja verdadeiramente evangélica com outra. Qualquer um que vá numa igreja Quadrangular, depois numa Batista e depois numa Assembleia, não irá notar praticamente diferença nenhuma entre elas. O que muda é se o pastor é mais calmo ou se grita mais, se tem ou não tem profecia, se usa terno ou não, se o povo é mais moderado ou mais agitado. Mas a doutrina é a mesma. A mensagem de Cristo é a mesma. Os 40 pontos acima (e muitos outros) são os mesmos em todas as igrejas evangélicas.
 
Se não fosse assim, não existiria uma única Marcha pra Jesus que reúne a maioria das denominações realmente evangélicas (mais de cinco milhões de pessoas só em SP!). Existiria, ao contrário, uma Marcha da Sara Nossa Terra, uma Marcha da Igreja da Graça, uma Marcha da Batista e uma Marcha da Bola de Neve. No entanto, um único evento reúne as denominações, mostrando que o que nos une é muito mais forte do que o que dizem que nos desune.
 
Católico Mas e os Pais da Igreja? Eles não tinham divergências como vocês! Todos eram católicos; portanto, todos falavam a mesma língua!
 
Evangélico Você está mesmo certo disso?
 
Católico Com certeza! Como católicos apostólicos romanos, os Pais da Igreja pregavam sempre as mesmas coisas!
 
Evangélico Bem, vejamos. Tertuliano, Helvídio, Hegesipo e Eusébio pregavam contra a virgindade perpétua de Maria ou pelo menos pregavam que os irmãos de Cristo eram irmãos de sangue. Porém, Jerônimo afirmou que os irmãos de Jesus eram somente primos. Se não há divisão de parecer entre os Pais da Igreja, então por que eles eram divergentes nisso?
 
Católico Isso é de menos! Mas nas outras questões eles eram bem semelhantes entre si.
 
Evangélico É mesmo? Bem, parece-me que vamos voltar ao diálogo sobre os ortodoxos até você se convencer que nem os Pais da Igreja eram tão "unidos" assim! Vejamos: na questão do cânon bíblico, dezoito Pais da Igreja pregaram a favor do cânon judaico de 22 livros, mas o Concílio de Cartago e o de Hipona (que também foram conduzidos por bispos) foram a favor da inclusão dos apócrifos. Está vendo a "divisão" aqui ou ainda está difícil?
 
Católico É fato que o tema do cânon bíblico tinha posições muito divergentes entre os Pais da Igreja. Mas, na questão doutrinária, eles eram unânimes, com certeza.
 
Evangélico Vamos explorar isso mais um pouco. Justino afirmou em seu Diálogo com Trifão (Cap. 80) que aqueles que criam que, no ato de morrer, as almas são elevadas ao Céu, não poderiam ser considerados cristãos, mas hereges. Arnóbio afirmou que a imortalidade incondicional da alma era fruto de pensadores recentes e fanáticos. Em contrapartida, Agostinho pregou fortemente a favor da imortalidade da alma, e muitos se uniram a ele nesse parecer. Se não há opiniões divergentes em termos doutrinários, o que significa isso?
 
Católico Mas era consenso unânime entre os Pais da Igreja que a pedra de Mateus 16:18 era Pedro, o fundamento da Igreja Católica. Portanto, no que há de mais importante na doutrina católica eles eram iguais!
 
Evangélico - Essa é mais uma distorção gritante dos fatos. Aproximadamente 40 Pais da Igreja pregaram contra a tese de que Pedro e seus sucessores fossem a pedra de Mateus 16:18, sendo que a posição majoritária era a de que a pedra em questão era Cristo ou a confissão de fé de Pedro em Cristo. O próprio Agostinho de Hipona se opôs fortemente à tese de que a pedra em questão era Pedro como pessoa, como você pode ver clicando aqui.
 
Católico Mas quando a questão era o culto aos santos e as imagens, todos eram a favor disso. Não vai me dizer que não!
 
