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JESUS REALMENTE EXISTIU? (P3)
JESUS REALMENTE EXISTIU? (P3)

JESUS REALMENTE EXISTIU? (P3)

 

Nesta terceira parte sobre a Existência Histórica de Jesus Cristo, nos reservaremos a provar que os apóstolos não plagiaram um “Messias” baseando-se nos mitos pagãos tais como Mitra, Osíris, Hórus, Dionísio, Attis, etc. Mostraremos aqui que a alegação ateísta é falsa e carece de fundamento histórico sério, e que todas as supostas “semelhanças” com estes deuses, na verdade, não refletem uma influência pagã no cristianismo; ao contrário, muitos deles provam a autenticidade dos testemunhos cristãos, outros argumentos ateístas são claramente falsos, e outras semelhanças ocorrem depois (e não antes) de Cristo.

 

O fato é que mostraremos nesta terceira parte a natureza imutável de Jesus Cristo, não inventada ou copiada de uma história mitológica, mas sim por testemunhos reais de pessoas que de fato vivenciaram todos os acontecimentos e testemunharam da sua vida, morte e ressurreição, ao ponto de darem as suas vidas por amor a Cristo, que nos amou primeiro. Analisaremos algumas dessas semelhanças e em seguida passaremos às considerações.

 

 

Horus (egípcio) 3000 a.C.
Nasceu dia 25 de dezembro;
Nasceu de uma “virgem”, a deusa Ísis-Meri com Osíris;
Nascimento acompanhado por uma estrela a Leste;
Estrela seguida por 3 reis;
Aos 12 anos, era uma criança prodígio;
Batizado aos 30 anos;
Começou seu ministério aos 30;
Tinha 12 discípulos e viajou com eles;
Operou milagres e andou sobre as águas;
Era “chamado” de Filho de Deus, Luz do Mundo, A Verdade, Filho adorado de Deus, Bom Pastor, Cordeiro de Deus, etc;
Foi traído, crucificado, enterrado e ressuscitou 3 dias depois.

 

Nos outros deuses, encontramos a mesma estrutura “mitológica”. Vejamos:

 

Mitra (persa – romano) 1200 a.C
Nasceu dia 25 de dezembro;
nasceu de uma virgem;
teve 12 discípulos;
praticou milagres;
morreu crucificado;
ressuscitou no 3º dia;
era chamado de “A Verdade”, “A Luz”
veio para lavar os pecados da humanidade;
foi batizado;
como deus, tinha um “filho”, chamado Zoroastro.

 

Attis (Frígia – Roma) 1200 a.C.
Nasceu dia 25 de dezembro;
Nasceu de uma virgem;
Foi crucificado, morreu e foi enterrado;
Ressuscitou no 3º dia;

 

Krishna (hindu – índia) 900 a.C
Nasceu dia 25 de dezembro;
Nasceu de uma virgem;
uma estrela avisou a sua chegada;
Fez milagres;
Após morrer, ressuscitou.

 

Dionísio (Grego) 500 a.C
Nasceu de uma virgem;
Foi peregrino (viajante);
transformou água em vinho;
Chamado de Rei dos reis, Alpha e ômega;
Após a morte, ressuscitou;
Era chamado de “Filho pródigo [sic] de Deus

 

 

O presente estudo buscará refutar as pretensões ateístas em quinze pontos principais:

 

(1) Nascimento no Dia 25 de Dezembro

(2) Os Três Reis Magos

(3) O Nascimento Virginal

(4) Jesus e os seus Doze Anos

(5) A Ressurreição

(6) Os Adjetivos dos deuses Mitológicos

(7) Semelhanças depois de Cristo

(8) A Doutrina da Trindade

(9) Refutação de semelhanças com Attis

(10) Refutação de semelhanças com Dionísio

(11) Refutação de semelhanças com Mitra

(12) Explicação das declarações de Justino Mártir

(13) A Ligação do Cristianismo com o Judaísmo

(14) Diferenças marcantes com os deuses Pagãos

(15) Considerações Finais

 

 

(1) NASCIMENTO NO DIA 25 DE DEZEMBRO

 

Infelizmente, os céticos ignoram a verdadeira informação sobre o “nascimento” de Jesus no dia 25. Tal data foi adotada pela ICAR (católica) no final do 4º século. O cristianismo era contemporâneo ao mitraísmo e as duas religiões dividiam fiéis na sua época. Como Mitra “nasceu” no dia 25, por conveniência, o Catolicismo adotou a mesma data para o nascimento de Jesus. Além disso, adotou trajes, costumes e rituais pagãos do mitraísmo. Vejam o texto abaixo:

 

“...A celebração do Natal Cristão em 25 de dezembro surgiu por paralelo com as solenidades do Deus Mitra, cujo nascimento era comemorado no Solstício (de inverno no hemisfério norte e de verão no hemisfério sul). No calendário romano este solstício acontecia erroneamente no dia 25, em vez de 21 ou 22. Os romanos comemoravam na madrugada de 24 de dezembro o "Nascimento do Invicto" como alusão do alvorecer de um novo sol, com o nascimento do Menino Mitra. Já foram encontradas figuras do pequeno Mitra em Treveris e a semelhança com as representações cristãs do Menino Jesus são incontestáveis” (Fonte: Wikipédia)

 

Estas semelhanças aparecem depois que o Catolicismo Romano foi fundado, no final do 4º século...



“...Com o cristianismo oficializado no Império Romano, pelo Edito de Milão, expedido por Constantino, os cristãos rapidamente tomaram os postos dos sacerdotes pagãos na sociedade, inclusive mantendo as festas, rituais, vestimentas e indumentárias pagãs. Em Roma o papa cristão passou a ser o Pontífice, substituindo de maneira pomposa o anterior chefe religioso pagão. Constantino também está ligado a ele, esse legado concedido ao papa traria a unificação das religiões no império até porque o culto a Mitra oferecia semelhanças com o cristianismo. A conceituação de Deus como um sol, não somente por causa da facilidade com que esta alegoria se aplica a Deus, mas ainda porque os cristãos já a encontraram pronta nos cultos em seu em torno, e o mantiveram a interesse, como forma de solidificar um estado forte
(Fonte: Wikipédia)

 

Sendo assim, vemos que as semelhanças de culto mais visíveis foram originárias do século IV pela igreja católica. O Objetivo era, principalmente, político. Devido ao ecumenismo praticado pela igreja católica, criou-se a data COMEMORATIVA do nascimento de Jesus como sendo em 25 de dezembro, por conveniência e para a fácil aceitação dos pagãos. Visando a conversão deles, estabeleceu-se esta data.

 

Proclamação do dia 25 de Dezembro depois de Cristo

 

Em 274 d.C o Imperador Aureliano proclamou o dia 25 de dezembro, como "Dies Natalis Invicti Solis" (O Dia do Nascimento do Sol Inconquistável). O Sol passou a ser venerado. Buscava-se o seu calor que ficava no espaço muito acima do frio do inverno na Terra. O início do inverno passou a ser festejado como o dia do Deus Sol. Ou seja, o dia 25 de dezembro foi proclamado depois do nascimento de Jesus. Então os deuses de mistério também não nasceram no dia 25 de dezembro. Eles nasceram no solstício de inverno e não no dia 25. Como vemos, a data de nascimento de Jesus é uma data comemorativa, que foi oficializada quase 400 anos depois de seu nascimento. Isso ocorre porque a Bíblia não nos dá a informação exata sobre a data do seu nascimento. Apenas especulando, conseguimos descobrir mais ou menos a época em que Jesus nasceu.

 

Calendários – A Verdadeira Confusão

 

Outro fato que invalida o impossível plágio envolvendo o cristianismo, é exatamente a data de 25 de dezembro. Nos tempos de Jesus e nos milênios anteriores, não existia um sistema de calendário fixo para vários países ou povos. Cada um tinha o seu. Os calendários sempre eram confusos e muito diferentes um dos outros. Muitas vezes, a sucessão de um novo rei, por ordem deste, era modificado o calendário a seu gosto e liberdade. Um exemplo disso é na própria Bíblia. Não encontramos nenhum texto onde as pessoas comemoravam aniversários, por exemplo. Ou seja, as pessoas não sabiam em que data nasceram devido a tantas mudanças.

 

O calendário que adotamos hoje é uma forma recente de contar o tempo. Foi o Papa Gregório XIII que decretou o seu uso através da Bula Papal "Inter Gravissimus" assinada em 24 de fevereiro de 1582. A proposta foi formulada por Aloysius Lilius, um físico napolitano, e aprovada no Concílio de Trento (1545/1563). Nesta ocasião foi corrigido um erro na contagem do tempo, desaparecendo 11 dias do calendário. A decisão fez com que ao dia 4 de outubro de 1582 sucedesse imediatamente o dia 15 de outubro do mesmo ano. Os últimos a adotarem este calendário que usamos foram os russos em 1918.Reparem que as alegações dos críticos sobre o plágio está totalmente baseada no dia 25 de dezembro do calendário atual. Como podem alegar um plágio utilizando uma data que talvez não existisse?

 

Quem diz que no Egito do ano 3000 a.C. existia o mês de dezembro? E em Roma? Os calendários dos povos antigos eram baseados sempre pelas estações do ano e fases da lua. Porém, hoje sabemos que as fases da lua não seguem uma cronologia correta, fazendo com que esse erro seja corrigido a cada 4 anos, ou seja, todo ano, sobram 6 horas. Agora imaginem um povo que não tinha conhecimento disso! Imaginem a confusão que isso causava nos calendários! Junte isso com os manda-desmanda de reis e imperadores (Julío Cezar e Cesar Augusto, criadores do mês de julho e agosto, por exemplo). A confusão está montada e a data correta furada!

 

O calendário Judaico é composto da seguinte forma: Os anos têm 353 dias quando são "defeituosos", 354 os "regulares", e 383 dias os "perfeitos" ou "abundantes". O Rosh Hashana (Ano Novo - 7 de outubro do nosso) dá início ao período de dez dias de penitência, que vai até o Yom Kipur, Dia do Perdão. O calendário israelita é lunissolar, com anos solares e meses lunares. Para se ajustar os meses ao ano solar, intercala-se um mês nos anos 3, 6, 8, 11, 14, 17 e 19 de um ciclo de 19 anos. Os meses são fixados alternadamente com 29 e 30 dias.

 

Sempre em ordem e essa ordem não falhava, justamente por considerar apenas os movimentos observados da Lua e Sol. O calendário Judeu nunca sofreu modificações por parte de reis e governadores, sendo o mesmo até hoje. Se Jesus fosse mito, este mito teria sido criado por judeus, sendo judeus, teriam criado sua data no mês de Dezembro e no dia 25? O mês de dezembro não existe no calendário judeu. Sendo dezembro o último mês do ano, então o último mês do ano judaico seria setembro e não dezembro no nosso calendário. Então, sendo Jesus criado por judeus, inspirando-se pelo solstício, teria nascido no 2º mês judaico e não no 12º.

 

O Decreto

 

A comemoração do Natal de Jesus surgiu de um decreto. O Papa Júlio I decretou em 350 que o nascimento de Cristo deveria ser comemorado no dia 25 de Dezembro, substituindo a veneração ao Deus Sol pela adoração ao Salvador Jesus Cristo. O nascimento de Cristo passou a ser comemorado no Solstício do Inverno em substituição às festividades do Dia do Nascimento do Sol Inconquistável.

 

Datação do Nascimento de Jesus

 

Jesus nasceu durante a vida de Herodes, o Grande, que os romanos haviam designado para governar a Judéia. Os calendários são contados a partir do ano em que se supõe ter nascido Jesus, mas as pessoas que fizeram essa contagem equivocaram-se com as datas: Herodes morreu no ano 4 a.C., de modo que Jesus nasceu 3 anos antes, a quando dos censos do povo Judeu, que ocorreu, exatamente, 1 ano após os censos dos outros povos também subjugados ao poder Romano. Estes censos ocorreram para facilitar aos romanos a contagem do povo e a respectiva cobrança dos impostos. Os judeus sempre se opuseram a qualquer tentativa de contagem, por essa razão, esta ocorreu um ano depois de ter ocorrido nos povos vizinhos.

A data de nascimento de Jesus é muito discutida. Devido a falhas do calendário há quem diga que Jesus teria nascido por volta do ano 6 d.C.. Porém, considerando que Jesus nasceu pouco tempo antes da morte de Herodes isto coloca-nos numa data anterior a 4 a.C. Outra ajuda que temos para facilitar a localização da data do nascimento de Jesus foi que este ocorreu quando José foi a Belém com sua família para participar do recenseamento. Os romanos obrigaram o recenseamento de todos os povos que lhes eram sujeitos a fim de facilitar a cobrança de impostos, o que se tornou numa valiosa ajuda na localização temporal dos fatos, uma vez que ocorreu exatamente 4 anos antes da morte de Herodes, no ano 8 a.C.

