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ESPÍRITOS TERRITORIAIS
ESPÍRITOS TERRITORIAIS

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Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6:12)

  

Paulo está aqui se referindo a “principados”, a “potestades” e a “hostes espirituais do mal”. De acordo com o Dicionário, “principado é um território governado por um príncipe”. Paulo está aqui se referindo a uma hierarquia espiritual, com “príncipes” demoníacos atuando sobre determinadas regiões nas quais atuam como “governantes”. Este “principado” é um espírito maligno que tem autoridade sobre algum povo, reino, nação, ou qualquer outra localidade (ex: cidade, estado, etc). São enviados da parte do próprio Satanás a fim de influenciarem determinada região, a qual estará sobre a sua influência.

 

Ora, Satanás irá influenciar o que? Evidentemente, ao pecado, ao desvio de caráter, à rebelião contra Deus. Mais ensinamentos claros sobre isso nós lemos, por exemplo, quando Daniel menciona o “príncipe [principado] do reino da Pérsia” (Dn.10:13), que pelo contexto trata-se de um demônio na hierarquia de “principado” que atuava sobre a região da Pérsia. Nos tempos antigos (e, na verdade, até hoje) cada nação pagã tinha o seu próprio “deus” ou “deuses”. Paulo explica que estes deuses são, na realidade, espíritos malignos (1Co.10:20).

 

O Antigo Testamento nos revela que os sidônios adoravam a Astarote, os moabitas adoravam a Camos, os amonitas adoravam a Moloque, e assim por diante com os demais povos pagãos da época (ver 1Reis 11:33). Atualmente, veem-se religiões com inúmeros destes “deuses” (demônios) atuando sobre falsos sistemas religiosos, com nomes diferentes, por meio de um sincretismo religioso com as religiões pagãs e politeístas. Um grande exemplo disso diz respeito ao paganismo católico romano com o sincretismo elaborado à época do imperador romano Constantino, ao unir o paganismo romano com a religião cristã. O panteão de “deuses” pagãos transformou-se em “santos padroeiros” de cada cidade.

 

O sistema religioso pagão romano tinha deuses para cada região geográfica, e esses deuses foram apenas substituídos por “santos”, mantendo-se, contudo, os mesmos espíritos malignos que atuavam por detrás daqueles deuses, pois a essência do paganismo romano e daquele povo não poderia ser assim tirada do dia para a noite.

 

O resultado disso é que vemos, até hoje, milhares de “deuses” ou “santos” nos principais sistemas religiosos, que nada mais são do que demônios (principados) que tem o domínio sobre aquela área. Fiz este adendo apenas por questão histórica, para entendermos como é que Satanás atua. Ele tem sempre um ordenado grupo de principados e potestades que tem por função exercerem domínio sobre determinada área geográfica ou sistema religioso. Isso explica o porquê de Satanás ter mais influência em uma região a tal ponto dela ser considerada o “trono” dele:

 

“Ao anjo da igreja em Pérgamo escreva: Estas são as palavras daquele que tem a espada afiada de dois gumes. Sei onde você vive, onde está o trono de Satanás. Contudo, você permanece fiel ao meu nome e não renunciou à sua fé em mim, nem mesmo quando Antipas, minha fiel testemunha, foi morto nessa cidade, onde Satanás habita (Apocalipse 2:12,13)

 

Historicamente, esta cidade (Pérgamo) era o centro oficial na Ásia da adoração ao imperador romano. Esse culto a Satanás, por ser tão forte, lhe concedia tamanha influência sobre aquela determinada região a tal ponto dela ser considerado o local onde o próprio Satanás habitava. Aquela região com certeza teria uma influência satânica muito maior do que os outros lugares, por ser o local onde estava o próprio “trono de Satanás”. Decerto os principados e potestades que governavam aquela região possuíam um domínio e autoridade muito grande sobre aquele lugar – muito maior do que o domínio que possuíam em outras regiões.

 

O que eu estou dizendo aqui é que, apesar de Satanás ser o mesmo, a influência satânica é algo relativo à autoridade que ele possui em determinado local. Um cristão da Palestina certamente sentiria as tentações, perseguições e provações muito mais a “flor da pele” em Pérgamo do que sentiria naturalmente. Os locais onde possuem maior influência demoníaca costumam serem os locais onde é maior o número de pecado em todos os sentidos: imoralidade sexual, falta de domínio próprio e agressividade, lascívia, desvio de conduta, orgias e bebedeiras, enfim, tudo o que é tipo de mal. E se o cristão não estiver preparado devidamente é capaz de cair também.

 

Em Pérgamo, por exemplo, foi o local onde ocorreu o primeiro martírio de um cristão na Ásia, chamado Antipas, que foi assado lentamente até morrer num caldeirão de bronze, durante o reinado de Domiciano (imperador romano da época). O exemplo de Pérgamo e sua grande influência demoníaca lá exercida pelos principados demoníacos serve também para os dias de hoje, em todas as situações. Vemos que alguns locais são pontos de atuação muito mais fortes e propícios para o pecado. Locais tais como showns mundanos, baladas, ou festas do mundo possuem uma influência satânica muito mais forte do que seria naturalmente.