Evangélico É... não? Orígenes e Lactâncio pregaram fortemente contra a inclusão de imagens no culto cristão; Lactãncio inclusive disse: "É indubitável que onde quer que haja imagens não há religião" (Instituições Divinas, 2:19). Outros vários Pais da Igreja se destacaram em sua oposição ao uso de imagens na Igreja, tais como Eusébio, Jerônimo, Agostinho, e até papas, como você pode ver clicando aqui. Na verdade, eu desafio a você trazer aqui qualquer assunto de importância doutrinária que não fosse causa de divergências dos grandes apologistas da época, que dividiam até mesmo os maiores.
 
Depois, te aconselho a ler os vários debates entre Agostinho e Jerônimo em cartas trocadas entre eles sobre as suas divergências sobre Pedro, sobre a circuncisão e até mesmo sobre as traduções de Jerônimo. Os Pais da Igreja, neste sentido, estavam muito mais parecidos com os evangélicos do que com os romanistas, se você quer realmente imaginar o catolicismo romano como sendo o mar de maravilhas sem divisões, sem conflitos, sem divergência nenhuma. A mais pura realidade é que os Pais da Igreja tinham divergências entre si tanto quanto os protestantes tem nos dias de hoje.
 
E, da mesma forma que eles não excomungavam qualquer um por qualquer coisa que um pensasse diferente do outro, mas apenas alguns que passavam dos limites (como Ário, que foi contra a divindade de Cristo), assim também nós, evangélicos, temos alguns pontos de divergências entre nós, mas que são de menor importância e não atingem a salvação ou santificação, e que podemos viver em harmonia e unidade mesmo com as nossas diferenças, assim como os Pais da Igreja viviam em harmonia mesmo com todas as suas diferenças. E, quando alguém passa dos limites (como as Testemunhas de Jeová que negam a divindade de Cristo), também não é reconhecido como sendo parte da comunidade evangélica (e nem eles mesmos se reconhecem como tal).
 
Portanto, o que ocorria nos primeiros séculos da Igreja Cristã é bem semelhante ao quadro que ocorre no protestantismo, embora você não queira admitir isso, por ter uma fantasia pintada de que tanto os Pais da Igreja quanto o catolicismo atual é repleto de maravilhas sem qualquer divisão, e que divisão é sinônimo apenas de protestantismo. A verdade é bem diferente! Se por haver "divisão" ou conflitos de opinião já significa que uma determinada igreja não é de Cristo, então nem sequer os próprios Pais da Igreja eram da Igreja de Cristo, visto que eles tinham inúmeras divergências entre si!
 
Católico – Mas, se é assim, por que existem tantas denominações evangélicas? São quase cinquenta mil! Se não há divisão, como você explica isso?
 
Evangélico – Em primeiro lugar, é irônico que sempre estes “dados” passados vem de católicos. Já vi sites católicos passarem o número de vinte mil; outros, de trinta mil, e agora tem gente que aumenta para cinquenta mil. Nunca vi um dado oficial sobre isso, tudo o que há neste assunto não passa de especulações sensacionalistas de sites católicos que sempre entram em discordância nos números consigo mesmos!
 
Mas os números realmente não importam. Se é menos de dez mil ou se é mais de cinquenta mil, não faz qualquer diferença. O que realmente é fundamental não é o número de igrejas (e já vimos acima que de “Igreja Católica” e de movimentos com este nome, que igualmente dizem remontar aos apóstolos, existe de um monte!), mas sim a doutrina que é pregada nessas igrejas. De nada adianta ser unido, se for unido em favor de uma heresia.
 
Por exemplo, os espíritas são extremamente unidos. Você vê mais brigas e discordâncias doutrinárias entre católicos do que entre espíritas. Você não vê movimentos de “renovação” ao espiritismo, não vê espiritismo “tradicional” e espiritismo “moderno”, como existe dentro do catolicismo. Ao contrário, o espiritismo, por incrível que pareça, e ainda que pregue um monte de heresias contra Cristo, ele é unido! Agora me responda: se ser “unido” é critério para ser a “Igreja de Cristo”, então por que você não é espírita?
 
Católico – Tem razão. Não creio que ser unido ou livre de divisões signifique alguma coisa, pois não adianta nada ser unido se for unido em favor do erro. Mesmo assim, é fato que a Bíblia condena as divisões, então creio que uma Igreja que tem divisões não pode ser uma igreja legítima.
 