 

Entretanto, os Judeus tomaram providência no sentido de dificultar qualquer tentativa por parte dos ocupantes em contar o seu povo, pelo que, segundo a história, nas terras judaicas este recenseamento ocorrera um ano depois do restante império romano, ou seja, no ano 7 a.C.. Em Belém, o recenseamento ocorrera no oitavo mês, pelo que se concluiu que, Jesus nascera provavelmente no mês de Agosto do ano 7 a.C. Outros fatos também ajudam a estimar a data exata. Conforme é relatado pelos textos bíblicos, no dia seguinte ao nascimento de Jesus, José fez o recenseamento da sua família, e um dia depois, Maria enviou uma mensagem a Isabel relatando o acontecimento.

 

A apresentação dos bebês no templo, bem como a purificação das mulheres teria de ocorrer até aos vinte e um dias após o parto. Jesus foi apresentado no templo de Zacarias, segundo os registros locais, no mês de Setembro num sábado. Sabe-se que Setembro do ano 7 a.C. teve quatro sábados: 4, 11, 18 e 25. Como os censos em Belém ocorreram entre 10 e 24 de Agosto, o sábado de apresentação seria o de 11/09. Logo Jesus teria nascido alguns dias depois de 21 de Agosto do ano 7 a.C.

A Importância do Nascimento

 

Biblicamente falando, o nascimento não tem a mesma importância do que a morte de Jesus. Na doutrina cristã, o que de fato importa é a morte de Jesus e não seu nascimento. Cremos que a data é omitida justamente para que não se tornasse data de culto, como no caso do natal, o qual tornou-se cultuada pela ICAR e atualmente, pelo comércio. Já a morte de Jesus, temos a data correta. Sexta-feira, dia 14 do mês de Nissan (abril) do ano 26 d.C (baseando-se no nascimento em 7 a.C).

 

Plágio Refutado.

 

Como as mitologias dos deuses de mistério se baseiam principalmente no quesito “nascimento no dia 25 de dezembro”, a teoria do plágio está refutada já pela raiz. Pois Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, os deuses também não nasceram no dia 25 de dezembro, a estrela que sinalizou o nascimento de Jesus não apareceu no dia 25 de dezembro, os calendários de cada povo eram diferentes um do outro e os reis foram até Jesus em agosto e não em dezembro. Tal data foi firmada em 350 depois de Cristo por um decreto, substituindo a adoração ao sol por Jesus, quando o cristianismo foi oficializado como religião do império.

 

A data de 25 de dezembro, nascimento de Mitra, foi proclamada no ano de 274 d.C. Sendo assim, é mentira pura a história de que os deuses de mistérios nasceram do dia 25. Todos os deuses é que plagiaram a data de nascimento de Mitra. Todos os deuses de mistério, que nasciam no solstício de inverno, assim como Mitra, passaram a partir do ano de 274 a nascerem no dia 25, plagiando assim a data de Mitra, deus romano da época. Jesus nasceu 274 anos antes desta proclamação. Hórus, Mitra, Attis, Khrishna, Dionysio, e tantos outros, nasceram no solstício e não no dia 25 de dezembro.

 

 

(2) OS TRÊS REIS MAGOS

 

Não se sabe ao certo porque os homens vindos do oriente foram denominados como reis, porém uma coisa é certa, não é o que está escrito na Bíblia. Ela não afirma em nenhum momento que tais homens eram reis, mas ela afirma que eles eram magos viajantes. Vejamos:

 

NVI
Mateus 2:1 - Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém.

 

Almeida Corrigida e Fiel
Mateus 2:1 - E, TENDO nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém.

 

NTLH
Mateus 2:1 - Jesus nasceu na cidade de Belém, na região da Judéia, quando Herodes era rei da terra de Israel. Nesse tempo alguns homens que estudavam as estrelas vieram do Oriente e chegaram a Jerusalém.

 

King James
Mateus 2:1 - Now when Jesus was born in Bethlehem of Judaea in the days of Herod the king, behold, there came wise men from the east to Jerusalem.

 

Podemos colocar todas as versões e línguas, que não encontraremos a descrição de “REIS”, dada aos viajantes, estudiosos das estrelas e magos. Apenas temos estas descrições destes homens, mas nunca como reis. A descrição de “reis” foi oficializada por São Beda, o Venerável (673-735), que deu detalhes de tais “reis” magos, dando até mesmo nomes e fisionomias a eles e as regiões de onde vieram (cada um de uma). Porém, mesmo carecendo de fontes comprobatórias, acabou sendo adotado como verdade pela Igreja Católica depois do 7º século. Pensa-se que a descrição de “reis” é derivada de uma profecia do AT.

 

Vejamos:

 

A exegese vê na chegada dos reis magos o cumprimento da profecia contida no livro dos Salmos (Sl. 71, 11): “Os reis de toda a terra hão de adorá-Lo”. (Fonte: Wikipédia)

 

Temos aí o possível motivo para a ICAR adotar o termo “reis” para estes viajantes. Porém tal profecia geralmente não é interpretada como sendo cumprida em Jesus quando esteve na terra, mas sim quando Ele voltar (2ª vinda), no Apocalipse, onde todos os reis da terra irão adorá-lo:

 

Apocalipse 15:4 – “Quem não te temerá, ó Senhor? Quem não glorificará o teu nome? Pois tu somente és santo. Todas as nações virão à tua presença e te adorarão, pois os teus atos de justiça se tornaram manifestos”.

 

21:24 – “As nações andarão em sua luz, e os reis da terra lhe trarão a sua glória”.

 

Três reis?

 

Outra questão é que a quantidade de reis não é obtida pela narrativa bíblica. Não encontramos a informação de que foram três (3) homens até Jesus seguindo a estrela. Este número foi obtido devido ao número de presentes, que foram três: Ouro, Incenso e Mirra.

 

“Os Três Reis Magos ou, simplesmente, Magos são personagens da narrativa cristã que visitaram Jesus após seu nascimento (Evangelho de Mateus). A Escritura diz uns magos, que não seriam, portanto, reis nem necessariamente três e, sim, talvez, sacerdotes da religião zoroástrica (Zoroastro – possível “filho” de Mitra) da Pérsia ou conselheiros. Como não diz quantos eram, diz-se três pela quantia dos presentes oferecidos” (Fonte: Wikipédia)

 

Podemos conjecturar, por exemplo, que foram muitos outros magos que os visitaram trazendo os mesmos presentes (ouro, incenso e mirra) cada grupo; ou então menos magos trazendo mais presentes. De qualquer forma, não existe um fundamento sério ou sólido para afirmarmos que foram exatamente três os magos que visitaram Jesus e sua família. Tal informação não está presente nos registros de evangelho nenhum!

 

Astrólogos, Astrônomos e a Estrela Guia

 

Os homens que foram levados pela estrela possivelmente eram astrólogos e astrônomos. Sabemos que eram astrólogos primeiramente porque sua religião era possivelmente persa zoroástrica (porque vinham do oriente) e seguiam a estrela porque sabiam que era o sinal de um rei. Tal interpretação do sinal foi obtido justamente por conhecerem o fenômeno da estrela Sirius apontando para o sol, mas desta vez com um diferencial, ela ia em direção a um rei humano. Portanto, sabemos que eles estudavam as estrelas e conheciam muito bem a nossa estrela Sirius.

 

Vamos analisar os detalhes sobre a estrela Sirius:

 

“Do ponto de vista histórico, Sirius sempre foi o centro das atenções, fruto de um significado muito especial dado pelas mais diversas culturas.Foi alvo de adoração sob a alcunha de Sothis no Vale do Nilo do Egito, muito antes de Roma ter sido fundada, tendo sido construídos diversos templos de forma a permitir que a luz de Sirius penetrasse em seus altares internos. Crê-se que o calendário egípcio seria baseado na ascensão helíaca de Sirius, a qual ocorre um pouco antes das cheias anuais do rio Nilo e do solstício de verão”(Fonte: Wikipédia)

 

De acordo com o texto, a estrela Sirius sempre esteve presente na mitologia de muitos povos, principalmente os egípcios. Então, a estrela Sirius, sempre esteve lá e os magos que foram a Jesus certamente a conheciam. Então como os críticos explicarão este texto a nós?

 

Mateus 2: 7 - Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estrela tinha aparecido.

 

Vejam que os magos foram atrás da estrela porque ela era NOVA. De acordo com o versículo 16, sabemos que tal estrela havia aparecido num período máximo de dois anos. Como poderiam três homens estudados em astronomia e astrologia confundirem-se, seguindo uma estrela achando que era a Sirius? Isso é de certa forma improvável. Outro detalhe é que tal estrela não seguia uma sequência rotacional planetária como qualquer outra estrela e constelação. Os homens seguiram a estrela por um período de dois anos, em um único sentido talvez, até chegar a Jesus. Se tal estrela fosse a Sirius, eles teriam dado duas voltas no mesmo lugar e nunca teriam chegado a Belém. Ou seja, tal estrela não seguia o padrão rotacional do planeta. Ela era independente dele.

 

Os Pastores

 

Seguindo a narrativa bíblica, sabemos que além dos estudiosos, foram guiados por anjos alguns pastores até Jesus recém-nascido. Vejamos:

 

Lucas 2:8 - Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos.(...)

(...)15 Quando os anjos os deixaram e foram para os céus, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos a Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos deu a conhecer”.

16 Então correram para lá e encontraram Maria e José, e o bebê deitado na manjedoura.

17 Depois de o verem, contaram a todos o que lhes fora dito a respeito daquele menino,

18 e todos os que ouviram o que os pastores diziam ficaram admirados.

 

Nas histórias mitológicas não encontramos nada parecido com isto. Supõe-se que os magos eram ricos por serem pessoas estudadas. E pastores geralmente eram pessoas muito pobres (na época de Jesus). Uma possível interpretação é que Jesus seria adorado tanto por ricos como por pobres. Nas narrativas dos deuses, geralmente, os personagens de suas histórias são ricos, poderosos e tiranos.

 

Pastores – Jesus recém-nascido.
Magos – Jesus tinha ou quase tinha dois anos de idade.

 

Plágio Refutado.

 

A comparação do relato bíblico dos homens do oriente com a mitologia acerca da estrela Sirius com a constelação de três reis é infundada, pois as semelhanças são muito superficiais comparadas com as diferenças. Os homens que presentearam Jesus não eram reis, não eram três (3) e não seguiam a estrela Sirius, mas uma estrela nova que havia aparecido há dois anos no máximo. Jesus também foi visitado por pessoas pobres no seu nascimento, diferente dos deuses que eram cercados apenas de outros deuses ricos e poderosos.

 

 

(3) NASCIMENTO VIRGINAL

 

Para se ter um nascimento virginal, obrigatoriamente, a mulher não pode ter tido qualquer tipo de relação sexual. Então como explicamos a união entre os deuses mãe e pai de Horus e Mitra?

 

Os pais desses dois deuses são também deuses

 

Horus foi concebido por relação da deusa Isis-Meri com o deus Osíris; Mitra foi concebido por relação da deusa Anahira com o deus Aúra-Masda. Outro fato é que, o que se sabe sobre estes deuses são através de desenhos. Não se tem notícias de nada escrito pelos seguidores dos mesmos. Como então desenhar uma mulher virgem? A única diferença entre uma virgem e uma não-virgem é interna. Teriam seus seguidores desenhado as genitálias femininas com o hímem intacto? Óbvio que não. Então de onde tiraram a informação de que as suas mães eram virgens? Pelo que sabemos, não existe nada que afirme isso confiavelmente.

 

Jesus foi concebido pelo espírito, em forma espiritual, sem relação, dentro de uma humana. Espíritos não tem relações sexuais com pessoas vivas. Jesus é diferenciado por um detalhe interessante. As escrituras dizem que Deus se fez carne na pessoa de Jesus. Ou seja, Deus se desfez de sua glória e tornou-se homem na pessoa de Jesus. Com os deuses de mistérios, nada disso acontece. Deus nasceu como homem através de Jesus e morreu como homem. Os deuses de mistérios nasciam e ressuscitavam infinitas vezes, justamente para completar os períodos do ano ou de dias.

 

Os judeus copiaram tradições pagãs?

 

O que se crê hoje em dia, a exemplo do "magnânimo" Richard Dawkins, em seu famoso e ridículo livro "Deus, um delírio", é que os evangelistas, na intenção de criar o mito Jesus, inseriram tradições religiosas pagãs na nova doutrina, para conseguir dar a Jesus um status de deus com um nascimento virginal, assim como outros deuses. Suas afirmações, igualmente aos céticos de outros séculos atrás (os argumentos de Dawkins são um bocado velhos) estão baseadas em suposições totalmente infundadas e baseadas em puro preconceito.

 

Pois bem. Todos os evangelistas eram judeus, sem exceção. Sabemos, tanto pela história como pela Bíblia que, os judeus, não tinham costumes ecumênicos. Aliás eles eram extremos neste ponto. A religião não admitia a adoração de outros deuses e muito menos agregar virtudes destes em sua religião. Após o exílio até a destruição do 2º templo, o judaísmo passou por uma "purificação" das idolatrias que haviam se erguido dentro de Israel. Jesus esteve presente neste período, justamente o mais rigoroso com relação a proibição de adoração a outros deuses.