 

Uma boa explicação para isso baseia-se no fato de que estes lugares são sempre locais onde a imoralidade é grande, a carne é fortemente alimentada, as pessoas não estão nem um pouco preocupadas com Deus, mas sim em agradar a carne por meio de inúmeras práticas antibiblicas e anticristãs que vão contra a Palavra. O próprio carnaval (que significa literalmente: “festa da carne”) é uma das maiores obras do diabo e cultualização a ele.

 

Estes locais ou este tipo de “festas da carne” devem ser completamente deixados por qualquer um que queira ser um cristão verdadeiro, pois a influência maligna torna-se maior e a carne torna-se muito mais operante em tais circunstâncias. Até mesmo locais aparentemente inocentes tais como a praia, são pontos onde naturalmente a influência de principados se vê de maneira muito mais forte. Não estou proibindo alguém de ir para a praia, ao contrário, estou dizendo que devemos ir preparados, vigilando dia após dia para não cairmos em tentação. A Bíblia nos admoesta para estarmos vigilantes:

 

“Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar” (1 Pedro 5:8)

 

“O que lhes digo, digo a todos: Vigiem!" (Marcos 13:37)   

 

Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Marcos 14:38)  

 

O evangelista Reinhard Bonnke fez, em uma de suas pregações, uma comparação muito perspicaz. Uma pessoa naturalmente não pode viver na lua por algum tempo. Ela não pode sobreviver em condições normais, tendo em vista as condições terrenas em que vivemos. Mas, se for devidamente equipada para lá, com toda a roupagem espacial dos astronautas e todo um equipamento de sobrevivência, ela poderá viver na lua durante esse algum tempo. Com o cristão é a mesma coisa. Embora seja óbvio que pular carnaval ou ir a uma balada ou festa mundana seja algo que tem como finalidade alimentar a carne e só um crente frouxo e louco da cabeça pode fazer deliberadamente uma coisa dessas (Paulo disse que nem tudo convém – 1Co.6:12; 10:23; Tito 1:11; 1Tm.5:13), nós também não devemos deixar absolutamente de ir para algum lugar (como a praia, por exemplo) só porque lá as tentações são mais afloradas.

 

Se fosse assim nós teríamos que sair deste mundo. O que nós devemos fazer é uso de nosso equipamento celestial, com todas as armaduras que Deus nos tem a conceder, isto é, “cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça; e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno; também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Ef.6:14-18).

 

As armas que ele alista para a batalha são: honestidade, justiça, testemunho, segurança da salvação, fé em Deus, domínio das Escrituras e a oração por todos os santos (oração intercessória). Podemos também adicionar a isso outros importantes conceitos bíblicos tais como: ir à casa do Senhor, jejuar, louvar e adorar a Deus, etc.

 

Se praticarmos o evangelho e não sermos apenas meros ouvintes da Palavra, poderemos ganhar qualquer luta ou batalha espiritual, ainda que em um cenário em que o diabo “impera”. Em um livro brasileiro sobre batalha espiritual, Gilbert Pickering escreveu a respeito de um encontro pessoal com um demônio que oprimia uma tribo de índios amazonenses, de como a sua vitória sobre esse espírito o levou a evangelizá-los com sucesso (este não é um episódio incomum entre missionários com índios).

 

Semelhantemente, em Northampton (Massachusetts), um monumento assevera que lá Jonathan Edwards encontrou o diabo e o venceu. Na Irlanda, Patrício encontrou as feiticeiras druidas, e os celtas reconheceram o poder de Deus como superior. A História relata que após esses dois eventos multidões voltaram-se para Jesus Cristo. Estes homens dedicavam tempo considerável a Deus, e venceram pela força do Senhor os principados e potestades demoníacos que atuavam com grande influência sobre essas regiões. Eles foram devidamente equipados para a guerra! O mais importante aqui a ressaltar é que:

 

(1) Existem espíritos malignos territoriais que atuam sobre regiões geográficas diferentes, sobre sistemas religiosos falsos e sobre lugares que dão liberdade de atuação à carne agir livremente;

 

(2) Estes principados satânicos tem maior influência em determinadas regiões em relação a outras;

 

(3) Por isso, devemos notar que existem certos locais (ou até mesmo músicas ou jogos) que incitam a carne e dão mais vontade ao pecado. Devemos evitar ao máximo ouvir este tipo de música ou jogos, bem como deixar de ir a estes locais (festas ou shows MUNDANOS, baladas, carnaval, etc) onde a carne é ainda mais instigada e o pecado é estimulado. A consequência disso é maior fraqueza relativa à carne e consequente apagamento do Espírito;

 

(4) Devemos VIGIAR especialmente nestas circunstâncias ou lugares onde a carne é estimulada, a fim de que não caiamos em tentação. Devemos estar preparados com toda a armadura de Deus, sem buscar ocasião ao pecado, mas fugir dele.

 

As impurezas do nosso íntimo florescerão quando estamos em locais que festejam a carne e cultuam o diabo (ainda que indiretamente) ou em locais territorialmente controlados por principados ou potestades. Por isso, “digo a todos: Vigiem!” (Mc.13:37), pois o diabo “anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar” (1Pe.5:8).

 

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Por: Lucas Banzoli.

 

Extraído de meu livro: "Como Vencer o Pecado". 

 

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