Evangélico – Você está argumentando simplesmente no vazio, assim como fez o tempo todo. Já provei que o catolicismo do Ocidente está dividido há séculos com o do Oriente, que existem inúmeras e incontáveis igrejas que se chamam “católicas” e que remontam aos apóstolos e que pregam doutrinas divergentes entre si, e já provei que existe a divisão entre tradicionais e carismáticos. O que mais que você quer?
 
Além disso, embora seja fato indiscutível que a divisão não é apoiada biblicamente, não é verdade que o simples fato de uma igreja não ser completamente unida já signifique que ela é uma igreja apóstata. Veja, por exemplo, o que o apóstolo Paulo escreve à igreja de Corinto:
 
“Pois antes de tudo, quando vos congregais na igreja, ouço dizer que existem divisõesentre vós; e em parte o creio. Pois é necessário que haja facções entre vós, para que os aprovados entre vós se tornem manifestos” (1 Coríntios 11:18,19)
 
Veja que Paulo declara que os coríntios estavam tendo “divisões” entre eles. Se um católico desprevinido lesse este texto, iria pensar: “Oh, se tratam de protestantes, eles são divididos e por isso não são a Igreja de Cristo”! Porém, se analisarmos com mais calma, veremos que Paulo estava escrevendo a uma igreja legitimamente cristã, que estava realmente dividida em facções e que mesmo assim não deixava de ser Igreja de Cristo!
 
Ora, se o fato de uma igreja ser dividida fosse razão para desqualificá-la como sendo uma igreja apóstata, então Paulo não teria dito que aceitava que em parte aquilo acontecesse para o bem deles mesmos, a fim de que os aprovados fossem manifestos. E, ainda mais, ele afirma que “é necessário” que houvessem facções entre eles! Em outras palavras, a “divisão” que você tanto reclama não é apenas algo que pode ser permitido até certo ponto (como vimos na primeira parte do verso), mas é algo que tem que acontecer na igreja, que é necessário que aconteça!
 
E não adianta dizer que este versículo está “adulterado” ou não faz parte da Bíblia, pois ele está até na Bíblia católica:
 
“Em primeiro lugar, ouço dizer que, quando vos reunis em assembleia, há entre vós divisões, e, em parte, o creio. É preciso que haja até mesmo cisões entre vós, a fim de que se tornem manifestos entre vós aqueles que são comprovados” (1 Coríntios 11:18,19 – Bíblia de Jerusalém)
 
De acordo com o léxico da Concordância de Strong, a palavra utilizada por Paulo para caracterizar a divisão ali presente é “schisma” (de onde provém a palavra“cisma”), que significa divisão, dissensão:
 
4978 σχισμα schisma
de 4977; TDNT - 7:963,1130; n n
1) rasgão
2) metáf. divisão,dissensão
 
E o mais impressionante é que a palavra que é traduzida por “facções” na SBB e por “cisões” pela Bíblia de Jerusalém, no verso 19, é no grego a palavra hairesis”, de onde temos a palavra “heresia”, no português. Ou seja, Paulo estava dizendo que era necessário que houvesse heresias e facções no meio deles, para que os aprovados pudessem se tornar manifestos!
 
Se isso acontecia em pleno século I com uma igreja que realmente pertencia a Jesus Cristo, mesmo com todos os seus erros e divisões, e Paulo escreve que aquilo era mesmo necessário que ocorresse, por que raios então que os católicos criticam as igrejas evangélicas por esta mesma razão e afirmam que nós não podemos ser a Igreja de Jesus por causa das múltiplas denominações, que, como vimos, pregam doutrinas semelhantes, à exceção das seitas não-protestantes?
 
Se as divisões ocorriam na Igreja de Corinto e ainda assim eles continuavam sendo Igreja de Cristo mesmo com todas as facções, por que a “divisão” protestante deve ser motivo para determinar que não seja Igreja de Cristo? Se Paulo afirma que aquilo era necessário e até certo ponto benéfico que acontecesse, por que vocês criticam as igrejas evangélicas por terem aquilo que Paulo declara que era mesmo necessário que houvesse? Por que a Igreja de Corinto podia ter divisões e mesmo assim ser de Cristo, e as igrejas evangélicas não podem ter divisões, senão os católicos já vão dizer que não é de Cristo? Responda, católico!
 