 

É errado pensar que os evangelistas adotaram o nascimento virginal de Mitra, sendo que eles não toleravam o paganismo. Paulo era um judeu devoto e sabia que o nascimento virginal era ou não era real. Como sendo judeu, se fosse falso, não o admitiria, por ser uma adaptação do mitraísmo, porém, judeu devoto, reconheceu o nascimento virginal de Jesus, como atributo para que ele fosse Deus. Não temos razões para aceitar que os judeus copiariam um atributo de um deus pagão a Jesus, sendo que eles não admitiam tal. Ou seja, para que aceitassem tal atributo, igual à de um deus pagão, é porque tal atributo aconteceu de fato.

 

Outro fato importante é a situação de um Messial esperada pelos judeus. Eles aguardavam um messias com descendência Davítica, e certamente, criam que este seria fruto de um relacionamento normal entre pai e mãe. Ora, a descendência real vinha de pai para filho, e não de mãe para filho. Assim, para os judeus, o Messias nasceria de forma comum, sem a necessidade de um nascimento milagroso. Em nada contribuiria para o cristianismo uma invenção como esta, se caso realmente não tivesse acontecido. Os pais da Igreja e os evangelistas estavam certos do nascimento virginal assexuado, por isso divulgaram esse fato.

 

Diferenças marcantes com os deuses mitológicos

 

O centro de todo o desentendimento quanto aos paralelos entre o nascimento virginal dos deuses pagãos e o de Jesus começa já em sua definição. De acordo com o relato de Mateus e Lucas, a descrição que encontramos do nascimento de Jesus é de Maria sendo virgem e Jesus sendo gerado pela operação do Espírito Santo. Porém, não há qualquer relato entre as religiões de mistério que lembre essa situação. A definição dos críticos do nascimento virginal é a fecundação resultante de casamento sagrado (entre um casal de deuses) ou fruto do ato sexual entre um deus disfarçado de ser humano e uma mulher mortal (hieros gamos).

 

Em uma das histórias de Dionísio, Zeus foi a Perséfone em forma de serpente e a engravidou, portanto, sua virgindade foi tecnicamente perdida. Na versão mais conhecida, Zeus se apaixonou por Semele, princesa da casa de Times. O deus olímpico foi até ela disfarçado de homem mortal e logo Semele estava grávida. Hera, rainha de Zeus, inflamada de ciúmes, se disfarçou de mulher idosa e foi até a casa de Semele. Quando Semele revelou seu caso com Zeus, Hera sugeriu que a história de que Zeus era o rei dos deuses poderia ser mentira e que talvez ele fosse mero mortal que inventou a história para que ela dormisse com ele.

 

Quando Zeus foi visitá-la novamente, ela pediu apenas uma coisa. Zeus jurou que daria o que ela quisesse. “Apareça a mim como você aparece a Hera”. Relutantemente, mas fiel à sua palavra, Zeus apareceu em toda sua glória, reduzindo Semele às cinzas. Hermes salvou o feto e o levou até Zeus que o costurou à sua coxa e três meses depois deu à luz Dionísio. A história claramente não é comparável com o relato bíblico e, além disso, só existem relatos pós-cristãos. Os deuses e deusas antigos eram típica e muito explicitamente sexuais e ativos, até porque, para o mundo antigo, grandeza era comumente associada com a geração física de um deus. Esse elemento está completamente ausente do relato da concepção virginal de Jesus.



No mito de Horus, o engano continua. De acordo com The Encyclopedia of Mythica, depois de Osíris (pai de Horus) ser assassinado e mutilado em 14 pedaços por seu irmão Set, a esposa de Osíris, a deusa Íris, “recuperou e remontou o corpo, e em conexão pegou o papel da deusa da morte e dos direitos funerais. Ísis engravidou-se pelo corpo de Osíris e deu à luz Horus nos rios de Khemnis, no Delta do Nilo. O relato está muito distante da realidade bíblica, apesar de uma concepção necrofílica ser miraculosa. Mesmo na imagem encontrada em Luxor, com Thoth anunciando a Ísis que ela conceberia a Horus, a ordem é a concepção e depois o anúncio, enquanto que os evangelhos declaram o anúncio e depois a concepção.



Na pesquisa de Raymond Brown a respeito das narrativas sobre o nascimento de Jesus, ele avalia os exemplos de “nascimentos virginais” não-cristãos, e sua conclusão é: “Em suma, não há nenhum exemplo claro de concepção virginal no mundo ou nas religiões pagãs que plausivelmente poderia ter dado aos judeus cristãos do primeiro século a ideia da concepção virginal de Jesus”.

 

Concepção por penetração

 

O historiador e erudito R. E. Brown ainda comenta:

 

“Paralelos não judaicos têm sido encontrados nas religiões mundiais (O nascimento de Buda, de Krishna e do filho de Zoroastro), na mitologia greco-romana, nos nascimentos dos faraós (com o deus Amon-Rá agindo através do seu pai) e nos nascimentos sensacionais dos imperadores e filósofos (Augusto, Platão etc...). Mas esses ‘paralelos’ sempre envolvem um tipo de hieros gamos em que um macho divino, em forma humana ou outra, insemina uma mulher, seja através do ato sexual normal, seja por meio de uma forma substituta de penetração. Eles não são realmente semelhantes à concepção virginal não-sexual que está no âmago das narrativas da infância de Jesus, concepção esta em que nenhum elemento ou deidade macho insemina Maria... Portanto, nenhuma busca por paralelos nos tem dado explicação verdadeiramente satisfatória de como os primitivos cristãos chegaram à idéia de uma concepção virginal – a menos, é claro, que ela realmente tenha acontecido historicamente” (Revista Defesa da Fé, Nº 41).

 

Plágio Refutado

 

Com as informações acima, vemos que Jesus definitivamente não é um plágio no quesito “nascimento virginal”. Para ser o messias judaico, Jesus não precisava nascer de forma milagrosa. Isso não mudaria a opinião dos judeus se de fato não tivesse ocorrido.

 

 

(4) JESUS E SEUS DOZE ANOS

 

O único relato que temos de Jesus acerca de sua infância está em Lucas 2:42, que conta o “problema” que Jesus causou em seus pais. Jesus acabou ficando em Jerusalém e três dias depois seus pais voltaram para a cidade onde o encontraram ensinando aos sacerdotes e debatendo com eles. Neste pequeno trecho, vemos que Jesus já era inteligente e possuía conhecimento das escrituras, ao ponto de Ele discutir e ensinar os sacerdotes. Já os deuses de mistérios, no caso Hórus, quando supõe que tais deuses tinham 12 anos de idade, eram garotos prodígio, que faziam coisas sobrenaturais e todos os temiam. Não vemos esse tipo de atitude de Jesus para com os outros. Pelo contrário, vemos que ele, mesmo na adolescência, era obediente e estudioso das Escrituras, e que cresceu em estatura e graça. Não vemos mágicas, prodígios ou qualquer outra coisa, além da obediência dEle.

 

Outro fato é que esta semelhança não foi até hoje encontrada em nenhum escrito, desenho ou relevo egípcio que diga que Hórus um dia teve 12 anos. Esta afirmação é recente e só foi "catalogada" como sendo uma característica de Hórus depois da descoberta da tradução de hieróglifos e esta tradução nunca trouxe esta informação. O número 12 é utilizado na Bíblia como um número completo. Foram 12 as tribos de Israel, foram 12 os apóstolos do Novo Testamento, Jesus curou uma menina que tinha 12 anos, eram 12 as legiões de anjos (Mt.26:53), os anciãos são 24 (2x12), os que são salvos da tribulação são 144 mil (12x12x1000), eram 12 as portas dos muros da Nova Jerusalém, bem como 12 anjos nas portas, e 12 fundamentos na cidade (Ap.21:12-14). Doze é o número bíblico da totalidade, e foi por isso que o único relato de Jesus adolescente foi aos seus 12 anos.

 

 

(5) A RESSURREIÇÃO

 

Segundo Paulo, o maior fundamento da fé cristã é a crença na morte e ressurreição de Jesus (1Co 15:13, 14). Ainda no início do capítulo de 1 Coríntios 15, os exegetas do Novo Testamento encontram fortes evidências para defender a realidade do fato da ressurreição. E foi justamente nessa pedra fundamental que os críticos aproveitaram para divulgar os paralelismos com personagens das religiões de mistério e das deidades que teriam experimentado morte e ressurreição. Não é senão a partir do 3º século d.C. que encontramos suficiente material a respeito das religiões de mistério que permitem relativa reconstrução de seu conteúdo. Muitos escritores se utilizam desse material (depois de 200 d.C.) para formular reconstruções das religiões de mistério dos séculos anteriores. Essa prática, porém, é extremamente anti-acadêmica e não pode permanecer sem desafios.



Na realidade, segundo Pierre Lambrechts, os textos que se referem à ressurreição são muito tardios, do segundo ao quarto século d.C.[7] A aparente ressurreição de Adonis, por exemplo, não tem sequer uma evidência, nem nos textos antigos nem nas representações pictográficas. Quanto à ressurreição de Attis, não há qualquer sugestão de que ele teria sido um deus ressurreto, senão até depois de 150 d.C. Há ainda o famoso caso da suposta ressurreição do deus Osíris. A versão mais completa do mito de sua morte e ressurgimento é encontrada em Plutarco, que escreveu no segundo século d.C. De acordo com a versão mais comum do mito, Osíris foi assassinado por seu irmão que então o afundou em um caixão no rio Nilo. Ísis descobriu o corpo e o levou de volta ao Egito. Mas seu cunhado mais uma vez ganhou acesso ao corpo, dessa vez o desmembrando em 14 pedaços, os quais ele atirou para longe.

 

Depois de muita procura, Ísis recuperou cada pedaço do corpo. É nesse ponto que a linguagem utilizada para descrever o que se seguiu é crucial. Algumas vezes, aqueles que contam a história se contentam em dizer que Osíris voltou à vida, mesmo que isso passe longe daquilo que o mito permite dizer. Alguns escritores ainda vão mais longe ao falar sobre a “ressurreição” de Osíris. Ísis restaura o corpo de Osíris e ele é colocado como um deus do mundo dos mortos. Roland de Vaux complementa dizendo:



“O que significa Osíris ter ‘levantado para a vida’? Simplesmente que, graças à ministração de Ísis, ele pôde levar uma vida além da tumba que é quase uma perfeita réplica da existência terrestre. Mas ele nunca mais voltará a habitar entre os viventes e reinará apenas sobre os mortos... Esse deus revivido é, na realidade, um deus ‘múmia’.”



Mudando de deidade, outro muito mencionado por sua suposta história de reaparição dos mortos é o de Cybele e Áttis. Cybele era uma figura muito adorada no mundo helenístico; o rito antigamente incluía um frenesi nos adoradores homens que os levava a se castrarem. Encontramos especialmente três mitos diferentes com respeito à vida de Áttis. De acordo com um dos mitos, Cybele amava um pastor de ovelhas chamado Áttis. Por Áttis ter sido infiel, ela o levou à loucura. Tomado de loucura, Áttis se castrou e morreu. Isso encaminhou Cybele a um luto muito forte e introduziu a morte ao mundo natural. Mas então Cybele restaurou Áttis à vida, um evento que também trouxe o mundo da natureza à vida.

 

As pressuposições do intérprete tendem a determinar a linguagem usada para descrever o que se segue à morte de Áttis. Referem-se a ela descuidadamente como “ressurreição de Áttis”. Não há nada que se pareça a uma ressurreição corpórea no mito que sugira que Cybele só podia preservar o corpo morto de Áttis, ou seja, ele volta à vida de forma praticamente vegetativa, pois o mito menciona que os pêlos do seu corpo continuaram a crescer e que ele movimentava um dos dedos. Em algumas versões do mito, Áttis volta à vida na forma de uma árvore. Nem nesse e nem nas outras três histórias, encontramos morte e ressurreição ou qualquer coisa semelhante ao que vemos nos evangelhos.



Foi somente em celebrações posteriores pelos romanos (depois de 300 d.C.) que algo remotamente semelhante ocorreu. A árvore que simbolizava Áttis foi cortada e enterrada dentro de um santuário. Na outra noite, a “tumba” da árvore estava aberta e a “ressurreição” de Áttis foi celebrada. A linguagem, porém, é ambígua e os detalhes sobre o culto são remotos; todo o material é muito tardio. Nas comparações com Krishna, as respostas se tornam ainda mais fáceis de dar. Segundo especialistas em hinduísmo, Krishna foi morto por um caçador que acidentalmente atirou em seu calcanhar. Ele morreu e ascendeu. Não houve qualquer ressurreição e ninguém o viu ascender. Mesmo que o mito da ascensão de Krishna traga algum desconforto, ele pode ser rapidamente resolvido com as declarações de Benjamin Walker, em seu livro The Hindu World: an Encyclopedia Survey of Hinduism:

 

“Não pode haver qualquer dúvida de que os hindus pegaram emprestado os contos [do cristianismo], mas não o nome.”



Por esses paralelos virem do Bhagavata Purana e do Harivamsa, Bryant acredita que o Bhagavata Purana seja “anterior ao sétimo século d.C. (apesar de alguns acadêmicos o considerarem do século 11 d.C.)”, e que o Harivamsa tenha sido composto entre o quarto e o sexto século. Apesar de ser chocante às mentes religiosas ocidentais, é senso comum dentro da história das religiões que imortalidade não é uma característica básica da divindade. Deuses morrem. Alguns deuses simplesmente desaparecem, alguns somente para retornar novamente depois e alguns para reaparecer frequentemente.

 

Todas as deidades que foram identificadas como fazendo parte da classe de deidades que morrem e ressuscitam podem ser colocadas sob duas classes maiores: deuses que desaparecem e deuses que morrem. No primeiro caso, as deidades retornam, mas não haviam morrido, e no segundo caso, os deuses que morrem, mas não retornam. Para a concepção judaica, nenhum desses paralelos ressuscitou dos mortos, e para muitos acadêmicos hoje paira a dúvida se literalmente existe algum deus que teria experimentado a morte e a ressurreição. Uma citação muito interessante explica a realidade da teoria:



“Desde a década de 1930... um consenso tem se desenvolvido de que os ‘deuses que morrem e ressuscitam’ morreram, mas não retornaram ou se levantaram para viver novamente... Aqueles que pensam diferente são vistos como membros residuais de espécies quase extintas”.

 

 

(6) ADJETIVOS DOS DEUSES MITOLÓGICOS

 

Filho de Deus e outros adjetivos

Outro tipo de informação atribuída aos deuses de mistérios são os adjetivos largamente difundidos e ligados a Jesus Cristo, tais como:

 

Luz do mundo;
Salvador;
Filho de Deus;
Cordeiro de Deus;
Alfa e ômega;
Bom pastor;
A verdade;
Rei dos reis;

 

Luz do mundo. Este adjetivo é facilmente aplicado aos deuses, pois eles são associados ao sol, ou seja, a luz do mundo. Porém Jesus não deixa essa expressão como se ele trouxesse luz literalmente. Vejam:

 

Lucas 8:12 - Falando novamente ao povo, Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

 

Jesus não está se referindo a luz do dia, ou luz de vida, que garante a sobrevivência na terra, mas sim da vida sem pecado, salvação. Jesus também nos chama de Luz do Mundo. Um deus pagão jamais daria um título como este a um homem.

 

Mateus 5:14 – “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte”.

 

Salvador. Outro adjetivo facilmente atribuído ao sol. O sol salva a vida existente na terra. Porém para Jesus não é utilizado este termo semelhantemente aos deuses. Eles salvam a vida existente no planeta. Jesus, diferentemente, salva do pecado e da morte (espiritual). Traz salvação ao homem do seu pecado. Não tem nada a ver com salvar a vida existente da morte física.

 

Filho de Deus. Adjetivo obviamente atribuído a qualquer divindade que fosse gerada por um deus. Jesus não é diferente. A diferença é que Jesus nos chamou assim também, já os deuses nunca atribuiriam tal "grandeza" a um homem.

 

João 1:12 – “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”.

 

Cordeiro de Deus, Alfa e ômega. Não existe nenhum registro nos mostrando que os deuses possuíam tais adjetivos. Podemos dizer que são exclusivos de Jesus, pois os únicos registros existentes destes adjetivos atribuídos a um deus é os de João nos seus livros. Cordeiro de deus é uma analogia ao cordeiro sacrificado num ritual judeu. O paganismo não sacrificava cordeiros em alusão a seus deuses, mas sim touros, como era realizado, por exemplo, no mitraísmo. Sacrifícios de cordeiros eram quase que exclusivos dos judeus, e João utilizou o termo Cordeiro de Deus para Jesus sacrificado e imolado. Já o alfa e ômega é outro termo utilizado apenas por João e a informação de que Dionísio era o alfa e ômega não tem sustentação arqueológica afirmando tal. O que se especula é que existe a possibilidade, pois este título tem origem na Grécia, e João esteve cativo lá. Como ele escreveu seu evangelho aos gregos, pode ter usado o termo para exemplificar que Deus era o princípio e o fim. Apenas uma ilustração criada por João.

 

Bom pastor. Pastor do que? De ovelhas? Porque de homens eles não eram capazes. Tal adjetivo pode ser conferido a qualquer entidade que queira se mostrar benévola, caridosa, servil, amável, etc. Mas sabemos que os deuses de mistérios não eram assim. Eram deuses tiranos, corruptíveis (gregos), narcisistas, humilhadores e raras eram as vezes que tinham compaixão dos homens. Então, aplica-se esse adjetivo para “minimizar” as atitudes de tais deuses.

 

A Verdade. Tal título também pode ser visto como exclusivo de Jesus. Tal expressão vem do texto a seguir:

 

João 14:6 - Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”.

 

O que ocorre aqui é um enxerto na descrição dos deuses, visando o descrédito de Jesus, assim, pega-se parte da mesma e aplica-se em um deus. Não existe nada, nenhum texto ou desenho que afirme que tais deuses se diziam ser “A Verdade”. Apenas escritos recentes sobre tais deuses dizem isso.

 

Rei dos reis. Tal descrição é comum em divindades. É um adjetivo facilmente aplicável a qualquer deus. A diferença é que Jesus reina sobre todos os reis do mundo. Já os deuses de mistérios sempre eram regionais. Não temos nada relatado acerca destes deuses que dizem ser o Deus supremo sobre todos. Ao contrário, geralmente, tais divindades não eram as supremas, como por exemplo Zeus, o criador da terra e dos homens, era subordinado de Theos, o verdadeiro deus supremo, no qual a religião grega pouco enfatizava, por ser um deus incorruptível e que não praticava as barbáries que os deuses abaixo dele praticavam.

 

Os gregos tinham tanto medo de Theos que procuraram pouco se aprofundar em seu conhecimento, e com o passar do tempo, este foi sendo esquecido, dando lugar ao tirano Zeus (céus) e Hades (inferno). O termo teologia vem de Theos. Os evangelistas, ao descrever o Senhor Deus cristão, possivelmente utilizaram Theos para substituir o nome “Senhor Deus”, ilustrando que Deus (Theos) era o senhor soberano de toda a terra.

 

A Remissão de Pecados

 

Outra fraude que é aplicada aos deuses é a “remissão” dos pecados. O termo “pecado” tem sua origem no povo hebreu. Talvez uma forma diferente de pecado era conhecida pelos outros povos, mas o termo pecado (desobediência às leis, e consequentemente a morte espiritual) era conhecido apenas pelo povo semítico, posteriormente hebreu. O que ocorria em outras religiões era o erro de alguém que pedia perdão ao seu deus, mas não tinha consciência do que era o “pecado” (morte espiritual). Este ato foi registrado pela primeira vez em Genesis e não há registro mais antigo utilizando o termo “pecado”. Entre outras palavras, os deuses não perdoavam ou redimiam pecados. Tal atitude era exclusiva de Deus (Jesus).

 

 

(7) SEMELHANÇAS DEPOIS DE CRISTO

 

Os críticos alegam que essa informação acerca de Jesus também corresponde a um plágio derivado da religião egípcia e que Hórus também teria sido batizado e começado seu ministério aos 30 anos. Hórus nasceu como deus e foi adorado como deus desde o seu nascimento. A data do surgimento deste deus é tão antiga que impossibilita o “batismo”, pois tal prática não existia na época (nada na história da arqueologia afirmou o batismo em data tão antiga). Hórus não teve um ministério. Ele não precisava disso. Ele nasceu deus e era adorado como deus. Jesus era homem e necessitava de um ministério para ensinar e pregar as boas novas. Ministério é o ato de se dispor para ser servo e ensinar os outros acerca de algo. Hórus nunca foi servo, sempre foi rei. Jesus lavou os pés de seus discípulos, veio para ser servo:

 

João 13:12 – “Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito?”

 

Marcos 10:45 – “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos

 

ISSO NUNCA OCORRE NOS “PODEROSOS” DEUSES MITOLÓGICOS!!!

 

Reparem que todos os deuses de mistério, como Cristo, foram crucificados, foram enterrados e ressuscitaram ao 3º dia, tinham 12 discípulos, foram batizados aos 30 anos, etc. Um fato que os críticos não expõem é que não foram encontradas até hoje evidências de que a mitologia desses deuses ensinava que eles tinham 12 discípulos, que eles foram crucificados, que realizavam milagres e que ressuscitaram três dias depois de morto e que foram batizados, etc. Nada na arqueologia provou algo em relação a isso datado antes do nascimento de Jesus.



Um exemplo é o deus Mitra. As informações que temos desse deus é que ele nasceu de uma virgem, perdoou pecados, morreu crucificado e ressuscitou dias depois. Porém tais evidências só são encontradas com datas superiores há 300 anos d.C, ou seja, os desenhos (sempre desenhos) foram feitos pelo menos 300 anos depois da morte de Jesus. Os detalhes são tão parecidos que evidenciam o paganismo adotando detalhes do cristianismo. Isso seria muito comum em se tratando de uma religião politeísta onde seus deuses se associam com outros e vice-versa. Por que todos os deuses tem detalhes tão iguais, sendo que a arqueologia não confirma tais detalhes atribuídos a esses deuses que datem de um período anterior ao cristianismo?

 

 

(8) A TRINDADE

 

A doutrina cristã da Trindade não tem origem pagã. As religiões pagãs eram POLITEÍSTAS e PANTEÍSTAS, mas os trinitários são monoteístas. Os trinitários não são TRITEÍSTAS que acreditam em três deuses separados; eles são monoteístas que acreditam num deus manifesto em três pessoas distintas. Embora o termo Trindade ou sua fórmula específica não apareçam na Bíblia, ele expressa fielmente todos os dados bíblicos. Uma compreensão precisa do desenvolvimento histórico e teológico dessa doutrina ilustra de forma ampla que foi exatamente por causa dos perigos do paganismo que o Concílio de Nicéia formulou a doutrina ortodoxa da Trindade. Pra um tratamento breve da história dessa doutrina, v. E. Calvin Beisner, (Deus em três pessoas). Dois clássicos nessa área são G.L. Prestige (Deus no pensamento patrístico) e J.N.D. Kelly, Doutrinas centrais da fé cristã.

 

Deus é o nome dado à natureza divina, e há três seres que partilham dessa mesma natureza divina: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O estudante da Bíblia descobre que há uma Pessoa nas Escrituras, conhecida como Pai, que é Deus (Ef.1:2). Há uma outra Pessoa nas Escrituras, chamada de Filho, Jesus Cristo, e que é Deus (Jo.1:1; Rm.9:5; Tito 2:13; 2Pe.1:1; Jo.10:30; Jo.10:28; Hb.1:8). Há ainda uma outra Pessoa chamada de Espírito Santo, que é Deus também (At.5:3,4; Ef.2:22). A palavra grega theos, "Deus", foi usada em relação a todas essas três Pessoas, concedendo assim a mesma divindade a cada uma delas.

 

Também é notável que Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas distintas. No batismo de Jesus, cada um fez seu papel, concordando com os outros dois, mas distinto deles. Jesus subiu das águas; o Espírito desceu como pomba sobre ele; o Pai falou dos céus (Marcos 1:9-11). As doutrinas de algumas igrejas que dizem que o Filho e o Pai são a mesma pessoa contradizem afirmações óbvias das Escrituras. O Pai é maior do que o Filho (João 14:28). O Pai enviou e instruiu o Filho (João 14:24). Mateus fala do "Pai e do Filho e do Espírito Santo", todos participando de um "nome" (Mt.28:18-20). Portanto a doutrina da Trindade não é estranha às páginas da Bíblia.

 

Deus é um em essência, mas três em pessoas. Ele tem uma só natureza, mas três centros de consciência. Isto é, há apenas um "O Que" em Deus, mas há três "Quem". Há um só ser, mas são três "Eu". Isso é um mistério, mas não uma contradição. Seria contraditório dizer que Deus é uma só pessoa, mas também três pessoas. Ou que Deus tem uma só natureza, mas também que tem três naturezas. Mas declarar, como os cristãos, que Deus é um em essência, eternamente revelado em três pessoas distintas, isso não é uma contradição.

 

Mitraísmo e cristianismo. Com base nisso é evidente que o cristianismo se originou do judaísmo e dos ensinamentos de Jesus. É igualmente evidente que ele não se originou do mitraísmo. Na verdade ele não dá referências para as semelhanças que alega. Ao contrário do cristianismo, o mitraísmo é baseado em mitos. Ronald Nash, autor de O cristianismo e o mundo Helenístico, escreve:


"O que sabemos com certeza é que o mitraísmo, tal como seus competidores entre as religiões de mistérios, tinha um mito básico. Mitra supostamente nasceu quando emergiu de uma rocha; estava carregando uma faca e uma tocha e usando um chapéu frígio. Lutou primeiro contra o Sol e depois contra um touro primevo, considerado o primeiro ato da criação. Mitra matou o touro, que então se tornou a base da vida para a raça humana (Nash, p.144)."



O cristianismo afirma a morte física e ressurreição corporal de Cristo. O mitraísmo, como outras religiões pagãs, não tem ressurreição corporal. O autor grego Ésquilo resume a visão grega: “Quando a terra tiver bebido o sangue de um homem, depois de morto, não há ressurreição”. Ele usa a mesma palavra grega para ressurreição, anastasis, que Paulo usa em 1 Coríntios 15 (Ésquilo, Eumenides, p.647). Nash observa:



“Alegações da dependência cristã primitiva do mitraísmo foram rejeitadas por várias razões. O mitraísmo não tem conceito da morte e ressurreição de seu deus nem lugar para qualquer conceito de renascimento – pelo menos durante seus primeiros estágios(...) Durante os primeiros estágios da seita, a idéia de renascimento seria estranha à sua visão básica (...) Além disso, o mitraísmo era basicamente uma seita militar. Portanto é preciso ser cético com relação à sugestões de que tenha atraído civis como primeiros cristãos".