Católico – Não tenho respostas a estas perguntas. Porém, se as divisões são necessárias até certo ponto, assim como as heresias, então por que razão vocês deixaram a Igreja Católica? Ora, se Paulo afirmou que era necessário que houvesse heresias e facções, e vocês dizem que a Igreja Católica era herege, por que não continuaram nela?
 
Evangélico – Boa pergunta. O fato é que, como vimos na passagem acima, Paulo afirma que é necessário que as heresias acontecessem “até certo ponto”, e que era para os aprovados serem manifestos. Ora, se é permitido “até certo ponto”, então é porque há um tanto que passa dos limites. Quando é que podemos saber como que uma igreja passa dos limites em heresias?
 
Simplesmente quando deixa de errar somente nas questões secundárias da fé e passa a corromper as próprias questões primárias e fundamentais para a salvação. Quando passam a declarar que é indispensável pertencer à sua organização para ser salvo ou estar submetido ao seu chefe, quando passam a declarar que uma criatura, por mais digna que tenha sido, como Maria, possa ser declarada, senão oficialmente, na prática como “co-redentora”,“onipotente” e “salvadora”, como fez o catolicismo romano há séculos, tal como podemos ver em um livro de Afonso de Ligório, considerado doutor e santo pela Igreja Romana, em seu livro “Glórias de Maria”:
 
“Feliz aquele que se abraça amorosa e confiadamente a essas duas âncoras de salvação: Jesuse Maria! Não perecerá eternamente” (pagina 31)
 
“Por conseguinte estão sujeitos ao domínio de Maria os anjos, os homens e todas as coisas do céu e da terra (pagina 35)
 
Se Maria é por nós, quem será contra nós? (pagina 90)
 
Sois onipotente, ó Maria, visto que vosso Filho quer vos honrar, fazendo sem demora tudo quanto vós quereis (pagina 100)
 
“Muitas coisas se pedem a Deus, e não se alcançam. Pedem-se a Maria, e conseguem-se(pagina 118)
 
"Salve esperança de minha alma... salve , ó segura salvação dos cristãos, auxílio dos pecadores, defesa dos fiéis, salvação do mundo (pagina 98)
 
“Ide a Maria! O Senhor decretou não conceder favor algum sem a mediação de Maria. Por isso nas mãos dela está nossa salvação (página 144)
 
“Em vós, Senhora, tendo colocado toda a minha esperança e de vós espero minha salvação (pagina 147)
 
“Acolhei-nos sob a vossa proteção se salvos nos quereis ver; pois só por vosso intermédio esperamos a salvação (pagina 147)
 
“Maria é advogada poderosapara a todos salvar” - “Maria é toda poderosa junto a Deus (pagina 151)
 
A partir do momento em que uma criatura é exaltada como Rainha dos Céus, Mãe de Deus, Salvação do Mundo, Onipotente, Toda-Poderosa, Medianeira das Graças, e ainda dizem coisas do tipo: “pedem-se coisas a Deus e não se alcançam; pedem-se a Maria e conseguem-se”; e: “se Maria é por nós, quem será contra nós?”, pode apostar que esta seita herética já está completamente corrompida pela mais ardente blasfêmia que uma criatura pode fazer ao Criador, ao rebaixá-Lo ao nível de uma criatura e elevar a criatura ao nível de deusa-mãe. Foi sobre isso que Paulo escreveu aos romanos em sua carta:
 
“Pois trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal... trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém” (Romanos 1:23-25)
 
Quando uma instituição religiosa, seja ela qual for, tendo dois mil anos de idade ou dois dias, chega ao ponto de cultuar uma criatura como se fosse o Criador, de se prostrar diante de imagens de escultura para prestar-lhes culto, de trocar a semelhança do Deus imortal por imagens do homem mortal, acontece com ela o que Paulo já previa há muito tempo:
 
“O mesmo zelo que Deus tem por vocês eu também tenho. Porque vocês são como uma virgem pura que eu prometi dar em casamento somente a um homem, que é Cristo.Pois, assim como Eva foi enganada pelas mentiras da cobra, eu tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e vocês abandonem a devoção sincera e pura a Cristo (2 Coríntios 11:2,3)
 