 

 

(9) REFUTANDO OUTRAS SEMELHANÇAS COM ATTIS

 

1. Attis nasceu em 25 de Dezembro de uma virgem chamada Nana. Em primeiro lugar, podemos esquecer da parte sobre o 25 de Dezembro. Embora nós celebremos o aniversário de Jesus nesta data, sabemos que ele realmente não nasceu dia 25/12, e nada na Bíblia diz isso. Esta data de aniversário para Jesus foi decidida centenas de anos depois. Além disso, eu nunca encontrei nada dizendo que Attis nasceu dia 25/12, a não ser a declaração acima. E sobre ele ter nascido de uma virgem? Bem, é difícil imaginar algo assim na estória de Attis. Parece que um dia, Zeus (ou Júpiter para os romanos) viu o monte Agdus, e o achou parecido com a deusa Réia. (Nem me pergunte como uma montanha poderia se parecer com uma deusa. Talvez Zeus estivesse tendo problemas para arrumar encontros).

 

Isto o deixou tão excitado que ele acabou derramando um pouco de esperma no chão, e daí nasceu uma criatura chamada Agdistis. Acontece que o Agdistis era um cara detestável e os deuses não gostaram dele. Então um outro deus, Dionísio, colocou vinho na água de Agdistis para que ele dormisse, enquanto ele estava dormindo, amarrou uma ponta de uma corda em volta dos órgãos genitais de Agdistis, a outra ponta em uma árvore, e deu um gritão no ouvido de Agdistis, e… bem, daqui pra frente você já entendeu… Graças a isso, Agdistis sangrou bastante, e desse sangue brotou uma árvore frutífera. Muito tempo depois, uma garota chamada Nana pegou um dos frutos e o pôs no colo. Então o fruto desapareceu, e depois disso ela se descobriu grávida de Attis. Nascimento de uma virgem? Não me parece muito certo.

 

2. Ele foi considerado o redentor que morreu para salvar a humanidade. Se pudéssemos cantar uma música sobre isso, ela começaria assim: “Meu besteirol tem o nome de A-T-T-I-S…”. Os estudiosos da religião que cultua Attis dizem que não há evidências de que esta religião oferecia a salvação ou que Attis agiu como um “redentor”. Então é óbvio que os cristãos não copiaram nada. Ele morreu – falaremos sobre isso em um minuto – mas não porque alguém o matou. Ele não foi morto.

 

3. Seu corpo era comido como pão pelos seus adoradores. Não se sabe se isso é verdade. Os adoradores de Attis, assim como os adoradores de muitos deuses pagãos, tinham algum tipo de refeição, mas nós não sabemos no que ela consistia ou se envolvia algum tipo de simbolismo onde se acreditava que o pão era o seu corpo.

 

4. Na “Sexta-Feira negra”, ele foi crucificado em uma árvore, da qual seu sangue sagrado escorreu para redimir a terra. Eu nunca encontrei verdade alguma nesta afirmação. Em sua estória mais famosa, Attis morreu embaixo de uma árvore, e não crucificado nela. Não há referência disso acontecendo numa Sexta-Feira, muito menos em uma Sexta-Feira “Negra”. Attis sangrou, mas o resultado disso, em algumas estórias, foi o brotamento de flores (especialmente violetas) – se você quiser chamar isso de “redenção” da terra, talvez algum fazendeiro esteja fazendo a mesma coisa plantando batatas. Isso certamente não “redimiu” nada nem ninguém do pecado (como Jesus fez) nem trouxe algum benefício pra nós que estamos fora do ramo da floricultura.

 

5. Após três dias, Attis ressuscitou em 25 de março (assim como na tradição de Jesus) como o “Deus altíssimo”. Isso é verdade? Eu não estou certo. As pessoas que afirmam isso estão se referindo a qual estória? Em uma estória, Attis está se casando, quando Agdistis (lembra dele?) aparece no casamento. Graças a essa interferência, a noiva morre. Attis fica angustiado, cai sob uma árvore, castra-se e então morre. Agdistis, vendo isso, sente-se mal e pede a Zeus que traga Attis de volta à vida. Zeus está de bom humor, diz OK, mas: O corpo de Attis não apodrecerá, seu cabelo continuará a crescer, e seu dedinho se moverá continuamente.

 

Não gostou dessa? Tente essa então: Uma garota chamada Cibele se apaixona por Attis, que prefere uma ninfa. Cibele mata a ninfa. Attis enlouquece e se castra. De seu sangue, as flores brotam do chão e ele se torna um pinheiro. Ainda não temos um final feliz? OK tente a N° 3: Cibele, que apesar de não saber é filha de um rei, casa-se com Attis. Quando o rei descobre, mata Attis e se certifica de que o corpo nunca será encontrado. Você viu alguma ressurreição aqui? Não – Isso só começou a aparecer nas estórias dele mais tarde, depois do início do Cristianismo. E sobre a data de 25 de Março? Era a data de um festival chamado Hilária, e não encontramos provas de que ele acontecia antes do Século III ou IV DC – vários anos depois de Jesus ter vivido.

 

 

(10) REFUTANDO OUTRAS SEMELHANÇAS COM DIONÍSIO

 

1. Dionísio nasceu de uma virgem no dia 25 de Dezembro, e como Criança Sagrada, foi posto em uma manjedoura. É, parece que todos os deuses nasceram no dia 25/12 não é? Deve ter sido difícil para as pessoas que organizavam as festas. Nós já indicamos que a idéia do dia 25/12 não tem nada a ver com Jesus, mas mais do que isso, assim como Attis, eu não vejo evidências de escritores sérios, que pesquisam, de que esse também foi o dia do nascimento de Dionísio. Sobre ter nascido de uma virgem, Dionísio chega perto – da mesma forma que Attis. Embora isso dependa de quais das estórias você queira crer. Na estória mais popular, a mãe de Dionísio era chamada Semele, e engravidou de Zeus quando ele tomou a forma de um relâmpago.

 

Mais tarde, a esposa de Zeus, Hera, enganou Semele, fazendo com que ela fosse pedir a Zeus que revelasse sua glória, o que terminou carbonizando Semele, e deixando Dionísio, ainda não nascido, para trás. Zeus pegou a criança e o costurou em sua coxa até que ele estivesse pronto e desenvolvido. Outra estória mostra Dionísio como o filho de Zeus e Perséfone. E ainda outra versão, asiática, o mostra “auto-nascido”. Mas claramente não há nada como o nascimento a partir da concepção de uma virgem.

 

2. Ele era um professor viajante que realizava milagres. Em primeiro lugar, como nós dissemos no início: Espera-se que qualquer ser divino (real ou imaginário) operasse milagres, então esta acusação não tem muita importância. E no caso de Dionísio, a acusação não é muito boa mesmo. Na Bacchae, um antigo trabalho literário sobre Dionísio, ele viaja pela Grécia, Pérsia e Arábia espalhando seus rituais e julgando de forma miraculosa aqueles que o desafiam. Há outras estórias nas quais ele viajava por aí tentando fazer com que as pessoas fossem mais civilizadas, e um estudioso já disse ser ele o deus que passava a maior parte do tempo viajando. Não é como Jesus, que viajava em uma área limitada ensinando sobre moral. Há um alinhamento muito maior entre Jesus e outros “homens santos” do judaísmo de seus dias (pessoas como Honi o desenhador de círculos, e Hanina ben Dosa) que andavam de um lugar ao outro ensinando e realizando milagres.

 

Podemos colocar da seguinte forma: Se você chega em casa e encontra uma caixa de pizza de certa rede de lanchonetes no lixo, você irá supor que alguém comprou aquela pizza da mesma lanchonete no fim da rua ou em outro estado? Você poderia dizer que a rede de lanchonetes próxima a você roubou a idéia de usar caixas de outra rede? Não, porque uma caixa é a coisa exata para se utilizar, a fim de manter uma pizza quente e segura. Justamente por isso esperaríamos que um profeta ou pessoa divina ensinasse e realizasse milagres. É o trabalho deles. Se havia pessoas fazendo coisas semelhantes às que Jesus fez em sua vizinhança, então não há necessidade de se dizer que algum deus em outro país distante e em outra cultura foi a fonte de inspiração.

 

3. Ele foi um rei sagrado, morto, e era comido em um ritual de eucaristia para a fertilidade e purificação. Isso é meio difícil de encontrar. De acordo com o relato de Diodorus, um historiador antigo, Dionísio, ainda criança, foi ludibriado a se sentar no trono de Zeus (um rei sagrado?) e brincar de Mestre do Universo. Assim que se sentou lá, alguns dos titãs – os vilões da mitologia grega – infiltraram-se com alguns brinquedos e o distraíram. Enquanto ele estava distraído, os titãs o pegaram, cortaram-no em pedaços (o mataram), cozeram e assaram tudo, exceto seu coração, e o comeram (comido – em um ritual eucarístico?!?!). Quando Zeus ficou sabendo disso, ficou irritado como de costume, e explodiu os titãs em pedacinhos.Entretanto, no que diz respeito às nossas vidas aqui na terra, não temos evidências de que o corpo de Dionísio foi “comido” alguma vez pelos seus seguidores em um ritual como esse.

 

4. Dionísio ressuscitou dia 25 de Março. Não encontrei nenhuma evidência para apoiar esta afirmação. Relacionadas a isso, houve uma variedade de ideias: Uma inscrição de uma cidade grega antiga descreve Dionísio como “o deus que se renova e retorna a cada ano rejuvenescido” – o que quer que isso signifique. Temos uma estória em que Dionísio foi perseguido por um inimigo e desceu até as profundezas do mar Alciônico [Alcyonian], e para o mundo dos mortos. Também temos outra estória onde, após o infante Dionísio ter sido morto, seu coração foi usado para fazer um corpo novo. Nada em qualquer dessas estórias tem mais do que uma semelhança superficial em relação ao que aconteceu com Jesus. Se podemos igualar “ressuscitou dos mortos” tão facilmente com o que aconteceu a Dionísio e à Jesus, então você também poderá encontrar um paralelo sobre isso no trem fantasma da Disneylândia.

 

5. Ele era o deus do vinho, e transformou água em vinho. É verdade que Dionísio foi o deus do vinho, mas a estória em que ele transforma água em vinho é posterior ao tempo em que o Novo Testamento foi escrito. Existe também uma estória sobre um escoadouro em um templo de Dionísio, que jorrava vinho ao invés de água, mas isso não é transformar água em vinho.

 

 

(11) REFUTANDO OUTRAS SEMELHANÇAS COM MITRA

 

1. Mitra nasceu de uma virgem em 25 de Dezembro, em uma caverna, e havia a presença de pastores. Se há algum deus que não nasceu dia 25/12, eles provavelmente mudariam sua certidão de nascimento. Novamente, a resposta é a mesma: Não é relevante, pois não há nada no Novo Testamento dizendo que Jesus nasceu nessa data. E o resto? Em primeiro lugar, Mitra não nasceu de uma virgem em uma caverna; ele nasceu de uma rocha. Eu suponho que, tecnicamente, a rocha da qual ele nasceu não poderia ser classificada como uma virgem! A parte sobre os pastores é totalmente verdadeira; embora a evidência seja proveniente de pelo menos um século após o tempo em que o Novo Testamento foi escrito.

 

2. Ele tinha 12 companheiros ou discípulos. Isto é falso. Esta acusação é baseada em um erro ao se analisar um quadro de Mitra matando um touro, emoldurado em 2 colunas verticais, cada uma com 6 quadros, cada um supostamente representando os signos do zodíaco, e não “companheiros ou discípulos”.

 

3. Mitra foi enterrado em uma tumba, e após três dias ressuscitou. Sua ressurreição era celebrada todos os anos. Isto é completamente falso. Como dito por um especialista que estudou Mitra a fundo: “não há morte de Mitras” – e assim, claro, nenhuma “ressurreição” para se celebrar.

 

4. Sua religião tinha uma eucaristia, ou “Ceia do Senhor” em que Mitra disse: “aquele que não comer do meu corpo ou beber do meu sangue, de forma a se tornar um comigo, não será salvo”. Isto é muito sem base! A citação pertence a um texto medieval (centenas de anos após o tempo em que Jesus viveu), e quem disse isso não foi Mitra, mas sim Zaratrusta. A coisa mais próxima que o Mitraísmo teve de uma “Última Ceia” foi seus seguidores ingerirem pão, carne, água e vinho, o que era talvez uma celebração da refeição que Mitra teve com o deus sol após matar o touro. Mas este tipo de refeição, como já dissemos, era o tipo de coisa praticada por grupos de todas as partes do império romano – dos grupos religiosos às sociedades funerárias.

 

 

(12) JUSTINO MÁRTIR DISSE QUE O CRISTIANISMO É UM PLÁGIO?

 

Algumas pessoas que utilizam essas teorias de que “Jesus é uma cópia” gostam de apontar para algumas citações de um cara chamado Justino Mártir, um escritor cristão antigo, de aproximadamente 150 DC:

 

“Pois quando eles dizem que Dionísio surgiu novamente e ascendeu aos céus, isso não é evidência de que o diabo imitou a profecia?”

 

“Quando dizemos que Jesus Cristo foi produzido sem união sexual, foi crucificado, morreu, ressuscitou e ascendeu aos céus, nós não propomos nada novo ou diferente do que vocês crêem em relação àqueles que vocês chamam filhos de Júpiter”

 

“Tá vendo?” eles dizem. “Justino está admitindo que os cristãos roubaram coisas dos pagãos!” Não tão rápido. Leia a primeira parte de forma atenciosa. Justino está dizendo que o diabo imitou a profecia. O que ele está realmente dizendo é que o diabo procurou pelas profecias no Velho Testamento e inspirou mitos gregos que ele achou que as imitariam. E pelo jeito enganou perfeitamente os ateus!

 

Agora veja a segunda citação. Justino escreve desta forma não porque está admitindo que os cristãos tenham copiado coisas dos pagãos, mas porque os próprios pagãos achavam que o Cristianismo estava ensinando coisas novas e diferentes. Então ele argumenta que quando o diabo “imitou” as profecias do Velho Testamento, não as entendeu corretamente, como ele continua dizendo:

 

“E essas coisas foram ditas dentre os gregos e dentre todas as nações onde eles [demônios] ouviram os profetas prevendo que Cristo iria ser crido de forma especial; mas ao ouvirem o que foi dito pelos profetas não entenderam de forma correta, porém imitaram o que foi dito de nosso Cristo, como homens falíveis, como deixaremos claro”

 

Então Justino não está admitindo nada sobre o Cristianismo ter roubado ideias de pagãos. Ao invés disso, ele está tentando convencer os pagãos (que discordam!) de que existem paralelos entre os mitos gregos e o Velho Testamento.

 

 

(13) JUDAÍSMO E CRISTIANISMO – O CUMPRIMENTO

 

Alguns críticos contemporâneos do cristianismo argumentam que essa religião não é baseada na revelação divina, mas foi emprestada das religiões de mistério, tais como o mitraísmo. O autor mulçumano Yousuf Saleem Chishti atribui doutrinas como a divindade de Cristo e a expiação a ensinamentos pagãos dos pais da igreja.



Teoria de fonte pagã. Chishti tenta demonstrar a vasta influência das religiões de mistério sobre o cristianismo:



“A doutrina cristã da expiação de pecados foi altamente influenciada pelas religiões de mistério, principalmente o mitraísmo, que tinha seu filho de deus e mãe Virgem, crucificação e ressurreição após expiação dos pecados da humanidade e, finalmente, sua ascensão ao sétimo céu.”



Ele acrescenta:



"Quem estudar os ensinamentos do mitraísmo juntamente com os do cristianismo, certamente se surpreenderá com a afinidade que é visível entre eles, tanto que muitos críticos são obrigados a concluir que o cristianismo é o fac-símile ou a segunda edição do mitraísmo (Chishti, p.87)".

 

Chishit descreve algumas semelhanças entre Cristo e Mitra:

 

"Mitra foi considerado o filho de Deus, foi um salvador e nasceu de uma virgem, teve doze discípulos, foi crucificado, ressuscitou dos mortos no terceiro dia, expiou os pecados da humanidade e voltou para o seu pai no céu (ibid.,87-8)".



Avaliação: Uma leitura honesta do NT demonstra que Paulo não ensinou uma nova religião nem baseou-se em mitologia existente. As pedras fundamentais do cristianismo são tiradas claramente do judaísmo em geral e da vida de um personagem histórico chamado Jesus. Jesus é a origem da religião de Paulo. Um estudo cuidadoso das epístolas e dos evangelhos revela que a fonte dos ensinamentos de Paulo sobre a salvação era o AT e os ensinamentos de Jesus. Uma comparação simples dos ensinamentos de Jesus e Paulo demonstrará isso. Ambos ensinaram que o cristianismo cumpria o judaísmo. Paulo, como Jesus, ensinou que o cristianismo era um cumprimento do judaísmo. Jesus declarou:



“Não pensem que vim abolir a Lei ou os profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mt 5.17). Jesus acrescentou: “A lei e os Profetas profetizaram até João. Desse tempo em diante estão sendo pregadas as boas novas do Reino de Deus, e todos tentam forçar sua entrada nele.É mais fácil os céus e a terra desaparecerem do que cair da lei o menor traço." (Lc.16.16,17).



O cristianismo de Paulo e de Jesus é bom conhecedor do judaísmo e está completamente alheio às seitas de mistério. Paulo escreveu aos romanos: “Porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê” (Rm 10.4).

 

Ele acrescentou aos colossenses: “Ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou a celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo” (Cl 2.16,17).

 

O cristianismo ensinou que os seres humanos são pecadores. Tanto Paulo quanto Jesus ensinaram que os seres humanos são pecadores. Jesus declarou:

 

“Eu lhes asseguro que todos os pecados e blasfêmias dos homens lhes serão perdoados” (Mc 3.28). Ele acrescentou em João: “Eu lhes disse que vocês morrerão em seus pecados se vocês não crerem que eu Sou (aquele que afirmo ser), de fato morrerão em seus pecados.” (Jo 8.24).



Paulo declarou que todos os seres humanos são pecadores, insistindo em que “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23). Ele acrescentou em Efésios: “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados” (Ef.2.1). Na verdade, parte da própria definição do evangelho era que “Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras” (1 Co 15.3).



O cristianismo ensinou que a expiação de sangue era necessária. Tanto Jesus como Paulo insistiram em que o sangue derramado de Cristo era necessário como expiação pelos nossos pecados. Jesus proclamou: “Pois nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45).



Ele acrescentou na Última Ceia: “Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados” (Mt 26.28).



Paulo também é enfático. Afirmou que em Cristo “temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus” (Ef.1:7).



Em Romanos, acrescentou: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (5.8).Referindo-se à páscoa do AT., ele disse: “Cristo nosso Cordeiro pascal foi sacrificado” (1 Co 5.7).

 

O cristianismo enfatizou a ressurreição de Cristo. Jesus e Paulo também ensinaram que a morte e o sepultamento de Jesus foram completados por sua ressurreição corporal. Jesus disse: “está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar ao terceiro dia” (Lc 24.46).

 

Jesus fez um desafio: ”Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias (...)Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo” (Jo 2.19,21).

 

“Depois de ressuscitado dos mortos, seus discípulos lembraram-se do que ele disse. Então creram nas escrituras e nas palavras que Jesus havia dito” (Jo 2.22;cf. 20.25-29).



O apóstolo Paulo também enfatizou a necessidade da ressurreição para a salvação. Aos romanos ele escreveu: “Ele (Jesus) foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação” (Rm 4.25).

 

Na verdade, Paulo insistiu que a crença na ressurreição era essencial para a salvação, ao escrever: “Se você confessar com a sua boca que Jesus Cristo é senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dos mortos, será salvo” (Rm 10.9).



O cristianismo ensinou que a salvação é pela graça mediante a fé. Jesus afirmou que todas as pessoas precisam da graça de Deus. Os discípulos de Jesus lhe disseram: “Neste caso, quem pode ser salvo?”. Jesus olhou para eles e respondeu: “para o homem é impossível, mas para Deus, todas as coisas são possíveis" (Mt 19.25,26).

 

Em todo o evangelho de João, Jesus apresentou apenas uma maneira de obter a salvação graciosa de Deus: “Quem crê no Filho tem a vida eterna” (3.36; v.3.16;5.24; Mc 1.15).



Paulo ensinou a salvação pela graça mediante a fé, afirmando: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9; v. Tt 3. 5-7). Ele acrescentou aos romanos: “Todavia, àquele que não trabalha mas confia em Deus, que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça” (4.5).

 

Uma comparação dos ensinamentos de Jesus e Paulo sobre salvação revela claramente que não há base para especular sobre qualquer fonte dos ensinamentos de Paulo além dos ensinamentos de Jesus.

 

(14) DIFERENÇAS MARCANTES COM OS MITOS PAGÃOS

 

Analisamos brevemente e em seus aspectos principais as semelhanças e as diferenças entre Jesus e os deuses da morte-levantamento e das religiões de mistério. A seguir, mencionaremos outras diferenças marcantes que não poderiam passar despercebidas:



1. Os deuses mitológicos morrem por compulsão, e não por escolha. Em todos os casos de deuses que morrem, eles morrem por compulsão e não por escolha; às vezes, por orgulho ou desespero, mas nunca por amor sacrifical.



2. Não há qualquer evidência de religiões de mistério inseridas na Palestina das três primeiras décadas do primeiro século. Não haveria tempo suficiente para que os discípulos fossem influenciados pelos mistérios, se eles estivessem dispostos a ser, o que não era o caso. Quando a influência dos mistérios atingiu a Palestina, principalmente por meio do gnosticismo, a igreja primitiva não aceitou, mas renunciou vigorosamente aos mitos pagãos. A falta de sincretismo dificulta a concepção.



3. Os deuses que morrem e ressuscitam, segundo os mitos, nunca morreram por outra pessoa (vicariamente), e nunca anunciaram morrer pelo pecado. A ideia de uma aliança substitutiva pelo homem é totalmente única ao cristianismo. Além disso, Jesus morreu uma vez por todos os pecados, enquanto os deuses pagãos eram frequentemente deuses de vegetação que imitavam os ciclos anuais da natureza, aparecendo e morrendo diversas vezes.



4. Jesus morreu voluntariamente (João 10:28). Jesus morreu voluntariamente e Sua morte foi uma vitória e não derrota; ambos os aspectos são contrários aos conceitos pagãos.



5. Similaridade não prova dependência. Movimentos sociais e religiosos frequentemente compartilham formas de expressão ou práticas similares. Não é de se surpreender que encontrássemos paralelos em qualquer religião a respeito de vida após a morte, identificação com uma deidade, ritos de iniciação ou um código de conduta. Se uma religião deseja atrair conversos, precisa apelar para as necessidades e desejos universais dos seres humanos. Mas isso não indica dependência! Em qual cultura, por exemplo, a imagem de se lavar em água não significa purificação? O que importa, entretanto, não é a semelhança das palavras e práticas, mas os significados anexados a elas. A fim de provar um caso de dependência é necessário demonstrar semelhança na essência e não só na forma. Os escritores normalmente exageram similaridades formais, enquanto ignoram diferenças essenciais entre a história de Jesus e os variados mitos pagãos.



6. Os pagãos nesse período não estavam confusos quanto à exclusividade da Igreja, e chamavam os cristãos de “ateus” por causa de sua indisponibilidade fundamental de ceder ou sincretizar. Como J. Machen explica, os cultos de mistério eram não-exclusivistas: “Um homem poderia ser iniciado nos mistérios de Ísis ou Mitra sem ter que abrir mão de suas crenças anteriores; mas se ele quisesse ser recebido na Igreja, de acordo com a pregação de Paulo, deveria abrir mão de todos os outros salvadores pelo Senhor Jesus Cristo... Dentre o sincretismo predominante do mundo greco-romano, a religião de Paulo, assim como a religião de Israel, permanece absolutamente distinta.”



7. A cronologia está toda errada. As crenças básicas do cristianismo existiam no primeiro século, enquanto que o total desenvolvimento das religiões de mistério não aconteceu até o segundo século. Historicamente, é muito improvável que qualquer encontro teve lugar entre o cristianismo e as religiões de mistério pagãs até o terceiro século. Até hoje não há evidência arqueológica de religiões de mistério na Palestina do início do primeiro século. A história das influências pode ser dividida em três períodos: (1) primeiro período (1-200 d. C), as religiões de mistério eram restritas e não exerciam influência nas outras religiões. Se há qualquer influência, ela é na direção contrária: o cristianismo influenciou os cultos; (2) segundo período (201-300 d.C.), depois de o cristianismo ter-se espalhado pelo mundo romano, as religiões de mistério se tornaram mais ecléticas, suavizando doutrinas severas e conscientemente oferecendo uma alternativa ao cristianismo (aparece o culto a Cybele oferecendo a eficácia do banho de sangue, que antes era de 20 anos, para um período que ia de 20 anos à eternidade), competição com o cristianismo; (3) terceiro período (301-500 d.C.), o cristianismo passou a adotar a terminologia e ritos dos cultos de mistério (e.g., 25 de dezembro).


8. O testemunho apostólico. Como um judeu devoto, o apóstolo Paulo nunca teria considerado pegar emprestados seus ensinamentos de religiões pagãs (At 17:16; 19:24-41; Rm 1:18-23; 1Co 10:14), assim como João também não (1Jo 5:21). Não há a mínima evidência de crenças pagãs em seus escritos.



9. Nenhum sincronismo pagão nas epístolas. Como religião monoteísta com um corpo de doutrinas coerente, o cristianismo dificilmente poderia ter pegado emprestado de um paganismo politeísta e doutrinariamente contraditório.