“Pois ainda que há os que se chamam deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), para nós, contudo, há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas, e para quem nós existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por quem são todas as coisas, e nós outros por ele” (1 Coríntios 8:5-6)
 
“Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42:8)
 
“Jesus lhe disse: Retire-se, Satanás! Pois está escrito: Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto (Mateus 4:10)
 
Quando uma instituição religiosa deixa de cultuar e servir “somente a um homem, que é Cristo”, e passa a servir e cultuar muitas criaturas; quando abandonam a devoção pura e sincera somente a Cristo e passam ser devotos de “santos” e “santas”; quando dão glória a outro(a) que não seja a Deus; quando exaltam “Nossa Senhora” quando biblicamente há “um só Senhor” – e não há “senhoras” – essa instituição religiosa deixou de entrar em divergência somente em questões menores de menor importância, e passou a estar completamente corrompida pelo engano de Satanás, pela mais pura idolatria, chegando a níveis até piores que os próprios pagãos!
 
Católico – Estou entendendo. Mas, nestas circunstâncias, o que é que devemos fazer, então?
 
Evangélico – Quando a situação chega neste ponto, caro amigo católico, Paulo diz para fazermos apenas uma só coisa: sair do meio deles!
 
Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: ‘Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo’. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso” (2 Coríntios 6:14-18)
 
Quando vemos que uma instituição religiosa foi infiel à Cristo, quando passou a prestar devoção a muitos outros e a cultuá-los, então nós, que queremos manter a fidelidade a Cristo, temos que nos apartar destes infiéis, temos que sair do meio deles, como Deus diz:
 
Ouvi outra voz do céu dizendo: Sai dela, povo meu, para não serdes participantes dos seus pecados, nem terdes parte nas suas pragas” (Apocalipse 18:4)
 
Se continuarmos fazendo parte de uma instituição religiosa que sabemos que está corrompida, só por causa de ter supostamente “dois mil anos”, estaremos sendo participantes de seus pecados, e seremos julgados e punidos por causa disso. Por isso, a ordem de Deus a nós é: “Saí do meio deles e separai-vos, diz o Senhor, E não toqueis coisa imunda; Eu vos receberei” (2Co.6:17).
 
Foi isso o que os Reformadores fizeram, quando viram que a apóstata Roma já havia perdido a “devoção pura e sincera somente a um homem, que é Cristo” (2Co.11:3), e se corrompido com as suas falsas doutrinas e falsos dogmas, acrescentados séculos ou milênios depois de Cristo, alterando e modificando o evangelho de Cristo que não poderia passar por nenhuma mudança ou acréscimo em relação à doutrina recebida pelos apóstolos e encontrada ans Sagradas Escrituras:
 
Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho;qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema(Gálatas 1:6-9)
 
“Declaro a todos os que ouvem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhe acrescentar algo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro. Se alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua parte na árvore da vida e na cidade santa, que são descritas neste livro” (Apocalipse 22:18-19)
 
Qualquer outro evangelho que fosse além daquele pregado por Paulo e pelos demais apóstolos deveria ser rejeitado como uma anátema. Qualquer acréscimo à Palavra de Deus deveria ser absolutamente rejeitado. Os dogmas e doutrinas que são frutos puramente de invenções e inovações de Roma, muitos deles declarados "infalivelmente" mais de mil anos depois de Cristo, não visam fazer outra coisa senão ir além daquilo que está escrito, e Paulo diz: “Não ultrapassem o que está escrito” (1Co.4:6).
 
Ultrapassar, ir além, acrescentar... são todas práticas constantes da Igreja de Roma, mas absolutamente repudiáveis à luz da Sagrada Escritura. Quando uma coisa dessas acontece, não temos outra opção a não ser nos separar deste grupo, remontar às origens e redescobrirmos o evangelho puro e verdadeiro nas Escrituras.
 
Católico – Eu não acredito que a minha Igreja apostatou, porque o papa é infalível! Se a Igreja de Roma é infalível, é impossível que ela tenha se desviado!
 