10. A ligação entre o judaísmo e o judaísmo. Os críticos parecem ignorar completamente o pano de fundo hebraico do cristianismo. Quase nenhuma atenção é dada ao rico pano de fundo hebraico no Novo Testamento e no cristianismo primitivo. Termos como “mistério”, “ovelha sacrificada” e “ressurreição” em vez de vir dos mitos pagãos, como os escritores sugerem, são baseados nas crenças judaicas encontradas no Antigo Testamento. Além disso, os Manuscritos do Mar Morto têm lançado muita luz sobre práticas judaicas que se escondem atrás do Novo Testamento, como o batismo, comunhão e bispos.


11. O cristianismo está baseado em eventos da história, não em mitos. A morte dos deuses de mistério aparece em dramas místicos sem nenhuma conexão histórica. A igreja primitiva cria que proclamava a morte e ressurreição de Jesus como fatos incontestáveis e era baseada em um verdadeiro evento histórico. Isso faz com que seja absurda qualquer tentativa de derivá-la de histórias míticas e não históricas dos cultos pagãos.



12. Se houve qualquer empréstimo, foi na outra direção. À medida que o cristianismo crescia em influência e se expandia, os sistemas pagãos, reconhecendo a ameaça, provavelmente pegaram alguns elementos do cristianismo. Por exemplo, o rito pagão do banho em sangue de touro (taurobolium) inicialmente tinha sua eficácia espiritual de 20 anos. Mas, assim que a “competição” com o cristianismo começou, o culto a Cybele, aumentou a eficácia de seu rito “de 20 anos à eternidade”, quase equivalendo, assim, à eternidade prometida aos cristãos.



13. O conteúdo moral de amor e compaixão, bondade e ações de caridade eram completamente diferentes dos mitos pagãos. A forma cristã de humildade, permitindo que o próximo bata nas duas faces e o próprio exemplo de Jesus utilizando Seu poder apenas para o bem, diferencia seriamente daquilo que vemos na mitologia pagã.

 

14. Os autores do NT incluíram detalhes embaraçosos sobre si mesmos. A tendência da maioria dos autores é deixar de fora qualquer coisa que prejudique sua aparência. É o “princípio do embaraço”. Agora pense: Se você e seus amigos estivessem forjando uma história que você quisesse que fosse vista como verdadeira, vocês se mostrariam como covardes, tolos e apáticos, pessoas que foram advertidas e que duvidaram? É claro que não. Mas é exatamente isso que encontramos no NT. Se você fosse autor do NT, escreveria que um dos seus principais líderes foi chamado de “Satanás” por Jesus, negou o Senhor três vezes, escondeu-se durante a crucifixão e, mais tarde, foi repreendido numa questão teológica?



O que você acha que os autores do NT teriam feito se estivessem inventando uma história? Teriam deixado de lado a sua inaptidão, sua covardia, a repreensão que receberam, as negações e seus problemas teológicos, mostrando-se como cristãos ousados que se colocaram a favor de Jesus diante de tudo e que, de maneira confiante, marcharam até a tumba na manhã de domingo, bem diante dos guardas romanos, para encontrarem o Jesus ressurreto que os esperava para salvá-los por sua grande fé! Os homens que escreveram o NT também diriam que eles é que contaram às mulheres sobre o Jesus ressurreto, que eram as únicas que estavam escondendo-se por medo dos judeus. E, naturalmente, se a história fosse uma invenção, nenhum discípulo, em momento algum, teria sido retratado como alguém que duvida (especialmente depois de Jesus ter ressuscitado).



15. Os autores do NT incluíram detalhes embaraçosos e dizeres difíceis de Jesus. Os autores do NT também são honestos sobre Jesus. Eles não apenas registraram detalhes de uma auto-incriminação sobre si mesmos, mas também registraram detalhes embaraçosos sobre seu líder, Jesus, que parecem colocá-Lo numa situação bastante ruim. Exemplos: Jesus foi considerado “fora de Si” por Sua mãe e Seus irmãos, por quem também foi desacreditado; foi visto como enganador; foi abandonado por Seus seguidores e quase apedrejado certa ocasião; foi chamado de “beberrão” e de “endemoninhado”, além de “louco”. Finalmente, foi crucificado como malfeitor.



Entre as situações teologicamente “embaraçosas”, encontramos as seguintes: Ele amaldiçoa uma figueira (Mat. 21:18); Ele parece incapaz de realizar milagres em Sua cidade natal, exceto curar algumas pessoas doentes (Mar. 6:5); e parece indicar que o Pai é maior que Ele (João 14:28). Se os autores do NT queriam provar a todos que Jesus era Deus, então por que não eliminaram dizeres e situações complicados que parecem argumentar contra a Sua deidade? Os autores do NT foram extremamente precisos ao registrar exatamente aquilo que Jesus disse e fez.



16. Os autores do NT incluíram as exigências de Jesus. Se os autores do NT estavam inventando uma história, certamente não inventaram uma que tenha tornado a vida mais fácil para eles. Esse Jesus tinha alguns padrões bastante exigentes. O Sermão do Monte (Mateus 5), por exemplo, não parece ser uma invenção humana. São mandamentos difíceis de ser cumpridos pelos seres humanos e parecem ir na direção contrária dos interesses dos homens que os registraram. E certamente são contrários aos desejos de muitos hoje que desejam uma religião de espiritualidade sem exigências morais.



17. Os autores do NT fizeram clara distinção entre as palavras de Jesus e as deles. Embora não existam aspas ou travessão para indicar uma citação no grego do século I, os autores do NT distinguiram as palavras de Jesus de maneira bastante clara. Teria sido muito fácil para esses homens resolverem as disputas teológicas do primeiro século colocando palavras na boca de Jesus. E fariam isso também, caso estivessem inventando a “história do cristianismo”. Teria sido muito conveniente para esses autores terminar todo debate ou controvérsia em torno de questões como circuncisão, leis cerimoniais judaicas, falar em línguas, mulheres na igreja e assim por diante, simplesmente inventando citações de Jesus. Mas eles nunca fizeram isso. Mantiveram-se fiéis ao que Jesus disse e não disse.


18. Os autores do NT incluíram fatos relacionados à ressurreição de Jesus que eles não poderiam ter inventado. Eles registraram que Jesus foi sepultado por José de Arimatéia, um membro do Sinédrio – o conselho do governo jadaico que sentenciou Jesus à morte por blasfêmia. Esse não é um fato que poderiam ter inventado. Considerando a amargura que certos cristãos guardavam no coração contra as autoridades judaicas, por que eles colocariam um membro do Sinédrio de maneira tão positiva? E por que colocariam Jesus na sepultura de uma autoridade judaica? Se José não sepultou Jesus, essa história teria sido facilmente exposta como fraudulenta pelos inimigos judaicos do cristianismo. Mas os judeus nunca negaram a história e jamais se encontrou uma história alternativa para o sepultamento de Jesus.



Todos os quatro evangelhos dizem que as mulheres foram as primeiras testemunhas do túmulo vazio e as primeiras a saberem da ressurreição. Uma dessas mulheres era Maria Madalena, que Lucas admite ter sido uma mulher possuída por demônios (Luc. 8:2). Isso jamais teria sido inserido numa história inventada. Uma pessoa possessa por demônios já seria uma testemunha questionável, mas as mulheres em geral não eram sequer consideradas testemunhas confiáveis naquela cultura do século I. O fato é que o testemunho de uma mulher não tinha peso num tribunal. Desse modo, se você estivesse inventando uma história da ressurreição de Jesus no século I, evitaria o testemunho de mulheres e faria homens – os corajosos – serem os primeiros a descobrir o túmulo vazio e o Jesus ressurreto. Citar o testemunho de mulheres – especialmente de mulheres possuídas por demônios – seria um golpe fatal à tentativa de fazer uma mentira ser vista como verdade.


“Por que o Jesus ressurreto não apareceu aos fariseus?” é uma pergunta comum feita pelos céticos. A resposta pode ser porque não teria sido necessário. Isso é normalmente desprezado, mas muitos sacerdotes de Jerusalém tornaram-se cristãos. Lucas escreve: “Crescia rapidamente o número de discípulos em Jerusalém; também um grande número de sacerdotes obedecia à fé” (Atos 6:7). Se você está tentando fazer que uma mentira seja vista como verdade, não facilita as coisas para os seus inimigos, permitindo que exponham a sua história. A conversão dos fariseus e a de José de Arimatéia eram dois detalhes desnecessários que, se fossem falsos, teriam acabado com a “farsa” de Lucas.



Em Mateus 28:11-15, é exposta a versão judaica para o fato do túmulo vazio (a mentira do roubo do corpo de Jesus). Note que Mateus deixa bastante claro que seus leitores já sabiam sobre essa explicação dos judeus porque “essa versão se divulgou entre os judeus até o dia de hoje”. Isso significa que os leitores de Mateus (e certamente os próprios judeus) saberiam se ele estava ou não dizendo a verdade. Se Mateus estava inventando a história do túmulo vazio, por que daria a seus leitores uma maneira tão simples de expor suas mentiras? A única explicação plausível é que o túmulo deve ter realmente ficado vazio, e os inimigos judeus do cristianismo devem realmente ter espalhado essa explicação específica para o túmulo vazio (de fato, Justino Mártir e Tertuliano, escrevendo respectivamente nos anos 150 d.C. e 200 d.C., afirmam que as autoridades judaicas continuaram a propagar essa história do roubo durante todo o século II).



19. Os autores do NT incluíram em seus textos, pelo menos, 30 pessoas historicamente confirmadas.Não há maneira de os autores do NT terem seguido adiante escrevendo mentiras descaradas sobre Pilatos, Caifás, Festo, Félix e toda a linhagem de Herodes. Alguém os teria acusado por terem envolvido falsamente essas pessoas em acontecimentos que nunca ocorreram. Os autores do NT sabiam disso e não teriam incluído tantas pessoas reais de destaque numa ficção que tinha o objetivo de enganar.



20. Os autores do NT incluíram detalhes divergentes. Os críticos são rápidos em citar os relatos aparentemente contraditórios dos evangelhos como evidência de que não são dignos de confiança em informação precisa. Mateus diz, por exemplo, que havia um anjo no túmulo de Jesus, enquanto João menciona a presença de dois anjos. Não seria isso uma contradição que derrubaria a credibilidade desses relatos? Não, mas exatamente o oposto é verdadeiro: detalhes divergentes, na verdade, fortalecem a questão de que esses são relatos feitos por testemunhas oculares. Como? Primeiro, é preciso destacar que o relato dos anjos não é contraditório. Mateus não diz que havia apenas um anjo na sepultura. Os críticos precisam acrescentar uma palavra ao relato de Mateus para torná-lo contraditório ao de João.

 

Mas por que Mateus mencionou apenas um anjo, se realmente havia dois ali? Pela mesma razão que dois repórteres de diferentes jornais cobrindo um mesmo fato optam por incluir detalhes diferentes em suas histórias. Duas testemunhas oculares independentes raramente vêem todos os mesmos detalhes e descrevem um fato exatamente com as mesmas palavras. Elas vão registrar o mesmo fato principal (Jesus ressuscitou dos mortos), mas podem diferir nos detalhes (quantos anjos havia no túmulo). De fato, quando um juiz ouve duas testemunhas que dão testemunho idêntico, palavra por palavra, o que corretamente presume? Conluio. As testemunhas se encontraram antecipadamente para que suas versões do fato concordassem. À luz dos diversos detalhes divergentes do NT, está claro que os autores não se reuniram para harmonizar seus testemunhos. Isso significa que certamente não estavam tentando fazer uma mentira passar por verdade. Se estavam inventando a história do NT, teriam se reunido para certificar-se de que eram coerentes em todos os detalhes.



Ironicamente, não é o NT que é contraditório, mas sim os críticos. Por um lado, os críticos afirmam que os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) são por demais uniformes para serem fontes independentes. Por outro lado, afirmam que eles são muito divergentes para estarem contando a verdade. Desse modo, o que eles são? Muito uniformes ou muito divergentes? Na verdade, são a mistura perfeita de ambos: são tanto suficientemente uniformes e suficientemente divergentes (mas não tanto) exatamente porque são relatos de testemunhas oculares independentes dos mesmos fatos. Seria de esperar ver o mesmo fato importante e detalhes menores diferentes em manchetes de jornais independentes relatando o mesmo acontecimento.



Simon Greenleaf, professor de Direito da Universidade de Harvard que escreveu um estudo-padrão sobre o que constitui evidência legal, creditou sua conversão ao cristianismo ao seu cuidadoso exame das testemunhas do evangelho. Se alguém conhecia as características do depoimento genuíno de testemunhas oculares, essa pessoa era Greenleaf. Ele concluiu que os quatro evangelhos “seriam aceitos como provas em qualquer tribunal de justiça, sem a menor hesitação” (The Testimony of the Evangelists, págs. 9 e 10).