Evangélico – Em primeiro lugar, nunca foi provado que o papa é mesmo “infalível”, nem mesmo quando falando em ex cathedra. Este é um conceito católico que jamais existiu, senão em pleno ano de 1870, isto é, dezenove séculos depois de Cristo! Se existe alguma doutrina passível de perder toda a credibilidade, esta certamente é muito sugestionável.
 
Além disso, cabe-se ressaltar o fato de que muitos papas foram hereges que foram mais tarde corrigidos pela própria Igreja de Roma; muitos papas erraram em termos doutrinários e muitos entrarem em choque uns com os outros, e muitos papas caíram em heresia. Agostinho pregou fortemente contra a infalibilidade, como você pode ver aqui
 
Finalmente, a tese de que a Igreja de Roma jamais poderia se desviar da fé por ser supostamente dotada de “infalibilidade”, além de carecer inteiramente de fundamento (pois qualquer um pode sair por aí dizendo que é “infalível” e que não pode errar nunca), ainda entra diretamente em choque com aquilo que o apóstolo Paulo escreve aos próprios romanos:
 
“Se alguns dos ramos foram cortados, e se tu, oliveira selvagem, foste enxertada em seu lugar e agora recebes seiva da raiz da oliveira, não te envaideças nem menosprezes os ramos. Pois, se te gloriares, sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, talvez: Os ramos foram cortados para que eu fosse enxertada. Está certo. Eles, porém, foram cortados devido à incredulidade, e você permanece pela fé. Não se orgulhe, mas tema. Pois se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, bondade para contigo, desde que permaneça na bondade dele. De outra forma, você também será cortado (Romanos 11:17-22)
 
Paulo aqui deixou suficientemente claro que não eram os romanos que sustentavam a raiz, mas a raiz que sustentava eles. Por isso mesmo, eles deveriam temer, pois o Deus que não poupou os “ramos naturais” (israelitas) também não iria poupá-los! Ou seja, Paulo está dizendo que da mesma forma que os israelitas apostataram e caíram da fé, com os romanos poderia não ser diferente. Se eles não permanecessem na verdade de Deus, simplesmente seriam cortados, assim como foi com os israelitas que apostataram.
 
Paulo em momento nenhum indica que os romanos iriam permanecer firmes para sempre, que nunca iriam se desviar, que eram doutrinariamente infalíveis ou que a doutrina deles seria incorruptível. Muito pelo contrário! O que Paulo claramente aponta aos romanos não é a “infalibilidade” alegada pelos católicos, mas sim uma clara advertência a eles temerem serem cortados, assim como ocorreu com Israel sob a antiga aliança! Os católicos vivem como se fossem eles mesmos quem sustentassem a raiz, como se a Igreja deles fosse infalível e inerrante, e que todos aqueles que deixam a Igreja deles está apostatando, pois não está seguindo mais a verdade.
 
Em outras palavras, vocês não admitem a possibilidade de vocês mesmos apostatarem; por isso, preferem dizer que todos aqueles que largaram a igreja de vocês é que apostataram! O próprio caráter de suposta “infalibilidade” doutrinária ao bispo romano em formulação de dogmas e doutrinas da fé é uma arrogância e prepotência que tem por única finalidade inferir que a igreja de vocês simplesmente nunca pode se desviar do caminho ou errar o alvo; afinal, o magistério da igreja é “infalível”, não é mesmo? Ora, infalível significa “incapaz de erro”.
 
Os católicos, puramente por orgulho próprio e arrogância, consideram a sua Igreja “incapaz de erro”, incapaz de ser “cortada” ou de apostatar. Não consideram aquilo que Paulo diz: “Aquele que está de pé, cuide para que não caia”! – 1Co.10,12. O que o apóstolo alerta já no primeiro século é precisamente o oposto dessa teoria mirabolante dos católicos da “infalibilidade”: eles deveriam é temer serem cortados, pois o Deus que não poupou os ramos naturais também não lhes pouparia!
 
Afinal, diferentemente de como os católicos pregam, não são eles quem sustenta a raiz. Não são eles os “donos da verdade”, eles não estão isentos de apostasia, e por isso mesmo o recado de Paulo era para eles temerem. Do início ao fim, vemos que a severa mensagem de Paulo à igreja de Roma no século I se resume, não a uma declaração enfática de infalibilidade àquela comunidade, ao magistério daquela igreja ou ao bispo de lá, mas sim uma advertência severa de que eles também não seriam poupados, e que deveriam temer. Quanta diferença disso para a infalibilidade proposta pelos romanos para eles mesmos!
 
Católico – Não pode ser! Como eu posso ter sido enganado, se a minha igreja tem dois mil anos? Isso é impossível! A sua igreja tem no máximo 500 anos, a minha tem dois mil, então eu estou certo e você errado!
 
Evangélico – Ser mais velho ou mais novo nunca foi argumento para validar coisa nenhuma; na verdade, essa é uma falácia muito comum, o famoso Argumentum ad antiquitatem, também chamado de apelo à tradição, que é uma falácia que consiste em dar autoridade a algo em função de sua antiguidade, tendo a seguinte estrutura lógica:
 
***A é antigo
***B é novo
***Logo, A deve ser superior a B
 
Essa falácia é uma das mais ridículas e mais facilmente refutáveis do mundo das falácias, mas ela é usada à exaustão pelos apologistas católicos (talvez por não terem nenhum argumento mais convincente)! Além disso, se o fato de uma instituição religiosa ter dois mil anos significasse que ela está certa em toda a sua doutrina, que não pode cair em apostasia e que é a “Igreja de Cristo”, então a Igreja Ortodoxa – que você mesmo confessou ter apostatado e que prega doutrinas divergentes em relação à Igreja de Roma – também deveria ser “infalível e única Igreja de Cristo”, visto que eles também tem dois mil anos!
 
 
Na verdade, a apostolicidade e a ortodoxia de uma Igreja mede-se pela correspondência da sua doutrina com a doutrina pregada pelos apóstolos de Jesus Cristo conforme esta se encontra registrada no Novo Testamento, e não pelo número de anos que possa ter. Ora, o corpo doutrinal do catolicismo romano, da forma que existe hoje, tem muito pouco de apostólico e bíblico.  
 
Muitas das suas doutrinas foram fruto da ambição de poder, temporal e espiritual, dos bispos de Roma, e do sincretismo da Igreja Católica com a cultura romana e grega pagã do século V, após o Cristianismo ter se tornado a religião oficial do império, sendo invadido por massas de pagãos que trouxeram com eles o hábito de venerar imagens. Com isso, o "panteão de deuses" dos romanos foi sendo gradualmente substituído por um "panteão de santos", mantendo-se consigo a essência do paganismo. 
 
Assim como no panteão romano de deuses havia um deus da paz, um deus da da guerra, outro do amor, um da força, outro da sabedoria, e assim por diante, da mesma forma na Igreja Católica Romana passou a haver um "santo" responsável por cada uma destas coisas, além de muitas outras categorias. Assim como muitas cidades romanas tinham um deus específico para ela, também a Igreja Romana providenciou "santos padroeiros" para as cidades.  
 
Os templos pagãos foram modificados convenientemente, mas mantidos, bem como as suas imagens de escultura, cujos nomes foram apenas modificados, porque a essência daquele povo romano não poderia ser assim retirada do dia pra noite 
 
Deste modo, a Igreja de Roma foi se desviando da fé apostólica e criando novas doutrinas ao longo dos séculos, e desde então foi só induzir mais e mais ao erro. A raiz da idolatria já existia dentro do catolicismo. Foram, ao longo dos anos, mais de setenta alterações das doutrinas bíblicas, acréscimos totalmente antibíblicos com o intuito de desviar o verdadeiro cristão da verdade que é Cristo. Abaixo, apenas algumas das alterações que tiraram a Igreja do rumo: 
 