21. Os autores do NT desafiam seus leitores a conferir os fatos verificáveis, até mesmo fatos sobre milagres. Lucas diz isso a Teófilo (Luc. 1:1-4); Pedro diz que os apóstolos não seguiram fábulas engenhosamente inventadas, mas que foram testemunhas oculares da majestade de Cristo (II Ped. 1:16); Paulo faz uma ousada declaração a Festo e ao rei Agripa sobre o Cristo ressurreto (Atos 26) e reafirma um antigo credo que identificou mais de 500 testemunhas oculares do Cristo ressurreto (I Cor. 15). Além disso, Paulo faz uma afirmação aos cristãos de Corinto que nunca teria feito a não ser que estivesse dizendo a verdade. Em sua segunda carta aos corintios, ele declara que anteriormente realizara milagres entre eles (II Cor. 12:12). Por que Paulo diria isso a eles a não ser que realmente tivesse realizado os milagres? Ele teria destruído completamente sua credibilidade ao pedir que se lembrassem de milagres que nunca realizara diante deles.



22. Os autores do NT descrevem milagres da mesma forma que descrevem outros fatos históricos: por meio de um relato simples e sem retoques. Detalhes embelezados e extravagantes são fortes sinais de que um relato histórico tem elementos lendários. Note este trecho da narração da ressurreição no livro apócrifo Evangelho de Pedro: “...três homens que saíam do sepulcro, dois dos quais servindo de apoio a um terceiro, e uma cruz que ia atrás deles. E a cabeça dos dois primeiros chegava até o céu, enquanto a daquele que era conduzido por eles ultrapassava os céus. E ouviram uma voz vinda dos céus que dizia: ‘Pregaste para os que dormem?’ E da cruz fez-se ouvir uma resposta: ‘Sim’.”



Provavelmente seria assim que alguém teria escrito se estivesse inventando ou embelezando a história da ressurreição de Jesus. Mas os relatos da ressurreição de Jesus no NT não contêm nada semelhante a isso. Os evangelhos fornecem descrições triviais quase insípidas da ressurreição. Confira em Marcos 16:4-8, Lucas 24:2-8, João 20:1-12 e Mateus 28:2-7.



23. Os autores do NT abandonaram parte de suas crenças e práticas sagradas de longa data, adotaram novas crenças e práticas e não negaram seu testemunho sob perseguição ou ameaça de morte. E não são apenas os autores do NT que fazem isso. Milhares de judeus, dentre eles sacerdotes fariseus, converteram-se ao cristianismo e juntam-se aos apóstolos ao abandonarem o sistema de sacrifícios de animais prescrito por Moisés, ao aceitar Jesus como integrante da Divindade (o que era inaceitável naquela cultura estritamente monoteísta) e ao abandonar a idéia de um Messias conquistador terrestre.



Além disso, conforme observa Peter Kreeft, “por que os apóstolos mentiriam? ... se eles mentiram, qual foi sua motivação, o que eles obtiveram com isso? O que eles ganharam com tudo isso foi incompreensão, rejeição, perseguição, tortura e martírio. Que bela lista de prêmios!” Embora muitas pessoas venham a morrer por uma mentira que considerem verdade, nenhuma pessoa sã morrerá por aquilo que sabe que é uma mentira.

 


24. Se os autores do NT estavam inventando uma história, certamente não inventaram uma história que tenha tornado a vida mais fácil para eles. Esse Jesus tinha alguns padrões bastante exigentes. O Sermão do Monte, por exemplo, não parece ser uma invenção humana:

 

  • "Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração" (Mt 5.28).

 

  • "Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério" (Mt. 5.32).

 

  • "Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado" (Mt 5.39-42).

 

    • "Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus" (Mt 5.44,45). "Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração" (Mt 6.19-21).
      • "Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês" (Mt 5.48).

 

    • "Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês" (Mt 7.1,2).

 

Todos esses mandamentos são difíceis ou impossíveis de serem cumpridos pelos seres humanos e parecem ir na direção contrária dos melhores interesses dos homens que os escreveram. Certamente são contrários aos desejos de muitos hoje que desejam uma religião de espiritualidade sem exigências morais. Considere as extremas e indesejáveis implicações desses mandamentos:

 

  • Se pensar em um pecado é um ato pecaminoso, então todo mundo incluindo os autores do NT — é culpado.

 

  • Estabelecer padrões rígidos como esses para divórcio e novo casamento não parece estar de acordo com os interesses terrenos dos homens que registraram essa frase.

 

  • Não resistir aos insultos de uma pessoa má é resistir aos nossos instintos humanos básicos. Isso também estabelece um inconveniente padrão de comportamento para os apóstolos que estavam sofrendo perseguição quando essa frase foi escrita.

 

  • Orar por nossos inimigos vai além de qualquer ética jamais pronunciada e exige bondade onde a animosidade é natural.

 

  • Não acumular riqueza contradiz os mais profundos desejos da nossa segurança temporal.

 

  • Ser 'perfeito é um pedido inatingível para seres humanos falíveis.

 

  • Não julgar, a não ser que nossa vida esteja em perfeita ordem, contradiz nossa tendência natural de apontar as falhas dos outros.

 

Está claro que esses mandamentos não são os mandamentos que pessoas impõem a si mesmas. Quem pode viver de acordo com esses padrões? Somente uma pessoa perfeita. Talvez o objetivo seja exatamente esse.

 

25. Os autores do NT incluíram detalhes embaraçosos sobre si mesmos. De que maneira o NT comporta-se diante do princípio do embaraço? Vamos pensar nisso da seguinte maneira: se você e seus amigos estivessem forjando uma história que você quisesse que fosse vista como verdadeira, vocês se mostrariam como covardes, tolos e apáticos, pessoas que foram advertidas e que duvidaram? É claro que não. Mas é exatamente isso o que encontramos no NT. As pessoas que escreveram a maior parte do NT são personagens (ou amigo de personagens) na história e frequentemente se mostram como completos idiotas:

 

  • Eles são tolos — por diversas vezes, não entenderam o que Jesus estava dizendo (Mc 9.32; Lc 18.34; Jo 12.16).

 

  • Eles são apáticos — caíram no sono duas vezes quando Jesus lhes pediu que orassem (Mc 14.32-41). Mais tarde, os autores do NT acreditam que Jesus é homem-Deus, contudo admitem que caíram no sono duas vezes diante dele em sua hora de maior necessidade! Além disso, não fazem nenhum esforço para dar a seu amigo um sepultamento adequado, mas registram que Jesus foi sepultado por José de Arimatéia, um membro do Sinédrio — a própria corte que havia sentenciado Jesus à morte.

 

  • Eles foram advertidos — Pedro é chamado de "Satanás" por Jesus (Mc 8.33), e Paulo repreende Pedro por estar errado numa questão teológica. Paulo escreve: "Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável" (GI2.11); tenha em mente que Pedro é um dos pilares da igreja primitiva, e, aqui, Paulo está incluindo nas Escrituras que ele estava errado!

 

  • Eles são covardes — todos os discípulos, com exceção de um, escondem-se quando Jesus vai para a cruz. Pedro até mesmo o nega três vezes depois de prometer explicitamente "...eu nunca te abandonarei!" (Mt 26.33-35). Nesse meio tempo, enquanto os outros homens estavam escondendo-se com medo dos judeus, mulheres corajosas levantam-se a favor de Jesus e são as primeiras a descobrir o túmulo vazio.

 

 

  • Eles duvidam.— apesar de terem sido informados diversas vezes de que Jesus ressuscitaria dos mortos ao terceiro dia 2.18-22; 3.14-18; Mt 12.39-41; 17.9, 22,23), os discípulos têm dúvidas quando ouvem sobre sua ressurreição. Alguns duvidam até mesmo depois de tê-lo visto já ressuscitado (Mt 28.17)!

 

Agora, pense nisto: se você fosse um autor do NT, incluiria esses detalhes embaraçosos se estivesse inventando uma história? Escreveria que um dos seus principais líderes foi chamado de "Satanás" por Jesus, negou o Senhor três vezes, escondeu-se durante a crucificação e, mais tarde, foi repreendido numa questão teológica? Mostraria seus companheiros, incluindo você, como pessoas sem sentimentos, covardes estabanados e, ao mesmo tempo, mostraria mulheres — cujo testemunho não era nem sequer admitido numa corte — como corajosas que se levantaram a favor de Jesus e que, mais tarde, descobriram o túmulo vazio? Você admitiria que alguns de vocês (os 11 discípulos restantes) duvidaram do próprio Filho de Deus depois de ele ter provado a todos que ressuscitara dos mortos? É claro que não.

 

A conclusão da completa falta de argumentos confiáveis e verossímeis é clara e óbvia, e, nas palavras de Ronald Nash: “Esforços liberais de desacreditar a revelação singular cristã por meio dos argumentos da influência das religiões pagãs são destruídos rapidamente a partir da verificação completa das informações disponíveis. É claro que os argumentos liberais exibem academicismo incrivelmente ruim e, com certeza, essa conclusão está sendo muito generosa”.



Fica claro que a melhor conclusão a ser feita é aquela do livro em que encontramos a verdadeira revelação da verdade e da fonte do mistério da vida, morte e ressurreição de Jesus: a Bíblia Sagrada. Porque “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At.4:12).

 

 

(15) CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Todas as alegações de dependência cristã para com as religiões gnósticas e de mistério foram rejeitadas por especialistas em estudos bíblicos e clássicos. O caráter histórico do cristianismo e a data antiga dos documentos do NT não oferecem tempo suficiente para desenvolvimentos mitológicos. E há uma falta absoluta de evidência antiga para apoiar tais idéias. O teólogo britânico Norman Anderson explica:


”A diferença básica entre o cristianismo e as religiões de mistério é a base histórica de um e o caráter mitológico das outras. As divindades das religiões de mistério eram apenas “figuras nebulosas de um passado imaginário”, enquanto o cristo que o kerigma apostólico proclamou que viveu e morreu poucos anos antes dos primeiros documentos do NT serem escritos. Mesmo quando o apóstolo Paulo escreveu sua primeira carta aos Coríntios, a maioria das cerca de quinhentas testemunhas da ressurreição ainda estava vivas” (Enciclopédia de Apologética, Norman Geisler, Ed. Vida)

 

Vimos aqui neste presente estudo, que o desconhecimento ateísta em dizer que os cristãos “copiaram” Jesus dos mitos pagãos é gritante. As alegações, uma por uma, são facilmente refutadas, algumas delas dentro de seu próprio contexto. Como conta o filósofo cristão Dr. Willian Lane Craig:

 

“Se eles chegarem a citar um trecho de uma fonte, eu acho que você ficará surpreso com o que verá. Por exemplo, no meu debate sobre a ressurreição com Robert Prince, ele dizia que as curas que Jesus fez vieram dos relatos mitológicos de curas, como as de Esculápio. Eu insisti que ele lesse a todos uma passagem das fontes originais mostrando a suposta similaridade. Quando ele leu, o que alegava não tinha nada a ver com as histórias dos Evangelhos sobre as curas de Jesus! Essa foi a melhor prova que a origem das histórias não estava relacionada”.

 

Ao final deste presente estudo, buscamos solucionar muitos dos supostos “problemas” relacionados aos deuses mitológicos e suas semelhanças com Jesus, bem como passar algumas das inúmeras provas e evidências de que o testemunho apostólico a respeito de Jesus é fiel aos fatos que realmente aconteceram na Palestina no século I. Não houve “influência” alguma de algum “deus” pagão mitológico no cristianismo! Algumas dessas considerações foram: (1) O nascimento no Dia 25 de Dezembro; (2) Os três reis magos; (3) O Nascimento Virginal; (4) Jesus e os seus Doze Anos; (5) A Ressurreição; (6) Adjetivos de deuses mitológicos; (7) Semelhanças depois de Cristo; (8) A Doutrina da Trindade; (9) Refutação de semelhanças com Attis; (10) Refutação de semelhanças com Dionísio; (11) Refutação de semelhanças com Mitra; (12) Explicação das declarações de Justino Mártir; (13) A ligação do Cristianismo com o Judaísmo; e (14) Diferenças marcantes com os mitos pagãos.

 

Espero, com toda a sinceridade, que o presente artigo sirva para iluminar a mente de muitas pessoas que ainda estão travadas no agnosticismo ou no ateísmo, impedidas de ver ou de descobrir a realidade, sustentando-se em argumentos falsos e vazios, principalmente com relação à vida e testemunho de Jesus Cristo e dos cristãos. Ao longo destes três artigos sobre a existência histórica de Jesus Cristo, vimos: (1) Que Jesus é provado historicamente até mesmo por muitos escritores não-cristãos da época; (2) Que a refutação ateísta é ridícula e não tem base histórica séria nenhuma; e (3) Que Jesus Cristo não é um plágio de deuses pagãos mitológicos. A partir de tudo isso, creio eu que um ateu honesto já possa ler honestamente as páginas do Novo Testamento da Bíblia, podendo crer naquele que “por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” (Romanos 4:25)

 

“Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pedro 1:16)

 

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Este presente estudo é resultado de diversas obras literárias dentre as quais:

-Livro: “Não tenho fé suficiente para ser ateu” (Norman Geisler e Frank Turek)

-Considerações de Norman Geisler em “Uma Apologia”

-Considerações de Willian Lane Craig em: http://www.apologia.com.br/?p=240

-Sites consultados:

http://www.dc.golgota.org/estudos/plagio.html

http://sustodeamor.blogspot.com/2010/11/copia-copia-jesus-e-uma-copia.html

http://michelsonperguntas.blogspot.com/2010/06/jesus-um-plagio.html

 

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