Ano ou Século
Dogma ou Cerimônia
789
Início do Culto  às Imagens e Relíquias.
880
Canonização dos  Santos.
1073
O bispo de Roma reserva para si o título  de Papa em exclusividade.
1100
Institui-se o culto aos anjos.
1184
Inquisição (efetivada anos depois).
1190
Instituem a venda de Indulgência [pagar ($) para perdão  dos pecados].
1215
Dogma da Transubstanciação e delimitação  de sete sacramentos.
1220
Adoração à Hóstia.
1302
Bula Unam Sanctam de Bonifácio VIII (é  necessário para a salvação estar sujeito ao papa).
Século XVI
Acrescenta-se ao Ave-Maria, até então uma  saudação bíblica, o rogo pelos pecadores.
1545-1563
Concílio de Trento. Define um cânon do AT com inclusão dos apócrifos em pé de igualdade com o cânon hebraico.
1545-1563
Declara-se a Tradição oral apostólica em pé de igualdade com as Escrituras.
1854
A imaculada conceição de Maria converte-se em dogma.
1870
Concílio Vaticano I Define-se solenemente o primado e a infalibilidade do papa.
1950
Define-se a Assunção Corporal da Virgem Maria.
1962-1965
O Concílio  Vaticano II no seu decreto Unitatis Redintegratio reconhece outros cristãos  como “irmãos separados”, contra séculos de Magistério que diziam o contrário.
1992
Desaparece o limbo infantil do Catecismo da Igreja Católica, depois de ter sido ensinado por séculos.
   
 
 
 
 
 
Estes não são senão uns poucos exemplos de adições e mutações na doutrina do magistério católico romano. Em outras palavras, a doutrina legada pela Igreja Romana foi sendo corrompida e o evangelho distorcido com o passar dos séculos, com toda a mutação e acréscimos de dogmas e doutrinas que contradizem a Palavra de Deus. A maior parte do que adicionou é alheio ou contrário à revelação bíblica, e oriundo do paganismo. O cardeal católico romano John Henry Newman, do século XIX, admitiu estes fatos, dizendo:
 
“O emprego de templos, e estes dedicados a certos santos, e enfeitados em ocasiões com ramos de árvores; incenso, lâmpadas e velas; ofertas votivas ao restabelecer-se de doenças; água benta; asilos; dias santos e estações, uso de calendários, procissões, bênçãos dos campos, vestimentas sacerdotais, a tonsura, a aliança nos casamentos, o virar-se para o Oriente, imagens numa data ulterior, talvez o cantochão e o Kyrie Eleison [o canto “Senhor, Tende Piedade”], são todos de origem pagã e santificados pela sua adoção na Igreja(Ensaio sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã)
 
Por outro lado, lembro que todos os evangélicos podem subscrever os credos formulados nos primeiros séculos do Cristianismo como o chamado dos Apóstolos ou o Niceno-Constantinopolitano. Em síntese, a Igreja Católica Romana, da forma que conhecemos hoje, é uma Igreja extraviada que se foi afastando progressivamente da verdade ao longo da história.
 
Mesmo se tivesse dois mil anos, tal argumento não teria força nenhuma, porque é puramente constituído do falacioso Argumentum ad antiquitatem. E, mesmo se isso não fosse uma falácia, seria impossível o católico romano provar que a Igreja Ortodoxa, por exemplo, também não tem dois mil anos (já que todas as provas usadas pelos romanos também são válidas para os ortodoxos).
 
Sendo assim, o argumento é inteiramente falacioso, em todos os seus sentidos. A Igreja, caro amigo, não é uma entidade institucionalizada com sede em Roma. A Igreja é o Corpo de Cristo, que é a reunião de todos os crentes sinceros em Cristo Jesus, que adoram a Deus em espírito e em verdade. Não é, nem nunca foi uma instituição religiosa centralizada em Roma ou em qualquer outro lugar.
 
Onde houver um cristão sincero, onde houver um adorador que busque a Deus com integridade e pureza de coração, onde houver quem O ame acima de todas as coisas, de todo o coração, alma, força e entendimento, aí está a Igreja de Cristo. Independentemente se este adorador estiver adorando a Deus num templo histórico ou numa tenda, se está numa instituição que diz ser velha ou em alguma denominação que nasceu ontem, se tem carteirinha de membro na Igreja X ou se apenas fecha a porta do seu quarto para conversar com o seu Pai.
 
Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em Seu Nome – independentemente da instituição ou denominação que fizer parte – ali Cristo estará com eles. Deus não está procurando aqueles que O adoram no monte de Samaria ou em Jerusalém, numa instituição romana ou ortodoxa, mas em todo lugar onde os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura.
 
Porque Deus não olha para o nome ou idade da Instituição que você pertence, mas para o seu próprio coração.
 
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Autoria: Lucas Banzoli.
 
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